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Novos projetos de celulose representam investimento de mais de US$ 18 bilhões

Pouco mais de US$ 10 bilhões serão aplicados no Brasil. Investimentos consolidam a região como principal polo produtor da fibra no mundo

Com a entrada do Paraguai na fila de projetos de celulose, o número de fábricas que já estão em construção ou podem ser instaladas nos próximos anos apenas na América do Sul subiu para oito. Considerando o câmbio atual, os investimentos são superiores a US$ 18 bilhões, sendo que pouco mais de US$ 10 bilhões ocorrerão no Brasil, e consolidam a região como o principal polo produtor da fibra no mundo. Com isso, investidores e fabricantes iniciaram a corrida por vagas a partir do fim de 2022, incentivados pela percepção de que a fila precisará ser reorganizada para evitar uma sobreoferta ou pressão prolongada sobre os preços.

A partir de 2021 em diante, levando-se em conta apenas os projetos sul-americanos, a adição de capacidade em celulose de eucalipto (fibra curta) e solúvel pode atingir 14,8 milhões de toneladas, o que corresponde a 1,3 vez o tamanho atual da Suzano, que é, disparada, a maior produtora mundial da fibra de eucalipto. Com exceção dos projetos de celulose solúvel, da LD Celulose e da Bracell, que terá uma linha “flex” no interior de São Paulo, a capacidade adicional chegaria a 11,5 milhões de toneladas anuais, praticamente uma Suzano e equivalente a um terço do consumo anual de celulose de fibra curta hoje.

Além de impactar a oferta, a tendência é que os novos projetos achatem a curva de preços da fibra, visto que os custos de produção serão cada vez mais competitivos. “O crescimento da capacidade de baixo custo continua sendo um dos fatores mais importantes para redução dos preços no longo prazo, ao achatar a curva do custo caixa de produção e reduzir o suporte do custo marginal”, avaliam os analistas Cadu Schmidt, Andreas Bokkenheuser, Mikael Doepel, Wenzhuo Du, Cleve Rueckert e Khalid McCaskill, do UBS, em relatório sobre o pipeline de projetos.

Na China, o principal mercado no mundo, o preço da fibra curta se manteve abaixo ou no mesmo nível do custo marginal da indústria, estimado entre US$ 450 e US$ 500 a tonelada, ao longo de mais de um ano e, apenas recentemente, começou a reagir. Para o vice-presidente da empresa finlandesa de engenharia, serviços e consultoria Pöyry, Carlos Alberto Farinha e Silva, pode haver uma recuperação na fibra curta, porém, a segunda onda de Covid-19 é um fator de risco. Em 2020, espera-se que a demanda incremental de celulose no mundo esteja abaixo da marca média de 1,5 milhão de toneladas vista nos últimos anos em virtude da pandemia, acrescentou o executivo.

Dentre aquelas que buscam uma janela a partir de 2023, estão a própria Suzano, que ainda se concentra na redução do endividamento após a fusão com a Fibria, e a Eldorado, que depende do resultado da arbitragem entre as sócias J&F Investimentos e Paper Excellence (PE) para, enfim, concretizar os planos de expansão em Três Lagoas (MS).

No Paraguai, a Paracel, que estreia no setor, já está se movimentando para dar início à operação de uma fábrica na cidade de Concepción, no final de 2022 ou começo de 2023. A empresa, que possui como sócios o grupo paraguaio Zapag, atuante na distribuição de combustíveis, e a sueca Girindus Investments, está estruturando bases em Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS), a fim de garantir o suprimento de madeira. A também estreante Euca Energy, do empresário Gilberto Goellner, deseja iniciar as operações em Alto Araguaia (MT) no fim de 2023 caso haja um acordo com potenciais investidores. Fontes do setor indicam que os dois projetos não têm madeira suficiente para garantir a operação e devem, pelo menos, atrasar.

 

Juntos, os empreendimentos acrescentarão 8,1 milhões de toneladas anuais de capacidade nominal à indústria de celulose de eucalipto. “Haverá disciplina nisso. A expectativa é que haja algum ajuste no calendário e a competitividade também vai definir os projetos”, comenta Farinha, da Pöyry.

A Suzano detém o projeto mais competitivo do portfólio atual, graças, principalmente, à curta distância entre fábrica e floresta, que é de menos de 60 quilômetros. Para o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, a unidade de Ribas do Rio Pardo (MS) teria o mais baixo custo caixa da empresa e seria mais eficiente que suas 12 atuais linhas de produção. “A Suzano só vai anunciar o projeto se conseguir colocar em pé uma estrutura financeira com desembolsos alongados e que não coloque em risco as notas de crédito”, explica o analista.

Com um investimento previsto em US$ 3,2 bilhões, a unidade poderia gerar resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) adicional de R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões por ano à companhia, conforme os cálculos do Itaú BBA. O banco acredita que a redução da alavancagem financeira da Suzano, que estava em 4,4 vezes em setembro, deve se acelerar no ano que vem, impulsionada pelas cotações melhores da celulose e do impacto mais suave do resultado com derivativos.

Antes da brasileira, a Arauco deverá iniciar as operações de seu projeto de expansão Mapa, no Chile, no quarto trimestre do ano que vem, antecipando a estimativa inicial que previa o início da operação para o segundo trimestre. A Bracell, do grupo Royal Golden Eagle (RGE), de Cingapura, deve dar a partida no projeto de expansão da antiga Lwarcel no mesmo período e, nos primeiros meses de atividade, a produção vai oscilar entre kraft (de eucalipto) e celulose solúvel.

Já no primeiro trimestre de 2022, a LD Celulose, joint venture entre a austríaca Lenzing e a Duratex, dará início à fabricação de 500 mil toneladas anuais de celulose solúvel em Minas Gerais. Toda a produção será vendida à própria Lenzing e utilizada na fabricação de viscose. No final do mesmo ano, a finlandesa UPM começará a operação de uma nova fábrica no Uruguai, com investimento de US$ 2,7 bilhões.

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