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Kimberly-Clark quer as mulheres no topo

Nada menos que 83% dos clientes da Kimberly-Clark Corp., fabricante das fraldas Huggies e dos produtos femininos Kotex, são do sexo feminino.

Mas há alguns anos, durante um esforço para aumentar vendas e lucros através de produtos inovadores, os chefes perceberam que a liderança da empresa não refletia essa base.

Até mesmo os membros do conselho se perguntaram onde estavam as mulheres, levantando a questão numa reunião executiva em 2009.

Se eles queriam criar melhores produtos para clientes do sexo feminino, concluíram os executivos, teriam que transformar a empresa no tipo que impulsiona as mulheres a posições mais elevadas, em vez de deixar suas carreiras estagnarem.

A Kimberly-Clark contratou uma consultoria de administração para ajudá-la a descobrir como fazer isso em escala global. Cinco anos depois, a empresa tem um relato de primeira mão sobre os benefícios e as dificuldades de encarar um dos desafios mais relevantes nas contratações de alto escalão atualmente.

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Os líderes da iniciativa logo descobriram que as mulheres da empresa achavam que promoções significavam menos tempo com suas famílias e receavam que horários flexíveis comprometeriam suas perspectivas de carreira, diz Sue Sears, vice-presidente da Kimberly-Clark para diversidade e inclusão global.

Quando surgiam vagas na cúpula, algumas mulheres de alto desempenho não levantavam a mão. Elas ficavam preocupadas com longas jornadas de trabalho e viagens constantes, diz Sears. Em suma, “elas acreditavam que teriam que colocar suas famílias em segundo plano” para serem bem-sucedidas.

As soluções foram criadas de acordo com deficiências específicas. No Oriente Médio, a Kimberly-Clark está reformando sua política de licença maternidade, que era mais restrita que a dos concorrentes.

Na China, a empresa mudou o início do expediente para que as mães que trabalham pudessem evitar o trânsito da hora do rush, dizem os gerentes. Esse ajuste teve um efeito positivo sobre as taxas de retenção de talentos.

Pesquisadores concluíram que horários de trabalho flexível são fundamentais tanto para manter as mulheres na força de trabalho quanto para ajudar a diminuir a diferença salarial entre homens e mulheres, mas essas políticas não são uma solução perfeita. As mulheres que optam por um horário flexível ainda correm o risco de serem marginalizadas ou acabar em posições com menos oportunidades de crescimento, mostram alguns estudos. Os países com leis mais generosas para famílias frequentemente contam com maiores taxas de participação feminina na força de trabalho, mas as mulheres têm uma probabilidade maior de ocuparem posições de nível inferior do que cargos de supervisão, como comprovaram alguns estudos.

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A questão divide as firmas americanas. Pouco depois de assumir a direção do Yahoo Inc., YHOO +2.25% Marissa Mayer ordenou que funcionários que trabalhavam em casa passassem a ir ao escritório. A rede de eletrônicos Best Buy BBY +0.66% logo fez o mesmo.

Nos Estados Unidos, os funcionários da Kimberly-Clark há muito têm a opção de entrar num programa de horário de trabalho flexível. Ele permite que os empregados entrem em acordo com seus gerentes para trabalhar apenas quatro dias por semana ou trabalhar mais frequentemente em casa.

Historicamente, no entanto, quem entrava no programa sofria preconceito.

“Era uma espécie de clube secreto”, diz Sears, que participou do programa durante nove anos, quando seus filhos eram pequenos. “Você não era visto como alguém que estava levando sua carreira verdadeiramente a sério.” Nos últimos anos, a empresa tem tentado divulgar melhor o programa e eliminar esse estigma. Vários vice-presidentes passaram pelo programa, diz um porta-voz, o que é um sinal importante para funcionários de nível mais baixo.

Sistemas flexíveis de trabalho são apenas um elemento da abordagem da Kimberly-Clark, que também inclui programas de patrocínio e promoção de melhores talentos com base no potencial, em vez de só na experiência. Em 2013, mulheres ocupavam 26% das vagas no nível de diretor ou acima, um avanço ante os 19% de 2009. A representação feminina no conselho de administração também aumentou.

Sears aponta para a cotação das ações da empresa como um indicador de que a abordagem é bem sucedida. No fim de 2009, a ação estava cotada em US$ 63,71. Até o fim de 2013, ela havia subido para US$ 104,46.

E este ano, a Kimberly-Clark recebeu o principal prêmio da Catalyst Inc. por promover o progresso das mulheres no local de trabalho.

online.wsj.com