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Fibria leva projeto de R$ 8 bi ao conselho de administração

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A Fibria, maior produtora do mundo de celulose de eucalipto, já encaminhou para apreciação do conselho de administração o projeto que vai mais que dobrar o tamanho da fábrica de Três Lagoas (MS), apurou o site Valor Econômico. Depois de meses de expectativa no mercado – a previsão inicial era de envio em junho -, o projeto de US$ 2,5 bilhões (R$ 8 bilhões considerando-se um câmbio de R$ 3,20) está nas mãos dos conselheiros e depende de seu aval para sair do papel.

A iniciativa da direção da Fibria vem em um momento em que tanto a companhia quanto a Eldorado Brasil, controlada pela J&F, dona da JBS, trabalham a pleno vapor para concluir a estrutura financeira da expansão de suas unidades em Três Lagoas. Juntos, os projetos de crescimento adicionarão 4 milhões de toneladas por ano da matéria-prima em um mercado que cresce, anualmente, algo em torno de 1,5 milhão de toneladas.

Procurada, a Fibria não comentou o assunto. Há pouco mais de um mês, porém, o presidente da companhia, Marcelo Castelli, reiterou que pretendia levar o projeto para análise do conselho até o fim do primeiro trimestre, o que permitiria o início de operação da nova linha na segunda metade de 2017. A afirmativa foi feita em reunião do executivo com o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB).

A Fibria pretende instalar a segunda linha de produção na unidade sul-mato-grossense, elevando de 1,3 milhão de toneladas por ano para 3,05 milhões de toneladas por ano a capacidade instalada da fábrica. A linha dois, segundo a empresa, será mais competitiva do que a original, que já corresponde ao menor custo caixa de produção (que mede o desembolso efetivo do produtor) de celulose da Fibria.

Fontes ouvidas pelo Valor confirmaram que a companhia tem se movimentando bastante junto a fornecedores de equipamentos.

No front financeiro, porém, ainda não há informações públicas sobre como será financiado o projeto, que corresponde à primeira expansão da Fibria desde sua constituição, a partir da união dos ativos da Votorantim Celulose e Papel (VCP) e da Aracruz, em 2009. De lá para cá, a companhia esteve focada na redução do endividamento, reconquista do grau de investimento (o que já ocorreu) e desalavancagem financeira – ao fim de 2014, a dívida líquida da companhia correspondia a 2,7 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) em real.

A Eldorado também quer mais que dobrar a capacidade de produção em Três Lagoas a partir de 2018 – inicialmente, porém, a previsão era de início de operação em 2017. O projeto engloba a implantação de uma linha de 2,3 milhões de toneladas por ano, que se somará à unidade atual de 1,7 milhão de toneladas anuais.

A direção da companhia indicou que pretende concluir no segundo semestre as negociações com fornecedores, bem como o projeto financeiro. A controladora J&F contratou o Credit Suisse para levantar recursos para esse projeto, e outros do grupo, e o valor da expansão em celulose, inicialmente estimado em R$ 8 bilhões, subiu a cerca de R$ 11 bilhões porque, entre outros fatores, o tamanho da nova linha foi ampliado.

Uma das alternativas é trazer um novo sócio para a Eldorado e o Credit Suisse está tentando levantar até US$ 5 bilhões para a J&F, com fundos soberanos árabes e asiáticos, que serão destinados à capitalização da empresa, “abertura de uma rede de varejo de carnes e novas aquisições”.

A companhia já pediu R$ 1,4 bilhão ao Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) com vistas a financiar o projeto e tem sido pró-ativa em Brasília em busca de financiamento com recursos públicos, incluindo uma potencial nova captação com o fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Em 2012, a Eldorado levantou R$ 940 milhões com o FI-FGTS por meio de uma emissão de debêntures. Procurada, a empresa não se pronunciou sobre o assunto.

A corrida de Fibria e Eldorado tem ao menos duas justificativas: de um lado, haverá uma janela no mercado global de celulose, entre o fim de 2017 e início de 2018, propícia à entrada em operação de nova linha de produção; de outro, diante do tamanho dos investimentos – R$ 11 bilhões da Eldorado e US$ 2,5 bilhões da Fibria -, é provável que as companhias tenham de disputar recursos junto às fontes tradicionais de financiamento. Historicamente, o BNDES tem participação relevante no financiamento do setor.

Entre especialistas, a percepção é que há espaço para uma nova fábrica entre 2017 e 2018, o que jogaria alguma pressão sobre os preços da fibra por causa do porte dos projetos. Já a entrada de duas novas unidades, em curto período de tempo, amplificaria a pressão e poderia comprometer a taxa de retorno esperada. “No entanto, você pode perder em preço, mas compensar isso com ganho de escala e diluição de custos”, afirmou uma fonte.

Valor Econômico