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Preço da celulose sobe, mas pandemia traz dúvidas quanto à demanda

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O maior consumo de celulose segue puxado pelo segmento de tissue e pela queda na oferta de aparas e fibra reciclada

A Suzano informou que eliminou o excesso de estoque que derrubou os preços da matéria-prima nos últimos 18 meses. Essa correção, combinada à escassez de aparas no mercado global por causa da pandemia de Covid-19 e à demanda aquecida no segmento de tissue, favorece a aplicação do reajuste de US$ 30 por tonelada anunciada para a fibra curta para os mercados europeu e americano em maio. Porém, o recuo das cotações na semana passada na China e a falta de visibilidade sobre os efeitos da crise em curso dividiram ainda mais a opinião de analistas e consultorias quanto à curva futura dos preços.

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Para a equipe de análise do UBS, a celulose deve seguir sob pressão e um dos principais indicadores de tendência, a diferença entre o preço da fibra importada e o de revenda na China, que atingiu a mínima histórica, sugere que deve haver correção. “Acreditamos que os preços vão seguir sob pressão no curto prazo por causa do impacto negativo da cCvid-19 no consumo de celulose e do desequilíbrio de 3 milhões de toneladas entre oferta e demanda em 2020”, escreveram os analistas Cadu Schmidt, Andreas Bokkenheuser, Mikael Doepel, Wenzhuo Du, Cleve Rueckert e Khalid McCaskill, ponderando que uma mudança de tendência dependeria de forte redução na produção mundial.

Em 2019, a Suzano reduziu a carga em suas fábricas, o que foi decisivo para a interrupção da queda dos preços. Agora, todas as setas parecem apontar novamente para a companhia. Para a Hawkins Wright, a dúvida está justamente na estratégia da produtora brasileira, que apenas indicou que “produzirá mais e venderá mais” do que em 2019.

Até abril, indicou a consultoria, a demanda de celulose foi saudável e, especialmente entre março e abril, a maior procura de papéis tissue ampliou o consumo de fibra virgem. Mas a Covid-19 deve levar a uma forte recessão global e o dólar valorizado pode resultar em desvalorização da matéria-prima.

O Itaú BBA, no entanto, manteve a projeção de preço médio de US$ 480 por tonelada para a fibra curta em 2020, embora os analistas Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia e Edgard Pinto de Souza reconheçam que estavam mais otimistas no início do ano, antes da covid-19 – a expectativa era a de que a cotação pudesse superar os US$ 500 por tonelada ainda no primeiro semestre.

Conforme a Suzano, o reajuste de US$ 30 por tonelada anunciado para o mercado chinês em abril foi aplicado e nenhum contrato firmado no mês deixou de considerar o aumento. Com isso, o preço praticado teria chegado a US$ 480 por tonelada.

Homem acompanha cotações

Na terça-feira passada, segundo a levantamento semanal da consultoria Fastmarkets Foex, o preço líquido da celulose de fibra curta no mercado chinês estava em US$ 471 por tonelada, com queda de US$ 2,30 em uma semana. A recente correção, em um momento que vem sendo marcado por leve recuperação das cotações, ainda não pode ser vista como uma mudança de tendência.

Na teleconferência de resultados trimestrais, a mensagem do diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal, foi moderadamente otimista. Para a companhia, a percepção é a de que há condições de mercado para aplicação integral do aumento de US$ 30 por tonelada anunciado para Estados Unidos e Europa em maio e a demanda segue firme em todas as regiões.

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O maior consumo de celulose segue puxado pelo segmento de tissue, que mesmo antes da pandemia já era o mercado de papel com maior ritmo de crescimento, e pela queda na oferta de aparas e fibra reciclada, que acaba gerando demanda adicional pela fibra virgem. A redução da geração e coleta de papéis para reciclagem é uma das consequências das medidas de restrição adotadas para conter a pandemia em todo o mundo.

Além disso, a diferença de preços entre a celulose de fibra curta e a de fibra longa segue acima de US$ 100 por tonelada, estimulando a migração para a fibra curta, mais barata. Também há sempre a possibilidade de novas paradas não programadas em fábricas, especialmente em um ambiente tão adverso quanto o experimentado neste primeiro semestre. Ainda assim, não há consenso.

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