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Klabin negocia fim de pagamento de royalty

Maior produtora de papéis para embalagem e de embalagens de papelão ondulado do país, a Klabin está a caminho de realizar um importante avanço de governança corporativa.

A direção da companhia está negociando com os acionistas controladores o fim do pagamento de royalties por uso da marca, com potencial de encerrar em breve um assunto que é visto com ressalva pelos investidores.

O pagamento de licença pela utilização do nome a alguns membros da família Klabin, que ficou em torno de R$ 50 milhões no ano passado, é velho conhecido do mercado e está refletido no preço das units da companhia na B3. Assim, a percepção é que uma solução tende a ser bem recebida e a melhorar a avaliação da Klabin.

Valor apurou que o tema ganhou relevância na agenda da administração nos últimos meses, em paralelo ao amadurecimento do novo ciclo de expansão da Klabin. O projeto, com investimento total que pode girar em torno de US$ 2 bilhões, deve ser levado à apreciação do conselho de administração ainda neste ano.

Conforme as demonstrações financeiras de 2017, a Klabin Irmãos & Cia., que é dona de 47,5% das ações ON da companhia, recebeu R$ 37,3 milhões a título de licença de uso de marca naquele exercício. Mais R$ 13,6 milhões foram desembolsados para a mesma finalidade, pagos a outras partes. No total, foram R$ 50,9 milhões, contra R$ 49,3 milhões em 2016.

A discussão entre os controladores, neste momento, estaria em determinar o valor que deveria ser pago pela companhia para encerrar definitivamente a questão. O analista Renato Maruichi, do Santander, calcula que o montante que integrantes da família Klabin teriam a receber gira em torno de R$ 600 milhões.

A esse valor, porém, seria aplicada uma taxa de desconto para que de fato seja reconhecido um movimento de melhoria de governança. “É preciso que seja um valor bom para a família, para a companhia e para os minoritários”, disse o analista, que acredita que o assunto pode ser resolvido ainda em 2018. A proposta terá de ser aprovada pelos acionistas em assembleia, na qual a família não pode votar por conflito de interesse.

O debate atual teria sido alimentado também pela percepção dos controladores de que o ganho com a valorização da companhia pode ser maior do que com a cobrança de royalties. E ainda pela constatação de que, em termos de governança, a Klabin acabou ficando para trás em relação a suas pares no Brasil.

Enquanto a Fibria é listada no Novo Mercado e a Suzano Papel e Celulose migrou há quase um ano para o nível mais elevado da B3 – em uma operação sem prêmio ao controlador -, a Klabin está desde 2014 no nível 2 da bolsa paulista. Está na pauta da direção atual a unificação da classe de ações, com migração para o Novo Mercado. Hoje, a empresa tem papéis ordinários e preferenciais e units, de maior liquidez, formadas por uma ON e quatro PNs. Não há prazo para esse movimento se concretizar.

Embora não seja debatido publicamente com recorrência, o pagamento de royalties aos controladores da Klabin sempre esteve no radar de analistas e investidores e uma solução ajudaria a companhia a manter múltiplos de avaliação elevados, conforme Maruichi. Neste momento, comentou o analista, a companhia está atuando em duas frentes que podem gerar esse resultado: um projeto de crescimento que traz retorno ao acionista e a melhoria da governança.

Procurada, a Klabin não comentou o assunto.

Há mais de dez anos, uma decisão a favor do recebimento de royalties pelos controladores casou indisposição entre a família Gerdau e acionistas do grupo siderúrgico que leva seu nome. O pagamento de 0,6% da receita líquida à holding da família, que tinha a titularidade da marca, foi aprovado em 11 de abril e caiu por terra menos de um mês depois, após forte reação contrária de investidores. Além de cancelar o pagamento, os controladores transferiram à Gerdau S.A. a propriedade dos registros da marca.

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