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Klabin investirá R$ 2 bi em ciclo de expansão em 2019

Em 2019, a Klabin deverá destinar cerca de R$ 2 bilhões para seu novo ciclo de crescimento, que consumirá um total de R$ 9,1 bilhões em investimentos até 2023.

Os desembolsos para o projeto Puma 2, aprovado pelo conselho de administração em abril, começam neste mês. Com a expansão, a companhia adicionará pelo menos 920 mil toneladas por ano de papéis kraftliner a sua capacidade, integradas à produção de celulose.

Para o diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira, o desempenho alcançado no primeiro trimestre demonstra que a companhia está em rota segura e sustentável de resultados financeiros, “estabelecendo as bases necessárias para mais um importante ciclo de crescimento”. A redução da alavancagem para 3 vezes, pela relação entre dívida líquida e Ebitda em 12 meses, é uma das métricas observadas pela companhia. Para analistas, embora houvesse expectativa de queda mais acelerada no intervalo, o programa recente de gestão de dívida resultou em um balanço saudável e apto ao novo ciclo.

Em teleconferência, o executivo destacou que o primeiro trimestre, em geral, evidencia a flexibilidade dos negócios da Klabin — e não foi diferente entre janeiro e março deste ano. “Empregamos mais papéis na nossa conversão e privilegiamos a rentabilidade”, disse. Por isso, embora as vendas em volume de papéis e embalagens tenham recuado no intervalo, reflexo da economia mais devagar do que o esperado, as receitas avançaram.

Ao mesmo tempo, a unidade Puma, de celulose, manteve a forte capacidade de geração de caixa, que dá fôlego para a companhia tocar em princípio apenas com recursos próprios o plano de expansão. Para o segundo trimestre, a expectativa é a de que a estabilidade política reduza as incertezas sobre a economia, o que pode trazer alguma melhora para o mercado doméstico. “Do lado de Klabin, observando que teremos a parada geral de Monte Alegre no fim de maio, o ritmo de resultado deve ser muito parecido [com o primeiro trimestre]”, acrescentou Teixeira.

Sobre a aposta em kraftliner, que está no centro do projeto de expansão em Ortigueira (PR), o executivo explicou que esse tipo de papel tem se comportado cada vez mais como uma solução amigável no processo de evolução das embalagens. “O kraftliner não só conta com crescimento vigoroso em produtos como frutas, que em grande parte ainda são transportadas a granel no Brasil, mas também no mundo todo a regulamentação fará com que o kraftliner seja o grande vencedor nessa onda de embalagens mais sustentáveis”, disse.

O fato de haver outros investimentos anunciados nesse segmento não preocupa a companhia. De acordo com o diretor comercial de papéis da Klabin, Flavio Deganutti, o crescimento estrutural do kraftliner é grande e tanto o projeto de expansão da companhia quanto os de outras fabricantes serão bem recebidos pelo mercado. “O mercado futuro é bastante pujante”, afirmou. O executivo observou ainda que poucos projetos têm as mesmas características de produto como a Klabin, como por exemplo o fato de ser 100% eucalipto.

Diante do projeto, a companhia, que se apresenta como consolidadora no mercado de embalagens de papel, busca mais do que nunca a consolidação, segundo o diretor-geral. “Com essa capacidade, a Klabin vai buscar integrar parte importante desse papel [na fabricação de embalagens]. A integração, como mostrou o resultado do primeiro trimestre, é de fato o grande mote de flexibilidade dessa companhia”, disse.

Essa busca também está alinhada à demanda das grandes marcas globais que atuam no Brasil. “A Klabin busca essa consolidação para atender melhor os grandes clientes que atuam aqui no Brasil”, disse, acrescentando que mais detalhes sobre o tema entrariam no campo da estratégia e não podem ser revelados. Questionado sobre o prazo ou momento de uma potencial consolidação, o executivo disse que não há nada em curso, neste momento, que obrigue a companhia a fazer algum comentário formal sobre o tema. “O que há é a visão de consolidação desse setor, que ainda é um dos mais fragmentados do mundo”, afirmou.

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