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Consumo de papel higiênico na China puxa exportações brasileiras

As exportações de papel e celulose do Brasil atingiram 5,48 milhões de toneladas de janeiro a junho, alta de 7,1% na comparação mesmo período de 2014. Redução da pobreza permite mais chineses comprarem papel higiênico, toalha absorvente e guardanapo.

Enquanto boa parte da indústria brasileira chora com a recessão econômica no país, um segmento em especial está em crescimento graças a mudanças de hábitos de higiene na China. Empresas da área de celulose estão lucrando com a venda de papel higiênico, toalhas descartáveis e guardanapos de papel para Ásia, onde os consumidores chineses são o destaque.

“O mercado [de celulose] chinês cresce muito rapidamente porque a renda vem crescendo na China, e os hábitos têm se alterado”, explicou Luis Fellis, diretor comercial e de logística da empresa Eldorado, uma das mais novas companhias do setor no mercado brasileiro e com produção quase especializada no atendimento desse mercado.

Com isso, explicou, papel higiênico, toalhas descartáveis e guardanapos de papel deixaram de ser produtos exclusivos de uma minoria na China. Com a redução da pobreza, decorrente do forte crescimento econômico que atingiu uma média de 10% na última década, grande parte da população mais carente agora tem renda para adquirir esses itens. E, diante do aumento do consumo e da incapacidade da indústria local para atender à demanda dos mais de 1 bilhão de habitantes chineses, as exportações brasileiras de papel e celulose para a China deram um salto.

Reprodução globalasia.com

Dados da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), entidade que representa o setor de celulose, mostram crescimento de 3,5% da produção brasileira no primeiro semestre do ano frente a igual período em 2014, com um volume de 8,2 milhões de toneladas. Já o saldo da balança comercial do setor registrou alta de 6% na comparação com o ano passado, atingindo US$ 2,9 bilhões, favorecido também pela desvalorização do real frente ao dólar. Quanto às exportações, alcançaram 5,48 milhões de tonelada de janeiro a junho, crescimento de 7,1% na comparação com o ano passado.

“[A produção chinesa de papel] cresceu muito com o surgimento de novas fábricas de papel e com o aumento do consumo no mercado interno”, disse Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Ibá. E essas novas empresas estão buscando a celulose brasileira, uma vez que o governo chinês adotou uma linha de defesa da sustentabilidade e, empresas altamente poluentes, sem condições de se adaptar, estão sendo fechadas, de acordo com a entidade. “Isso acaba gerando demanda pela celulose brasileira, mais limpa e de boa qualidade”, afirmou Carvalhaes.

A empresas Eldorado foi inaugurada no final de 2012, e 40% de sua produção é destinada ao continente asiático. “O segmento que mais cresce é o tissue, que é justamente aquele segmento que faz papel higiênico, toalha de papel, guardanapo, toalha absorvente. É esse tipo de coisa que só vem com a renda”, disse Fellis.

Eldorado Brasil em Três Lagoas – MS

A maior parte da produção brasileira de celulose é destinada à exportação, principalmente para Europa e Estados Unidos. De acordo com a Ibá, além do aumento da demanda chinesa, beneficia a indústria brasileira, neste momento, também, a recuperação econômica nos Estados Unidos, o segundo principal país comprador dos produtos florestais brasileiros.

Até maio desse ano, a receita de exportações estava em queda, de 3,6%. “Mas isso ocorreu por um motivo sazonal”, explicou Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, Estados Unidos, Europa e China costumam reduzir a demanda no segundo trimestre do ano devido à chegada do verão e á proximidade das férias. “Mas com expectativa de compensação nos próximos trimestres, quando há uma retomada na demanda dessas regiões”, disse.

A Europa chegou a demonstrar melhora na demanda até abril, de acordo com a entidade. Mas a crise na Grécia e as consequências para o mercado europeu levaram a um quadro de incerteza. “Ainda não é possível dizer quais serão os impactos dos recentes desdobramentos da crise na zona do euro, sendo que o setor continua acompanhando com atenção”, disse a presidente.

Investimentos
A planta industrial da Eldorado foi projetada para uma produção de 1,5 milhão de tonelada ao ano, em 2012. Menos de três anos depois, já opera 12% acima da capacidade, chegando a 1,7 milhão de tonelada ao ano. “A Ásia acabou consumindo um pouco mais do que o previsto”, disse Luis Fellis, diretor da Eldorado. A empresa sempre teve no mercado asiático uma prioridade, seguida da Europa (destino de 35% da produção da Eldorado) e das Américas. “Na Ásia, dos 40% que temos, 80% a 90% estão na China, então o país é muito significativo para nós.”

E, mesmo diante de uma mudança no transporte das mercadorias destinadas ao mercado externo – uma vez que a seca na região sudeste impede a navegação na hidrovia Tietê-Paraná, obrigando a empresa a realizar o transporte por meio rodoferroviário –, a Eldorado pensa em crescer. Para mitigar os custos por conta dos problemas logísticos, inaugurou um terminal no porto de Santos (SP), no litoral paulista, orçado em R$ 90 milhões. “Esse terminal vai nos trazer uma redução de custo anual da ordem de R$ 80 milhões”, disse o diretor.

Além disso, a Eldorado vai ampliar as instalações. “Já iniciamos um serviço de terraplanagem e infraestrutura da fábrica em Três Lagoas [MS], para construir uma segunda linha de transmissão que vai partir em meados de 2018”, afirmou Luis Fellis. Inicialmente a linha terá uma capacidade de produção de 2 milhões de toneladas ao ano, podendo chegar a 2,3 milhões. “Nós vamos ter na planta de Três Lagoas uma produção de 4 milhões de toneladas, que vai ser o maior parque de produção de celulose do mundo”, concluiu.

Floresta plantada 
O Brasil ocupa hoje o quarto lugar no ranking de países produtores, atrás de Estados Unidos, China e Canadá. São 610 mil empregos diretos, de acordo com a Ibá, chegando a 4,23 milhões indiretos. Em papel, é o nono maior produtor, em um ranking liderado pela China, o que tem contribuído para o aumento das exportações brasileiras.

Para garantir a matéria-prima necessária para a produção dos diversos produtos de celulose – afinal, destruir ou desmatar florestas nativas no país é crime –, a indústria tem investido em um programa chamado “Floresta Plantada”. Com investimentos estimados em R$ 53 bilhões, até 2020, o projeto estimula o plantio de mudas específicas, das espécies exótica (como eucaliptos, pinus e tecas) ou nativa (como araucárias e paricá), o reflorestamento e a construção de novas plantas.

“As florestas plantadas são um agronegócio de extrema importância para as empresas, uma vez que garantem a madeira necessária para a produção dos diversos produtos do setor, como também permite a preservação dos recursos naturais”, disse Elizabeth de Carvalhaes.

fatoonline.com.br

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