Como as tarifas podem afetar (ou já estão afetando) o mercado latino-americano de tissue
Por Rogério Berardi, diretor de Tissue e Packaging da Valmet para a América Latina
O termo ‘tarifaço’ está entre os cem mais buscados na retrospectiva de buscas do Google no último ano. E esse termo traz uma dúvida importante para o setor de tissue: como pode afetar o mercado brasileiro e latino-americano?
A tarifa de 25% imposta pelo governo norte-americano sobre uma série de produtos importados do Brasil, incluindo papel, embalagens e tissue aponta para um cenário de reorganização dos fluxos internacionais desses produtos. A tarifa norte-americana torna o Brasil menos competitivo nos EUA e pode estimular os produtores brasileiros a:
- Reduzir exposição aos EUA → buscando mercados alternativos → aumentando competição em outras regiões.
- Maior potencial de direcionamento de volumes para a própria América Latina e, também, para Europa.
Para o setor de tissue, isso é particularmente relevante porque o mercado da América Latina tende a ganhar ainda mais importância para os produtores brasileiros de papéis tissue, ao mesmo tempo em que a concorrência internacional, especialmente de fabricantes asiáticos, permanece forte devido aos preços baixos praticados por esses fabricantes, mesmo transportando seus produtos tissue por longas distâncias o que, até alguns anos atrás, era impossível de se imaginar.
Enquanto as exportações brasileiras de produtos tissue para os EUA caíram, para a Europa cresceram – chegando a 22.547 toneladas no 1º semestre de 2026, mas as importações europeias provenientes da Ásia cresceram ainda mais.
Isso reforça uma tendência importante: as tarifas podem mudar significativamente o destino dos volumes de produtos tissue produzidos, aumentando a competição em alguns mercados, especialmente na América Latina. Ou seja, Europa, Chile, Peru e Brasil tornam-se mercados naturalmente mais atrativos seja pela alta demanda ou pelo fato que não possuem imposto de importação para produtos tissue, como Peru e Chile, por exemplo.
Mais do que uma guerra tarifária, o mercado de tissue vive uma redistribuição global da oferta. A combinação entre excesso de capacidade na Ásia e no Brasil e restrições comerciais nos EUA está empurrando volumes para mercados alternativos. Nesse contexto, Chile e Peru surgem como portas de entrada naturais para os produtos tissue asiáticos na costa pacífica da América Latina, enquanto o Brasil, pelo tamanho do seu mercado, torna-se um dos principais destinos potenciais dessa nova disputa comercial, mesmo tendo capacidade ociosa, devido, aos grandes investimentos recém realizados para produção de tissue no país.
Essa nova distribuição global de produtos tissue está só começando, mas já indica que mudanças importantes deverão continuar acontecendo nos próximos anos. Veremos…


















