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Klabin eleva receita, mas câmbio provoca perdas

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A Klabin, maior fabricante brasileira de papéis para embalagens, elevou em 2% a receita líquida e em 15% o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no quarto trimestre, na comparação anual, a despeito do cenário de deterioração da economia e da queda de 7% do volume de vendas da empresa.

Controle de custos, vendas maiores de cartões e produtos convertidos (sacos industriais e de papelão ondulado) no mercado doméstico e câmbio favorável às receitas com exportação explicam esse desempenho – a venda de ativos florestais em Guarapuava (PR), que gerou ganho de R$ 27 milhões, também favoreceu o resultado operacional.

Por outro lado, a companhia teve prejuízo de R$ 127,4 milhões no trimestre, frente a lucro de R$ 7 milhões um ano antes, por causa do impacto negativo da alta de 8% do câmbio na parcela da dívida que está atrelada a moeda estrangeira. De outubro a dezembro, o resultado financeiro líquido da Klabin ficou negativo em R$ 450,89 milhões, alta de 81% na comparação anual, diante de perdas com variação cambial de R$ 358 milhões.

“A trajetória brasileira verificada nos trimestres anteriores de baixo crescimento econômico, inflação em alta e problemas fiscais manteve-se no último trimestre de 2014. Esse cenário somado ao risco iminente de racionamento de água e energia no país aumentou o pessimismo gerando desvalorização do real e queda dos índices na bolsa de valores”, destacou a companhia, em relatório.

Nesse cenário, a Klabin incrementou em 15% o Ebitda trimestral, para R$ 508 milhões – sem considerar a venda de ativos, a alta foi de 9% – e a margem Ebitda ajustada subiu cinco pontos percentuais, para 40% no quarto trimestre. Já o custo caixa unitário cresceu menos do que a inflação ao longo de 2014, diante do menor volume de compra de papel kraft para saco, a partir da instalação de uma nova máquina em Correia Pinto (SC), e da redução de despesas gerais e administrativas.

Em 2013, esse custo foi de R$ 1.718 por tonelada e subiu 5,6% em 2014, para R$ 1.815 por tonelada. Excluindo efeitos não recorrentes, ficou em R$ 1.830 por tonelada, com crescimento de 6,5%, influenciado pelo aumento dos preços de insumos, com destaque para químicos, energia e óleo combustível, além de maiores gastos com pessoal.

A companhia vendeu 443 mil toneladas de produtos no quarto trimestre, sem incluir madeira, volume 7% inferior ao verificado em igual período de 2013, como reflexo da parada para ampliação de capacidade da unidade de Angatuba (SP) e maior consumo de fibras na produção de cartões pela máquina 9, em Monte Alegre (PR). Esses eventos restringiram “o volume de produção de papéis o volume total de vendas no trimestre”.

As vendas de produtos convertidos, especialmente de papelão ondulado, e de cartões, porém, reduziram o impacto dessa parada e contribuíram para a manutenção do volume total vendido no mercado interno em 318 mil toneladas. Ao mesmo tempo, o mercado doméstico representou 75% da receita líquida consolidada trimestral, frente a 73% um ano antes.

A Klabin encerrou 2014 com investimentos de R$ 2,945 bilhões, abaixo do estimado. Em dezembro, em encontro com analistas, a direção da companhia já havia informado que a estimativa inicial, de desembolso de R$ 3,565 bilhões, não seria alcançada, e passou a trabalhar com orçamento de R$ 3,335 bilhões para o ano, valor que também não foi atingido.

A maior parte dos recursos, ou R$ 2,242 bilhões, foi direcionada para o Projeto Puma, que engloba a construção de uma fábrica de celulose no Paraná. A nova unidade terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas por ano de celulose de fibra curta (1,1 milhão de toneladas) e de fibra longa (400 mil toneladas por ano), com início de operação em 2016. Os desembolsos totais devem alcançar R$ 7,2 bilhões, dos quais R$ 5,8 bilhões na área industrial.

Ao fim de dezembro, a dívida líquida da empresa era de R$ 5,242 bilhões, perto de 3 vezes o Ebitda.

Valor Economico