fbpx

Banner Animado Adritz no Portal Tissue Online

Celulose Coronavírus Notícias

Preço da celulose volta a subir na China

destacada-celulose

O coronavírus tem estimulado o consumo de papéis para fins sanitários (tissue), aquecendo a demanda por celulose de fibra curta, e outros itens de higiene e saúde, que levam celulose do tipo fluff

A continuidade do movimento de redução de estoques da Suzano nos primeiros meses do ano, a demanda aquecida de celulose e a ocorrência de paradas não programadas em diferentes fábricas em número acima do normal têm garantido uma leve recuperação dos preços da matéria-prima. Na semana passada, a cotação da fibra curta voltou a subir no mercado chinês, que acaba ditando a tendência de preços do mundo, enquanto os produtores negociam a aplicação de um aumento de US$ 30 por tonelada, o primeiro em mais de um ano.

De acordo com a consultoria Foex, o preço da fibra curta subiu US$ 1,80 na China frente ao verificado na semana anterior, para US$ 466,17 por tonelada. No mês, o aumento foi de US$ 3,20 por tonelada. Na Europa, a cotação segue estável em US$ 680 por tonelada, refletindo as medidas de restrição para conter o avanço da Covid-19 nos diferentes países da região. A celulose de fibra longa, por sua vez, subiu US$ 4,30 no mercado chinês, para US$ 581,53 a tonelada, se distanciando ainda mais da fibra curta.

O primeiro trimestre foi relativamente bom para a indústria. Especificamente para a Suzano, a expectativa é de embarques elevados de celulose, o que deve ter contribuído para nova redução de estoques da companhia. No segundo semestre do ano passado, 1,1 milhão de toneladas que estavam em excesso foram vendidas pela Suzano.

Entre os produtores, a mensagem sobre as condições de mercado é positiva, apesar dos efeitos da Covid-19 na economia mundial e no consumo de papéis de imprimir e escrever e especiais. O mesmo coronavírus tem estimulado o consumo de papéis para fins sanitários (tissue), aquecendo a demanda por celulose de fibra curta, e outros itens de higiene e saúde, que levam celulose do tipo fluff. Embalagens para bens não duráveis também têm sido mais utilizadas.

Diante disso, chilenos, indonésios e brasileiros anunciaram o aumento de US$ 30 por tonelada de fibra curta no mercado asiático. Mas pairam dúvidas no mercado quanto ao tamanho do aumento que as empresas vão conseguir efetivamente aplicar, de acordo com os analistas Leonardo Correa e Caio Grener, do BTG Pactual. Em geral, as negociações se estendem até a última semana do mês, quando já é possível ter maior clareza quanto à posição dos compradores.

Em relatório do início da semana passada, os analistas do BTG apontaram que a redução no volume de celulose ofertada no mercado triplicou em relação ao primeiro trimestre de 2019, por diferentes razões, incluindo restrições adotadas para conter a pandemia de Covid-19. Conforme a consultoria Fastmarkets RISI, essas medidas retiraram quase 580 mil toneladas da matéria-prima, a maior parte de fibra curta, do mercado.

Ao mesmo tempo, do lado da demanda, além do consumo mais forte de tissue e de embalagens do que o esperado, fontes do setor indicam que fabricantes de papéis para higiene ampliaram estoques de celulose com medo de rupturas na cadeia de suprimento, observaram os analistas. Na China, depois do recorde de 1,95 milhão de toneladas em fevereiro, os estoques nos portos de Qingdao e Changshu recuaram cerca de 160 mil toneladas em março. Para os analistas, a diferença de preços (spread) entre fibra curta e fibra longa acima da média histórica favorece a substituição do segundo tipo de celulose pelo primeiro tipo.

Nesse cenário, é provável que os produtores consigam emplacar algum aumento de preços, mesmo que inferior aos US$ 30 por tonelada pretendidos, corrigindo uma pequena parte da desvalorização da matéria-prima vista desde o fim de 2018.


LEIA TAMBÉM