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Os destinos da madeira plantada no Brasil

Quando falamos em mercado florestal, logo nos vem à mente a produção de papel e celulose. Porém, o setor é muito mais amplo e apresenta diversos outros destinos para a madeira plantada e colhida em território nacional.

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O Brasil possui atualmente 6,5 milhões de hectares em florestas plantadas, aquelas que geram renda para o produtor, em sua maioria compostas por eucalipto e pinus. Por terem crédito positivo quando o assunto é o controle da emissão de carbono, o Ministério da Agricultura pretende aumentar esse número para 9 milhões de hectares até 2020.

Segundo dados referentes a 2011 da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), o setor de papel e celulose recebe 36% da produção madeireira nacional, enquanto 15% vão para madeira serrada, 11% para siderurgia e carvão vegetal, 12% para painéis e compensados, e 26% para lenhas e outras aplicações.

O mercado de papel e celulose é o mais estruturado do setor, composto por grandes empresas que, na maioria dos casos, possuem condições de fazer a chamada colheita mecanizada, com a utilização de grandes e sofisticadas máquinas. Mas, mesmo com toda a tecnologia disponível, as motosserras se destacam na colheita, especialmente em áreas montanhosas, em propriedades pequenas e em terrenos acidentados, onde as grandes máquinas não entram.

Outros produtos também podem ser utilizados como apoio à colheita mecanizada. As colheitadeiras fellerbuncher são muito comuns, mas elas não removem galhos e folhas, apenas derrubam e agrupam as árvores para posterior arraste. Ou seja, o uso do podador de galhos se faz necessário para reduzir o volume de resíduos arrastados à área de processamento. Ele é ideal para eliminar ponteiras, galhos e folhas, que ficam no campo e transformam-se em matéria orgânica. Outro equipamento que vem sendo largamente utilizado após a colheita das árvores é a Roçadeira 345 FR. Ideal para substituir a machadinha na condução de brotação das plantações de eucalipto.

Diferentemente do setor de papel e celulose, há muitos segmentos do mercado florestal que estão pulverizados e não permitem mensuração. São aqueles que entram nas estatísticas como “lenhas e outros”, mas que não podem ser deixados de lado por receberem 26% de toda a madeira produzida no país. Neste grupo, temos exemplos como a secagem de grãos de soja,a produção em olarias e a energia.

A produção de grãos é um dos grandes pilares da nossa economia e para serem armazenados e transportados, esses grãos precisam ser secos. O combustível utilizado nessa secagem é, justamente, o eucalipto ou o pinus que vem das reflorestadoras, seja o processo realizado pelos próprios produtores ou pelos armazéns especializados. Por serem áreas pequenas e pulverizadas, a madeira destinada à secagem geralmente é colhida com motosserra.

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Também na fabricação de telhas e tijolos, não existe estrutura suficiente para a extração de madeira com grandes máquinas. São inúmeras olarias espalhadas pelo país que precisam de madeira para a produção e usam motosserras para o corte, sobretudo, de eucalipto. O consumo de madeira para este fim no estado de São Paulo, por exemplo, envolve milhares de hectares, mas são áreas pulverizadas. Existem muitas empresas de pequeno porte que usam sítios e arrendamentos para plantar florestas e fornecer lenha para as olarias.

Outro destino da madeira em solo nacional é o setor de energia, que a utiliza para gerar calor em usinas e também para usos mais cotidianos, como o aquecimento em lareiras, especialmente na região Sul, e o popular churrasco.

Por fim, temos a siderurgia, muito forte especialmente nos estados de Minas Gerais, Pará e Maranhão, e que consome 11% de toda a madeira produzida no país, segundo dados referentes a 2011 da Abraf. O carvão vegetal oriundo das florestas plantadas é parte fundamental na produção de aço e ferro gusa, consumidos internamente e também muito exportados. Neste mercado, existem siderúrgicas grandes, de médio e pequeno porte, em que o manejo das florestas plantadas pode utilizar motosserras e roçadeiras na condução de brotação.

Como vemos, as oportunidades são muitas, para quem planta, quem colhe e para quem vende equipamentos para o manejo das florestas. Nunca nos esquecendo da importância da responsabilidade e do respeito às normas ambientais que a atividade exige. Só assim continuaremos crescendo e sendo referência mundial em produtividade e manejo de florestas plantadas.

(Daniel Keim, engenheiro florestal, supervisor de vendas da Husqvarna no Mato Grosso do Sul)

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