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Grupo Lwart espera crescer 4% em 2015

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O grupo Lwart, com sede em Lençóis Paulista (SP) e atuação nas áreas de celulose e rerrefino de óleo lubrificante usado, prevê crescimento de 4% no faturamento consolidado no próximo ano, para R$ 830 milhões, impulsionado sobretudo pelo negócio de fibra de eucalipto. Em 2014, diante da venda da Lwart Química, fabricante de impermeabilizantes para construção civil, para a suíça Sika, as receitas do grupo devem ficar em R$ 800 milhões, abaixo dos R$ 875 milhões do ano passado.

“Se considerarmos somente os negócios de celulose e rerrefino, haveria alta de 8%, de R$ 740 milhões em 2013 para R$ 800 milhões neste ano”, disse ao jornal Valor Econômico, o presidente do grupo, Carlos Renato Trecenti. A venda da Lwart Química, que era o menor dos três negócios controlados pela família Trecenti, e a transição da operação para a multinacional suíça Sika, conforme o presidente, correram dentro do esperado. O valor da transação, porém, não foi revelado. “O grupo já havia indicado que se concentraria nos dois negócios principais”, lembrou.

O próximo passo do Lwart deve ser a expansão da Lwarcel, hoje com capacidade de produção de 250 mil toneladas de celulose de eucalipto. Em 2018, a ideia é inaugurar uma nova linha, de 750 mil toneladas, elevando a 1 milhão de toneladas por ano a produção na fábrica de Lençóis Paulista. Os investimentos estão estimados em R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões, entre projeto industrial e conclusão do plantio de florestas para abastecimento da nova capacidade.

O projeto financeiro deve ser concluído em 2015. “Um IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações) está descartado para esse momento. Uma colocação privada, com a entrada de um novo sócio, faria mais sentido”, afirmou o empresário. Além disso, o grupo deverá recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a agências de crédito à exportação dos países de origem dos equipamentos, as chamadas ECAs, que são fontes tradicionais de financiamento de projetos de celulose e papel no país.

Em 2014, conforme Trecenti, a Lwarcel produziu 253 mil toneladas, acima da capacidade nominal, e comercializou três quartos desse volume no mercado interno – o um quarto remanescente foi exportado. O volume de vendas, combinado à venda de energia excedente, contribuiu para a melhora das receitas, que subiram 2% no ano, para R$ 450 milhões.

“Esperávamos que esse fosse um ano de excesso de oferta por conta do início de operação da nova fábrica da Suzano [no Maranhão]. Os preços ficaram em níveis baixos a maior parte do ano, mas houve recuperação a partir de setembro, também no câmbio”, contou. Hoje a fábrica produz excedente de energia de 10 MW, dos quais 5 MW vendidos para a Sika e a diferença, no mercado. Conforme Trecenti, o grupo manterá para o ano que vem a estratégia de venda de energia, que foi beneficiada em 2014 pelos preços elevados da energia elétrica no país.

Já o negócio de rerrefino de óleo lubrificante, a Lwart Lubrificantes, passou por uma importante mudança de perfil de produção e tornou-se a única empresa, na América Latina, a produzir óleo mineral básico do grupo II, que tem menor nível de enxofre que o grupo I e maior teor de moléculas saturadas, que conferem maior estabilidade. “Passamos do Kart para a Fórmula 1”, brincou Trecenti.

Diante disso, em 2014, o faturamento da operação deve ter crescido 17%, para R$ 350 milhões e, para o próximo ano, a tendência é que o grupo trabalhe apenas com o grupo II. Neste momento, o Lwart mantém suspensa a produção na unidade fabril de Feira de Santana (BA), em razão de gargalos na coleta de óleo lubrificante usado, que era voltada à produção do grupo I – a outra fábrica, com capacidade de produção de 200 mil metros cúbicos por ano, fica também em Lençóis Paulista.

“Apesar dos gargalos e da retração do mercado, conseguimos ampliar em 12% a coleta em 2014”, contou o empresário. Para o ano que vem, a previsão é de crescimento de 6% na coleta, diante da perspectiva de fraca expansão para o mercado de lubrificantes.

Valor Econômico