Celulose Notícias

Com alta de 50%, ações da Suzano são destaque no ano

O setor financeiro pode até deter o maior número de ações na Carteira Valor, mas é o segmento de papel e celulose que lidera os ganhos neste ano. Com seis recomendações para o portfólio de junho, as ações PNA da Suzano tiveram, até maio, valorização de 50%, assim como as units de sua concorrente Klabin – com duas indicações neste mês – avançaram 31%.

suzano

A Citi Corretora aposta nos papéis da Suzano desde novembro do ano passado e, mesmo com o forte desempenho em 2015, que contrasta com a leve alta de 5,5% do Ibovespa, o analista Cauê Pinheiro continua a ver espaço para ganhos. Em maio, a corretora inclusive aumentou o preço-alvo em 12 meses, de R$ 15 para R$ 19, com recomendação de compra.

Segundo o analista, o fundamento continua positivo para o preço da celulose e o dólar tende a seguir apreciado em relação ao real, beneficiando a Suzano.

Dentre os diferenciais da empresa no setor, o analista Lenon Borges, da Ativa Investimentos, menciona o avanço na produção de celulose com a planta do Maranhão e a redução da relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês).

Já a Bradesco Corretora segue defensora das units da Klabin, mencionando como potenciais catalisadores o aumento do poder de fixação de preços com a depreciação da moeda brasileira e o crescimento de volume a ser gerado por projetos menores em 2015. Além disso, a equipe de análise da casa destaca, em relatório, que o progresso excelente no chamado projeto Puma, que envolve a construção de uma fábrica de celulose no Paraná, poderá fornecer mais confiança aos investidores.

Apesar de o setor financeiro ter perdido um integrante em junho, com a saída das ações do Bradesco da Carteira Valor, Itaú Unibanco continua na liderança das recomendações, com sete votos, mesmo com a queda de quase 11% dos papéis no mês passado.

A elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras e o temor do fim do benefício fiscal dado a empresas e bancos quando distribuem lucros na forma de juros sobre capital próprio (JCP) estiveram por trás do mau desempenho dos papéis, mas analistas seguem enxergando fatores positivos no setor.

“Neste momento, entendemos que não podemos sair completamente do setor financeiro, embora o cenário esteja um pouco ruim”, diz Borges, da Ativa Investimentos, em referência ainda à preocupação com a alta da inadimplência.

Apesar das más notícias vindas do governo, Roberto Indech, da área de estratégia da Rico Corretora, vê na boa gestão do Itaú e nos últimos resultados divulgados justificativas para defender as ações em sua carteira. O peso do papel no Ibovespa também explica sua escolha, já que a corretora busca ter aderência com o índice.

Ricardo Kim, chefe da área de análise da XP Investimentos, ainda destaca que as ações do Itaú estão negociando a um múltiplo preço/lucro (P/L) de oito vezes para este ano, tido como baixo em relação ao histórico do banco e na comparação com o múltiplo atual da bolsa, próximo de 12,5 vezes.

Com seis indicações, os papéis da BB Seguridade também garantiram espaço no portfólio. A Ativa Investimentos incluiu as ações na carteira, por avaliar que o mercado de seguros está num contexto completamente diferente do bancário, ainda que dependa em grande parte da bancarização da economia. “O lucro da empresa tem crescido mais rapidamente que o preço da ação”, destaca Borges, que vê razões micro e macroeconômicas para se posicionar na companhia.

Em meio a ganhos de 16,5% no acumulado do ano, os papéis da Cielo também renovaram sua posição na carteira de junho. Mesmo em um patamar elevado de múltiplo, Kim, da XP, considera a empresa um caso resiliente no cenário atual de desaceleração, com um guidance conservador que tem sido consistentemente superado.

A Cetip, por sua vez, continua uma aposta defensiva da equipe da corretora do Bradesco, que está atenta aos dados operacionais da empresa e à expansão da receita em 2015. Despesas financeiras menores ainda deverão levar a um crescimento saudável do lucro de 15,5% no período, na visão da casa.

O setor de consumo, por sua vez, tem como representante as ações da Ambev. A divulgação dos resultados do primeiro trimestre deu suporte para a Citi Corretora manter os ativos no portfólio, segundo Pinheiro.

O aumento de participação das cervejas premium ajudou o balanço e tende a favorecer o resultado de 2015 como um todo, avalia o analista. A redução das despesas em relação a 2014, ano da Copa do Mundo, também deverá beneficiar a Ambev. “Olhando mais pra frente, a Ambev é uma empresa que está madura e pode até melhorar o perfil de pagadora de dividendos”, diz Pinheiro.

E a última integrante da carteira enfrentou forte movimentação na passagem de maio para junho. Os papéis da Qualicorp fecharam o mês passado com perdas de 22%, mas se recuperaram ontem (a alta foi de 13,2%), após a empresa negar em teleconferência com investidores ter sido alvo da Operação Acrônimo, da Polícia Federal. A companhia ainda aprovou um programa de recompra de até 2,1 milhões de ações.

Embora secundária para a forte alta de ontem, a intenção de recompra foi uma sinalização da companhia de que a queda de sexta-feira foi exagerada, observa o chefe da área de análise da XP, que continua a ver na empresa um bom caso de relação risco/retorno.

Valor Econômico