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Perda de coleta e queda na geração de aparas afetam mercado de tissue, diz presidente da Anap

Pedro Vilas Boas comentou que o segmento de aparas vem passando por dificuldades com o fechamento de escritórios e as restrições no comércio

Mais de um ano após o início da quarentena no Brasil imposta pela pandemia do coronavírus, muitas empresas continuam adotando o sistema home office para trabalhar e o comércio ainda enfrenta restrições para funcionar. Com isso, a geração de aparas para o mercado de papel tissue teve uma queda considerável e o setor atravessa dificuldades para produzir.

No Talk Tissue com Felipe Quintino, Pedro Vilas Boas, presidente da ANAP (Associação Nacional dos Aparistas) e diretor da Anguti Estatística, analisou esse cenário e revelou as principais dificuldades para o mercado de aparas atualmente. “Nós perdemos a coleta, mas eu acho que o problema maior é a geração de aparas, que está caindo assustadoramente. A coleta está cada vez mais difícil em função do fechamento de escritórios, as aparas brancas A4 estão deixando de entrar nos depósitos; e o segmento de papéis de imprimir e escrever está apresentando um consumo muito fraco, também por conta da digitalização”, detalha. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demonstram que, logo no início do ano, quando o setor de papelaria costuma apresentar forte crescimento, houve queda de 48% em comparação entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2020.

Vilas Boas explica que alguns produtos estão saindo do mercado por conta da falta de matérias-primas para produção, como o papel toalha natural e o papel toalha creme. “O preço da matéria-prima ficou tão caro que, mesmo quando você a encontra, a produção fica inviável, porque é um papel barato. Tudo bem que agora estamos vendo um apelo ecológico de usar papel reciclado, o que está dando uma sobrevida a este produto e aumenta os preços um pouco mais em relação às toalhas brancas, mas os volumes são irrisórios”, justifica.

Na visão do presidente da entidade, 2020 foi um bom ano para o segmento, mas 2021 começou com maiores dificuldades devido a uma nova onda de contaminação por coronavírus, que obriga o comércio a restringir suas atividades. “Nós fomos pegos com essa nova onda de pandemia que trouxe novos fechamentos, novo lockdown, inclusive restringiu e atividade de supermercados, que era o único canal de comércio que vinha abastecendo as aparas normalmente”, diz.

Após um primeiro trimestre ruim, ele acredita que o setor tende a se normalizar e não haverá aumento da demanda pelas chamadas “compras de pânico” que aconteceram em todo o mundo no início da pandemia. “Muito pelo contrário, eu acho que a pessoa que tinha comprado a mercadoria no ano passado percebeu que não precisava ter feito isso e deixou de fazer agora”, afirma.

Pedro revela que o nicho de guardanapos vive um bom momento, enquanto as toalhas interfolhadas, cada vez mais usadas para fins domésticos, começam a passar por uma recuperação. “O segmento de guardanapos para a indústria de tissue acabou tendo um ganho; o único segmento que ficou mesmo prejudicado foram as toalhas de mão, que acredito que agora comece a se recuperar. Vai ser bacana ver esse crescimento”, completa.

Vilas Boas também avaliou o mercado de papel higiênico de múltiplas folhas. “No último levantamento que eu fiz, as folhas múltiplas já estavam com 52% do mercado de folhas de papel higiênico. Parece que está havendo um equilíbrio, continua havendo um crescimento dos folhas múltiplas, mas vem um pouco mais lento pelo que aconteceu nos últimos anos”, indica o diretor. Além de folhas triplas, o papel de folhas quádruplas vem ganhando espaço. “Acho que a tendência é essa, porque a celulose vai se impondo no segmento e ela permite a produção de papel de melhor qualidade. Acredito que a penetração dos folhas múltiplas é definitiva, é inevitável”, pondera.

No entanto, as empresas têm enfrentado aumento nos custos e encontram dificuldade em repassá-los ao varejo. “O grande problema foi o violento aumento de custos que tivemos nesse início de ano, não só da celulose, que subiu 40% na Europa já nesses primeiros quatro meses; esse aumento é praticamente repassado aqui, e ainda com o pequeno aumento que tivemos na variação do dólar”, avalia. Apesar das adversidades, Vilas Boas prevê uma normalização para o segundo trimestre com a reabertura de estabelecimentos, o que impacta positivamente no consumo.

Por fim, ele falou sobre as aparas marrons, que estão em falta no mercado nacional, pois com a pandemia, houve uma quebra na coleta e, nos últimos 12 meses, o material subiu 200%. “A solução é buscar a importação, o que normaliza o mercado. Nesses primeiros meses, já entraram 60 mil toneladas de apara marrom, que equivale à quantidade importada nos últimos três anos”, fala. “As aparas marrons são basicamente de caixas de papelão ondulado, que estão cada vez mais indo para as residências, tornando a coleta um pouco mais complicada. Nós acreditamos que muitas das caixas de papelão ondulado que recuperávamos antes estão indo para o lixo, e, com isso, estamos perdendo esse material”, declara.

O futuro do mercado e de toda a economia, em sua visão, vai depender da normalização da pandemia no país. “Vamos torcer para a normalização em todos os níveis, tudo está precisando voltar pelo menos ao ‘normal’ anterior, que já não era bom, mas pelos menos, temos uma perspectiva, conseguimos planejar melhor as atividades”, conclui.

Assista na íntegra o Talk Tissue com Pedro Vilas Boas, presidente da ANAP:

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