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Celulose Notícias

Ampliação da CMPC muda perfil de Guaíba

As obras de expansão têm término previsto para maio de 2015, mais especificamente dia 3

As obras de expansão têm término previsto para maio de 2015, mais especificamente dia 3

Quem visita o município de Guaíba e desconhece o projeto de expansão de produção da CMPC Celulose Riograndense pode pensar que esteja sendo construído um novo bairro na cidade, tal o porte das obras que estão sendo desenvolvidas pela empresa. Provavelmente, os melhores indicadores para atestar a grandiosidade da ação são as melhorias logísticas, que estão sendo feitas para quando o empreendimento for concluído, e o número de postos de trabalho gerados com a iniciativa.

O último relatório sobre mão de obra para o chamado Projeto Guaiba 2, de 8 de dezembro, indicava que havia 4.062 trabalhadores atuando nos canteiros de obras. Desse total, cerca de 70% (2.854 pessoas) eram provenientes do Rio Grande do Sul e 30% (1.208) de outras regiões. Entre os colaboradores do Estado, a maioria deles era de Guaíba (780). O presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, detalha que grande parte dos trabalhadores que vêm de outras cidades (como Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Canoas, Alvorada e Charqueadas) chega e sai da obra por meio de ônibus, em horários escalonados. Alguns preferem o transporte por automóveis ou vans. Conforme o dirigente, até o momento, esses deslocamentos não implicaram aumento de trânsito demasiado para as estradas que levam a Guaíba (BR-290 e BR-116).

As obras de expansão têm término previsto para maio de 2015, mais especificamente dia 3. Quando finalizada a ampliação, a planta de Guaíba agregará mais 1,3 milhão de toneladas de celulose a sua capacidade anual, alcançando o patamar de 1,8 milhão de toneladas. O investimento no projeto é estimando em aproximadamente R$ 5 bilhões. O pico de mão de obra, de acordo com Nunes, será a partir de abril deste ano, reduzindo gradativamente depois de agosto. O executivo calcula que durante o pico das obras deverão ser gerados cerca de 7 mil empregos diretos e 21 mil indiretos.

O dirigente ressalta que uma iniciativa como essa é extremamente planejada, antes do início da execução, para minimizar eventuais surpresas e atender ao cronograma. Durante a obra chegarão grandes equipamentos, como turbinas que serão transportadas de São Paulo para o Rio Grande do Sul. Para concretizar essa ação, serão feitas operações especiais. Nunes detalha que serão empregados caminhões como os que hoje podem ser verificados nas estradas gaúchas movimentando peças destinadas a parques eólicos.

“Do ponto de vista logístico, a parte mais complicada é durante a montagem da unidade, depois (na operação) temos soluções compatíveis com a cidade”, comenta o executivo. O dirigente recorda que a companhia terá uma via privada para trazer a madeira da rodovia até a fábrica, para não sobrecarregar as ruas públicas. Essa rota deverá ser concluída em 2015. A expansão foi projetada com pré-fabricação de estruturas, fazendo trabalhos em vários locais, não concentrando toda a mão de obra na área de montagem, evitando uma concentração excessiva na área de construção.

O projeto não prevê alojamentos para os funcionários próximos ao trabalho, o que existe no local são refeitórios e espaços de lazer. O presidente da CMPC Celulose Riograndense comenta que alguns profissionais, como engenheiros, optaram por morar em hotéis ou alugar casas na região. Quando é necessário fazer um alojamento para um número maior de operários, as empresas contratadas para a obra precisam apresentar à CMPC o projeto para análise e a localização tem que ser aprovada com a prefeitura. Normalmente, esses estabelecimentos são instalados nas zonas rurais. “Tem que se criar uma situação de alojamento que não perturbe as comunidades”, defende o empresário. Há complexos dessa natureza em Barra do Ribeiro e em Eldorado do Sul.

Nunes adianta que, após a ampliação, a mão de obra direta a ser utilizada na fábrica, plantios florestais, logística e atividades afins será de cerca de 4,1 mil pessoas. Os empregos indiretos serão 17,1 mil, notadamente nos municípios com plantios florestais.

PPP foi selada para desenvolver as obras que facilitarão a logística

A CMPC Celulose Riograndense e a prefeitura de Guaíba adotaram uma solução criativa para desenvolver as obras essenciais para suportar a expansão da produção da fábrica da empresa. O presidente da companhia, Walter Lídio Nunes, recorda que foi firmada entre as partes uma Parceria Público-Privada (PPP) de obras viárias, envolvendo um valor superior a R$ 43 milhões.

“Esse investimento visou a desafogar o trânsito e preparar o entorno do projeto da nova linha de produção”, diz o empresário. O dirigente acrescenta que outro investimento importante a ser feito é o de uma via expressa, a partir da BR-116, onde a madeira entrará diretamente na unidade sem passar pelas avenidas da cidade. Essa via aproveitará o novo viaduto previsto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), dentro das obras de duplicação da rodovia.

Nunes informa ainda que o governo do Estado tem a seu cargo, conforme previsto no protocolo de intenções, o asfaltamento de cerca de 7 quilômetros de uma estrada que liga a BR-290 à BR-116. Essa obra encurta a distância para quem vem da Região Carbonífera para a Sul. Outro compromisso do Executivo gaúcho é o asfaltamento da estrada Guaíba – Barra do Ribeiro pela orla do Lago Guaíba. Até meados de dezembro, com exceção da PPP de obras viárias de Guaíba, nenhuma das demais havia sido iniciada.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, João Victor Domingues, afirma que o governo está esperando, por parte da CMPC, a elaboração do projeto para que o Daer possa autorizar a contratação dos asfaltamentos. Além disso, o governo deverá realizar uma dragagem para facilitar o uso da hidrovia por parte da empresa. Domingues projeta que essas obras começarão a ser feitas ainda em 2014.

Já quanto à PPP municipal, o prefeito de Guaíba, Henrique Tavares, explica que, pelo acordo estabelecido, a CMPC adianta os recursos para as obras e será restituída posteriormente, com o abatimento de impostos, quando houver o incremento da receita com o aumento da produção de celulose. Até mesmo a desapropriação de casas, realizada para viabilizar a ampliação de ruas, foi custeada pela empresa. Tavares considera o sistema de parceria bastante produtivo. “Conseguimos fazer o desejado, sem ter o recurso, muitos empreendimentos viabilizaram-se por causa disso”, ressalta o prefeito. O dirigente municipal salienta ainda que foram feitos investimentos em obras de macrodrenagem, a partir de repasses federais, para combater alagamentos em bairros da cidade. A prefeitura de Guaíba também pleiteia, com o governo estadual, a duplicação da estrada do Conde.

Para prefeito, cidade deve dobrar população até 2025

A prosperidade econômica é acompanhada de alguns ônus. Com o objetivo de antecipar os desafios que se apresentarão futuramente, a prefeitura de Guaíba contratou a Ufrgs para realizar um plano de infraestrutura urbana. Esse levantamento, já concluído, prevê que o município deverá duplicar a população até 2025. Atualmente, a cidade possui aproximadamente cem mil moradores.

O prefeito, Henrique Tavares, adianta que esse acréscimo será proveniente, fundamentalmente, de pessoas que migrarão para a localidade. “Precisamos crescer de forma ordenada, por isso a necessidade de planejamento”, enfatiza o administrador. Além dos reflexos gerados com a ampliação da unidade de celulose, Guaíba receberá empreendimentos de companhias como a Foton, Impsa, Engebasa, Gefco, entre outras. Tavares atesta que já é possível perceber as mudanças, devido às obras que estão sendo efetuadas.

“Há muitos trabalhadores e empresas atuando aqui.” O prefeito comenta que foi feito um trabalho focado na capacitação dos cidadãos locais, com a captação, nos bairros, de pessoal interessado nas oportunidades de vagas abertas em segmentos como da construção civil, metalmecânica, entre outros. O dirigente acrescenta que, através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em 2014, serão abertas cerca de 2 mil vagas para qualificação profissional. O prefeito detalha que os cursos visam a atender às demandas do município e arredores, contudo cerca de 90% das disciplinas terão direcionamento para a CMPC.

“É um momento bom, estou muito otimista e acho que as coisas agora realmente vão acontecer”, comemora o prefeito. Entretanto, questionado se o fantasma da Ford foi exorcizado, Tavares é cauteloso. “Eu só vou acreditar nisso quando estiver alguma coisa instalada naquela área, o fantasma da Ford ainda nos ronda”, brinca o dirigente.

Lojistas locais comemoram o aumento dos negócios

Onde as pessoas ganham dinheiro, também o gastam. Essa regra pode ser comprovada em Guaíba. Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas (CDL) de Guaíba e vereador do PROS, Jonas Xavier, a estimativa dos lojistas era de que, com esse acréscimo de público de trabalhadores e as festas de final do ano, dezembro fechasse com uma elevação de cerca de 7% nas vendas, em relação ao mesmo mês do ano passado.

Xavier se classifica como um bom “termômetro” da questão, pois também é proprietário de um estabelecimento ligado aos setores de confecções e de calçados. O dirigente ressalta que a cidade, apesar de estar localizada próxima à Capital, tem um “clima” de Interior, no qual as pessoas se conhecem. Contudo, hoje, já se percebe muitos rostos desconhecidos. “Para se ter uma ideia, entram no município em torno de 200 ônibus com operários diariamente”, afirma Xavier.

O dirigente ressalta que essas pessoas consomem produtos na cidade, movimentando o comércio local. De acordo com o presidente da CDL de Guaíba, entre os segmentos que estão sendo beneficiados com esses novos consumidores estão o imobiliário, de vestuário, materiais de construção e transporte. O vereador acrescenta que o trânsito da cidade também começa a sentir os reflexos do aumento de circulação.

A consultora de Logística e professora do Curso Tecnólogo em Logística da Ulbra Dalva Santana argumenta que uma obra de tal porte, como a da CMPC, de uma forma geral, sempre traz impactos iniciais: “Verifica-se uma mão de obra externa flutuante na cidade, que deve se preparar para isso em termos de serviços”, adverte Dalva.

Hidrovia será a principal alternativa para escoar a produção

Se agora as obras da ampliação da CMPC têm impactos logísticos “em terra firme”, depois de finalizadas, os principais reflexos serão percebidos na água. A quase totalidade da produção de celulose será escoada pelo modal hidroviário Guaíba – Rio Grande. De lá, a carga será embarcada em navios maiores para seguir ao seu destino final no exterior. A empresa pretende instalar um terminal na Metade Sul gaúcha para facilitar esse processo.

O presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, esclarece que há uma pequena parcela, incluindo papel, que foca o mercado interno e que, portanto, irá por via rodoviária. No que se refere à matéria-prima, especialmente a madeira proveniente dos plantios florestais, virá por via rodoviária, com exceção da madeira proveniente de áreas do antigo Projeto Losango (que a CMPC adquiriu da empresa Fibria), que será transportada por água, através de um terminal portuário a ser construído em Pelotas.

“Se o cenário dessa expansão prevê essa alavancagem para os mercados internacionais, é uma opção interessante em termos logísticos, que pode dar uma autonomia muito maior a essa operação”, avalia a consultora de Logística e professora do Curso Tecnólogo em Logística da Ulbra, Dalva Santana.

Jornal do Comércio