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Celulose Notícias

Mercado de celulose busca consolidação

O movimento de consolidação no mercado brasileiro de celulose é um caminho sem volta e deverá acontecer em um futuro não muito distante, segundo empresários, analistas e executivos.

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A indústria brasileira de celulose passa por um momento de mudanças rumo à consolidação. O mercado olha com especial atenção para o destino da Eldorado Celulose, controlada pela holding J&F – dona da Friboi e da Seara -, como um possível alvo nesse processo. Fontes de mercado afirmam que tanto Fibria quanto Suzano chegaram a olhar esse ativo, mas as negociações não foram adiante. A Fibria é apontada como “compradora natural” por ter uma unidade em Três Lagoas (MS), onde também está localizada a Eldorado. A Suzano diz que não há planos imediatos para participar de movimento de consolidação no Brasil. A Fibria não se manifestou sobre o assunto.

No entanto, o presidente da Eldorado Celulose, José Carlos Grubisich, diz que nunca houve qualquer conversa para fusão. O executivo mantém o discurso de que a companhia tem como projeto mais do que dobrar sua capacidade produtiva, atualmente em 1,7 milhão de toneladas por ano. O executivo calcula os custos da nova unidade em R$ 10 bilhões e reforça a projeção de colocá-la em operação em 2018. Para isso, Grubisich admite que terá de correr contra o tempo: para cumprir o prazo, precisará estar com a estrutura de financiamento pronta antes do fim de 2015.

Na atual estrutura societária da Eldorado, a J&F tem 80% do capital. Os dois fundos de pensão (Funcef, da Caixa, e Petros, da Petrobras) somam cerca de 18%, e o restante – pouco menos de 2% – pertence a Grubisich. Fontes de mercado afirmam que os fundos de pensão não estão dispostos a colocar mais capital na Eldorado. No ano passado, até setembro, a holding J&F teve de injetar R$ 1,1 bilhão de capital na companhia. A empresa diz que está buscando capital privado para colocar sua segunda unidade em pé.

 De acordo com fontes, uma consolidação envolvendo a Eldorado poderá penalizar futuros parceiros, uma vez que a companhia está altamente endividada. A expansão do mercado de celulose, para outra fonte do setor, é uma questão de confiança na viabilidade dos projetos. “Dinheiro no mercado com certeza há. É só uma questão de as empresas conseguirem apresentar as garantias aos bancos. A Eldorado, sozinha, não tem como fazer isso. Mas a J&F tem.”

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), de tanto colocar dinheiro no setor, virou sócio importante tanto da Fibria quanto da Suzano. No entanto, não há no momento disposição do governo em financiar “campeãs nacionais”.

Também existem no País dois projetos em fase inicial – um do grupo Zogbi e outro do empresário Mário Celso Lopes -, que engrossariam a lista de concorrentes no setor. No entanto, o mercado duvida que esses negócios tenham capacidade de atrair investimentos para deslancharem tão cedo.

A consolidação, embora esperada, tem obstáculos para sair do papel. “Não vejo como algo líquido e certo. É mais uma vontade. O setor é muito pulverizado e as empresas têm estruturas de capital muito diferentes”, afirma Renato Antunes, analista do Banco Plural.

Chilena CMPC e Klabin vão inaugurar novas fábricas no País até 2016

Até pouco tempo atrás, novos projetos de produção de celulose eram vistos como uma ameaça. A conta era simples: oferta maior que demanda derrubaria os preços da commodity. Hoje, o setor encara com certa tranquilidade a entrada em operação de duas novas fábricas. Isso porque, segundo dados de mercado, a demanda global pela celulose produzida no País tem crescido cerca de 5% ao ano.

Em maio, entra em operação a expansão da Celulose Riograndense, em Guaíba, com capacidade extra de 1,3 milhão de toneladas, fruto de investimentos de R$ 5 bilhões. A unidade pertencia à Fibria e foi adquirida pela chilena CMPC em 2012.

Embora a fábrica gaúcha seja o único ativo da CMPC no Brasil, o presidente da filial brasileira, Walter Lidio Nunes, lembra que o grupo tem tradição em celulose no Chile, onde tem quatro unidades. “Provavelmente a nova capacidade deverá atender clientes das fábricas do Chile”, explica.

A expansão da Celulose Riograndense deverá ser a única adição ao parque fabril de celulose global em 2015 e não deve ter grande efeito nos preços da commodity, segundo Carlos Farinha, vice-presidente da Pöyry do Brasil, empresa que acompanha o setor. “O mercado vai absorver isso.”

Já a papeleira Klabin deverá inaugurar no início de 2016 sua primeira fábrica de celulose. O investimento será de R$ 5,8 bilhões na parte industrial. A unidade ficará em Ortigueira (PR) e terá capacidade de 1,5 milhão de toneladas por ano, dos quais 1,1 milhão de celulose de fibra curta (eucalipto) e 400 mil toneladas de fibra longa (pínus), parte convertida em “fluff” (para produção de fraldas e absorventes). O mercado não vê a Klabin como ameaça, pois a empresa usará parte da produção para consumo próprio.

Eucalipto transgênico pode sair ainda este ano

A Suzano pode obter aprovação nos próximos meses para o plantio comercial de eucaliptos transgênicos no Brasil. O processo de análise está quase na reta final. Se aprovado, colocará o Brasil na vanguarda desse segmento no mundo.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) informou que o processo da Suzano foi debatido na última reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), vinculada ao Ministério de Ciência de Ciência, Tecnologia e Inovação, no fim do ano passado. Agora, será discutido novamente na próxima reunião das subcomissões vegetal e ambiental, antes de ir à reunião plenária, que vai deliberar a aprovação ou não do plantio.

O presidente da companhia, Walter Schalka, acredita que a decisão plenária deve ocorrer ainda neste primeiro trimestre. A Futura Gene, empresa 100% controlada pela Suzano, com unidades em Itapetininga (SP), na China e em Israel, fez testes que comprovaram que o eucalipto transgênico oferece um ganho de 20% na produtividade florestal. “Com a liberação, podemos optar pela redução de ciclo do eucalipto, de sete para cinco anos e meio, uma vez que as árvores crescem mais rápido, ou colher em sete anos, com uma redução da área plantada de florestas”, disse Schalka. A diminuição da área florestal, segundo o executivo da Suzano, é uma tendência mundial para cortar custos entre as empresas do setor.

Suzano arruma a casa e investe para ampliar foco na consolidação

Enquanto boa parte da indústria terá um ano extremamente desafiador, a expectativa das fabricantes de celulose é outra. Altamente exportador, o setor é beneficiado pela alta do dólar. De quebra, os preços do produto têm se mostrado resilientes ao derretimento das commodities, que corroeu a cotação do petróleo e do minério de ferro. Nesse cenário, a Suzano, vice-líder do setor no País, atrás da Fibria, deverá começar a colher os frutos de uma intensa reestruturação empreendida nos últimos dois anos. É esse trabalho, feito aos poucos, que permitirá que a empresa tenha um papel importante na esperada consolidação do setor no País.

Velho conhecido da indústria, com uma longa passagem pela Votorantim Cimentos, o executivo Walter Schalka chegou a Suzano no início de 2013 sabendo que a mudança teria de ser profunda. “A companhia tinha uma filosofia muito voltada ao crescimento”, disse ele. “Diminuímos o ritmo e suspendemos dois projetos (um de celulose, no Piauí, e outro de energia renovável) para focar na redução da dívida e de custos. Percebi um potencial de extração de valor na base de ativos que já tínhamos.”

Houve avanços, mas Schalka sabe que a tarefa não está completa. O foco da empresa ainda está concentrado na redução da alta dívida, que chegou à marca de 5,2 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em dezembro de 2013. Agora, a relação foi reduzida para 4,5 vezes, mas as obrigações ainda são altas e somavam R$ 9,7 bilhões no terceiro trimestre de 2014. A meta da Suzano é alcançar um múltiplo de 2,5 a 3 vezes o Ebitda entre o fim de 2015 e o início do ano que vem. Só assim, segundo Schalka, que a empresa terá chance de chegar como mandante à onda de fusões e aquisições projetada para o setor – e não como negócio a ser comprado.

Ao se esforçar para reduzir o endividamento, a Suzano trilha o caminho que a Fibria – resultado da união entre VCP e Aracruz – percorreu por mais de quatro anos. A líder do setor reduziu o peso de sua dívida a tal ponto que reconquistou, em 2014, o grau de investimento das agências de risco de crédito.
No entanto, o trabalho da Suzano, ao contrário do que ocorreu na Fibria, também exigiu muitos ajustes industriais. “A Suzano tinha deficiências industriais, enquanto o problema da Fibria, que é referência mundial em produção de celulose, sempre foi mais financeiro”, diz o analista Renato Antunes, do Banco Plural.

Schalka admite que a reestruturação financeira foi combinada com fortes mudanças operacionais. A primeira delas foi trazer o manejo florestal para dentro da empresa – antes, parte do trabalho era terceirizada. A meta, ainda não totalmente cumprida, é colher toda a madeira a no máximo cem quilômetros de distância das fábricas.

Outra mudança foi a compra de equipamentos modernos para as unidades antigas. Além disso, os gerentes industriais ganharam mais autonomia para desenvolver pequenos projetos de eficiência. Se a ideia custar menos de R$ 3 milhões, a execução não precisa passar pelo conselho e esperar meses para ser aprovada.

Ao buscar eficiências internas, afirma o presidente da Suzano, o custo de produção por tonelada de celulose caiu 12% em dois anos, passando de US$ 580,00 para US$ 502,00. À medida que a operação da empresa fica mais “azeitada”, o volume de investimentos para manutenção da operação também tende a cair. Neste ano, ficará em R$ 1,5 bilhão, queda de 14% sobre 2014.

Com capacidade de produzir 4,7 milhões de toneladas de papel e celulose, a companhia planeja, em 2015, terminar de “digerir” o investimento de US$ 3 bilhões na unidade de Imperatriz (MA), inaugurada em dezembro de 2013 e que elevou em 40% da produção de celulose da Suzano. É por essa razão que, por enquanto, outros projetos de expansão devem ficar na gaveta.

A ideia de erguer uma outra fábrica de celulose no Piauí, que a antiga gestão queria ver pronta ainda em 2014, não tem mais data para sair do papel. Fontes de mercado duvidam da viabilidade do projeto, no qual a empresa já investiu R$ 500 milhões. Elas acreditam, no entanto, que a Suzano poderá recuperar esse valor com a venda de florestas. A proposta de produzir energia renovável usando restos de eucalipto também está em “stand-by”, de acordo com o executivo da Suzano.

A resistência em anunciar novos projetos antes da redução do endividamento mudou a visão do mercado financeiro sobre a Suzano. As ações da empresa subiram 13,67% nos últimos 12 meses, mas cerca de 80% dos analistas que acompanham o papel da empresa preveem espaço para mais ganhos.

O analista Felipe Silveira, da corretora Coinvalores, recomenda a compra de mais ações da Suzano a seus clientes e a manutenção do investimento em Fibria e Klabin, que vêm apresentando ganhos há mais tempo. A SLW concorda que a Suzano tem apresentado “resultados sólidos” e tem conseguido reduzir seu endividamento, apesar de sua alavancagem permanecer alta.

Toda essa boa vontade reflete não só fatores de mercado – como a alta de 12,8% do dólar somente em 2014 e o preço da celulose acima de US$ 700,00 -, mas principalmente o “choque de realidade” que empresa parece ter tomado, segundo Renato Antunes, do banco Brasil Plural. No passado, lembra ele, a pressa em anunciar novas fábricas se refletia em projeções de rentabilidade excessivamente otimistas.
Ao mudar radicalmente seu discurso, o analista diz que a nova gestão conseguiu ganhar algo que o mercado nem sempre está disposto a dar: o “benefício da dúvida”. Para não perder a confiança conquistada, a palavra de ordem dentro da Suzano para este ano de 2015 continua a mesma: austeridade.