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Celulose Notícias

Fibria define plano para ir além da celulose

Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria segue firme em sua estratégia de diversificação e prevê que, em dez anos, 20% da receita será proveniente de outros produtos florestais que não a matéria-prima.

Num futuro próximo, a companhia de R$ 7,1 bilhões em receita líquida em 2014 deve entrar no mercado das biorrefinarias, por meio da já anunciada parceria com Ensyn Corporation, dona de uma tecnologia de produção de óleo combustível a partir de biomassa. E, em cinco anos, é possível que a companhia já tenha desenvolvido outros produtos derivados de suas florestas.

fibria

“O projeto de bio-óleo ainda depende de aprovação do conselho e deve estar pronto no médio prazo”, contou ao site Valor Econômico, o diretor de Tecnologia e Inovação da Fibria, Fernando Bertolucci. Engenheiro agrônomo e funcionário da empresa desde 1991, na antiga Aracruz Celulose, Bertolucci estava à frente da gerência-geral de inovação da companhia, área que no fim do ano passado ganhou o status de diretoria e tem papel fundamental na estratégia de diversificação dos negócios.

Conforme o executivo, que passou a responder diretamente ao presidente da companhia, Marcelo Castelli, a transformação da área de inovação e tecnologia foi discutida nos últimos três anos, depois da constituição de um Comitê de Inovação vinculado ao conselho de administração. “Com isso, a área passa a ter uma maior participação na estratégia da empresa, com o objetivo de incrementar a competitividade na celulose e abrir oportunidades de entrada em outros mercados”, afirmou. A nova diretoria da Fibria conta com cerca de 40 cientistas, todos com mestrado e 60% dos quais com doutorado ou título de PhD.

Três pilares, de acordo com Bertolucci, suportam a inovação na companhia. O primeiro é o de sustentabilidade, ou produzir mais com menos por meio da combinação de melhoramento genético e manejo florestal. O segundo é o da diferenciação, cujo objetivo é “quebrar o tabu da commodity”. “O objetivo é desenvolver produtos específicos para cada cliente. A celulose deve ser cada vez mais customizada”, explicou. E o terceiro é o da própria diversificação, cujo projeto mais avançado é o de biorrefinaria.

Neste momento, a Fibria e a Ensyn estão trabalhando no projeto de engenharia básica da usina de biocombustível que será instalada no país e na definição do modelo de negócios para a parceria anunciada em outubro de 2012. A Fibria é dona da 9% do capital da Ensyn e tem a opção de elevar essa fatia a 11,5%.

Até dezembro do ano passado, os aportes da Fibria na companhia americana já haviam alcançado US$ 30 milhões. O plano é que a usina seja instalada em Aracruz, no Espírito Santo, onde também está instalado um complexo industrial da brasileira.

Para o desenvolvimento de novos produtos obtidos a partir de biomassa – diferentes indústrias, como a aeronáutica por exemplo, poderão usar no futuro componentes produzidos com biomateriais -, a companhia está em busca de parceiros, com previsão de que os primeiros resultados saiam em cinco anos.

Para 2015, o orçamento de pesquisa e desenvolvimento para inovação radical da Fibria é de R$ 48 milhões, em linha com valor desembolsado em 2014. Esses recursos foram aplicados em projetos de pesquisa que envolvem melhoramento genético, manejo florestal e desenvolvimento de produtos e tecnologias que ajudem a empresa a entrar em novos mercados.

Na área de melhoramento genético, disse Bertolucci, o foco da Fibria está no processo clássico, a despeito dos avanços nos debates e pesquisas em torno do eucalipto geneticamente modificado. “A biotecnologia, de maneira geral, vai complementar o que já fazemos e ainda estamos avaliando o [eucalipto] geneticamente modificado.”

Por meio do melhoramento clássico, a companhia pretende ampliar a produtividade de suas florestas das atuais 10 toneladas de celulose (produzida) por hectare por ano para 15 toneladas da fibra por hectare ao ano até 2025. Ao fim de junho, a companhia contava com 563 mil hectares plantados no país.

Valor Econômico