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Brasil é estratégico na expansão da CMPC

Grupo chileno vai continuar investindo para se manter como quarta maior produtora de celulose do mundo

A chilena CMPC vai continuar investindo em capacidade para ao menos se manter como a quarta maior produtora de celulose de mercado do mundo e o Brasil é candidato relevante a novos investimentos em expansão do grupo. Além disso, a potencial revisão da restrição à compra de terras por estrangeiros deve atrair mais investimentos, de uma maneira geral, de acordo com o diretor-geral da CMPC no país, Mauricio Harger.

“O Brasil é a avenida de crescimento da CMPC por uma série de motivos”, disse o executivo, em encontro com jornalistas em Porto Alegre. No Chile, sede do grupo, a limitação de terras disponíveis para o plantio de novas florestas acaba restringindo futuros aumentos da produção de celulose.

Conforme Harger, ainda não há um plano pronto ou prazo definido, mas a companhia já começou a se preparar para uma potencial expansão no que diz respeito a florestas. “O projeto de celulose é de longo prazo. Então, já estamos dando alguns passos de formação de base florestal”, explicou. Nesse sentindo, a CMPC constituiu um fundo de investimento florestal e, mais recentemente, firmou um contrato de compra de madeira com a Celulose Irani.

A CMPC chegou ao país há 10 anos, com a compra da fábrica da antiga Fibria (hoje Suzano) em Guaíba (RS). Nesse período, investiu em expansão e quadruplicou a capacidade de produção de celulose na unidade – em uma década, os investimentos chegam a R$ 12 bilhões, incluindo aquisições. Em 2018, foram produzidas 1,86 milhão de toneladas de fibra de eucalipto nas duas linhas de Guaíba, um recorde, e o faturamento chegou a R$ 4,7 bilhões.

A restrição à compra de terras por estrangeiros, conforme Harger, corresponde a uma barreira adicional à execução de novos investimentos e torna o processo mais longo. Existem mecanismos para acesso do estrangeiro a terras no Brasil, que vão além do controle propriamente, mas essas alternativas são mais caras e diminuem a atratividade do projeto, observou.

Uma resolução mais robusta, como o projeto de lei do senador Irajá Abreu (PSD-TO), poderá acelerar investimentos de estrangeiros de maneira geral no país, em sua avaliação. “Isso traz segurança jurídica e de acesso à fonte de matéria-prima”, afirmou.

Em relação ao mercado global de celulose, o diretor-geral afirmou que o consumo segue em crescimento, embora em 2019 alguns fatores, entre os quais a guerra comercial entre China e Estados Unidos, estabilizaram ou levaram a alguma redução na demanda, conforme o mercado. “Haverá investimentos em celulose nos próximos anos e o mercado continuará crescendo”, afirmou.

Brasil é estratégico na expansão da CMPC

No mundo, o grupo chileno, que completou 100 anos em 2019, está presente em oito países, com 44 fábricas e faturamento equivalente a R$ 22,8 bilhões no ano passado. A celulose é o principal negócio, com 54% das vendas e produção anual de 4 milhões de toneladas.

O grupo participa ainda do mercado brasileiro de tissue e assumiu a liderança do segmento com a aquisição da paranaense Sepac, há quatro meses. A CMPC também atua em embalagens, mas essa área de negócio ainda não está presente no Brasil.

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