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Após 18 meses, preços da celulose começam a se recuperar

Preços internacionais da celulose começaram a se recuperar e a melhora das condições de mercado permitiu dois anúncios de reajuste na fibra curta desde o fim de outubro

Depois de permanecerem por mais de 18 meses abaixo do custo marginal de produção, os preços internacionais da celulose começaram a se recuperar e a melhora das condições de mercado permitiu dois anúncios de reajuste na fibra curta desde o fim de outubro, o mais recente de US$ 30 por tonelada, válido a partir desta terça-feira.

Os estragos do ciclo de baixa na rentabilidade da indústria mundial, o nível atual de estoques mais baixo do que o que se considera saudável neste momento – após a correção dos volumes em excesso no sistema, que por meses pressionou as cotações – e a tendência de normalização da demanda, afetada pela forte queda no consumo de papéis de imprimir e escrever após as medidas de combate à pandemia no mundo, explicam a recente reversão da curva.

O ciclo de baixa tem sido particularmente difícil para os produtores do Hemisfério Norte, cujos custos de produção são muito superiores aos dos produtores brasileiros, incluindo Suzano e Klabin. No Brasil, que tem o menor custo caixa do mundo, essa conta varia hoje entre US$ 110 e US$ 150 por tonelada. De janeiro a setembro, as quatro europeias de capital aberto que também produzem fibra curta – Altri, Ence, Stora Enso e UPM – registraram juntas queda de 59% no resultado operacional (Ebitda) do negócio de celulose, para US$ 575 milhões. Isso corresponde a margem Ebitda por tonelada de apenas US$ 96 considerando-se vendas consolidadas de 6 milhões de toneladas no mesmo período, bem aquém do custo caixa de produção. Na América do Norte, as produtoras de fibra longa Canfor, Domtar, International Paper, Mercer, Resolute e West Fraser viram o Ebitda nos mesmos nove meses encolher 68%, a US$ 207 milhões.

No curtíssimo prazo, a informação de que a Asia Pulp & Paper (APP) teria reduzido a oferta de celulose a partir da fábrica OKI, na Indonésia também dá força aos preços da fibra curta. Na semana passada, conforme a Fastmarkets Foex, a tonelada da celulose de fibra curta era negociada a US$ 464,27 no mercado chinês, comparável a US$ 444 por tonelada na média do terceiro trimestre.

Em relatório de sexta-feira, o analista Marcio Farid, do J.P.Morgan, destacou que a recuperação dos preços da fibra curta e da fibra longa na China ganhou força com a valorização do yuan frente ao dólar, a disponibilidade reduzida de contêineres e a menor oferta de cavacos de madeira na região.

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Para o Itaú BBA, o anúncio de novo aumento da Suzano, elevando o preço em dezembro a US$ 500 por tonelada na China, indica que 100% do reajuste anterior, de US$ 20 para US$ 470 por tonelada, foi implementado de maneira bem sucedida. Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, o segundo reajuste e o câmbio reforçam a tese de que as condições de mercado dão suporte a novos aumentos de preço no futuro.

“Temos uma leitura positiva para 2021 em função dos fundamentos mais positivos. O contexto é mais favorável à demanda na China e no Sudeste Asiático, que também é relevante para a celulose”, disse ao Valor o diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal de Almeida. A Fitch Ratings, por sua vez, estima “ligeira recuperação” dos preços da celulose no ano que vem, suportada pela redução da oferta. A retomada da demanda de papéis e embalagens nos Estados Unidos e Europa dependerá do ritmo da economia mundial.

Fonte
Valor Econômico
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