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Brasil passa a exportar com fábricas de Suzano e Klabin

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De importador de cerca de 400 mil toneladas ao ano de celulose fluff, usada na fabricação de fraldas descartáveis e absorventes femininos, o Brasil passará a exportador do produto partir do ano que vem, com a entrada da Suzano Papel e Celulose nesse mercado e o início de operação da nova fábrica da Klabin. Juntas, as duas companhias poderão fazer, ao ano, 500 mil toneladas desse tipo de celulose, obtidas com diferentes fibras, ou 100 mil toneladas acima do consumo doméstico atual, que é todo atendido pelas importações.

Enquanto a Klabin vai transformar 400 mil toneladas por ano de fibra longa em fluff, como é tradicionalmente produzida a matéria-prima, a Suzano vai partir da celulose de eucalipto para obtenção de 100 mil toneladas anuais do insumo, produzido em bobinas em uma máquina de papel que está sendo adaptada a essa finalidade. Somente nesse ajuste da máquina instalada na fábrica de Suzano (SP), os investimentos totalizam R$ 30 milhões e o início de operação está marcado para dezembro.

Os estudos da Suzano tiveram início há cerca de cinco anos, como parte da estratégia de busca de novas aplicações para a celulose de eucalipto. Em todo o mundo, a indústria utiliza a fibra longa (de coníferas) branqueada no processo produtivo, porém a Suzano desenvolveu uma tecnologia pioneira que permite, num primeiro momento, a substituição de parte da celulose fluff tradicional pela Eucafluff. No futuro, a meta é alcançar taxa de 100% de substituição.

“Como o maquinário todo é feito para fibra longa, sugerimos ao cliente que comece com um mix de 30% a 50% [fibra longa mais curta] em fraldas infantis e de 70% em absorventes”, diz o gerente executivo de inovação da Suzano, Fábio Figliolino. O desempenho do produto final, acrescenta a coordenadora do projeto, Juliana Andreotti, é similar na substituição das fibras, sem a necessidade de grandes ajustes no equipamento dos fabricantes de fraldas e absorventes.

Apesar do potencial de vendas domésticas, a Suzano também vai olhar oportunidades de exportação. Um estudo da consultoria finlandesa Pöyry mostra que, até 2025, o consumo global desse tipo de celulose deve alcançar 6,2 milhões de toneladas por ano. Segundo Figliolino, ainda não há definição do mix de vendas e o plano comercial do novo negócio será desenhado a partir do início de operação. “Já testamos o produto em diversos clientes, mas nenhum contrato foi firmado. Num primeiro momento, vamos buscar a produção das bobinas com a qualidade esperada”, diz.

A Klabin, por sua vez, vai colocar em operação sua fábrica de celulose em construção em Ortigueira (PR) em março de 2016. Com capacidade para 1,5 milhão de toneladas por ano, produzirá 1,1 milhão de fibra curta e 400 mil de fibra longa, convertidas em fluff. Em teleconferência este mês, o diretor-geral da Klabin, Fabio Schvartsman, ressaltou que o negócio de fluff será tão relevante quanto o de cartões. “A Klabin, assim como já tem uma operação de 750 mil toneladas de cartão, terá uma de 400 mil de fluff e enxerga a existência de um mercado tão interessante, tão sólido e com tanto crescimento como o de cartões”, afirmou.

As duas inaugurações vão pôr o Brasil no mapa dos produtores de fluff, hoje altamente concentrados nos Estados Unidos. Dados da consultoria RISI em um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre esse mercado indicam que, no fim de 2012, a capacidade instalada mundial era de 6 milhões de toneladas por ano, das quais 89% no sul dos Estados Unidos. Naquele momento, essa oferta também estava bastante concentrada em poucos fornecedores: GP Cellulose (27% do total), Weyerhaeuser (24%) e International Paper (16%).

Valor Econômico