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A importância do controle de contaminantes no processo produtivo do papel

Especialista destaca os impactos dos contaminantes no processo e as soluções oferecidas por tecnologias inovadoras

O aumento do uso de fibras recicladas na produção de papel tem trazido benefícios ambientais, mas também desafios significativos no controle de contaminantes. De acordo com o professor Paulo Pelissari, gerente de Novos Negócios e especialista no tema, a reciclagem de embalagens, papéis de escritório e outros materiais descartados introduz uma variedade de impurezas no processo produtivo. “Quando falamos em fibras recicladas, envolvemos toda uma gama de embalagens e papéis descartados por algum motivo – embalagens de alimentos, cimento, entregas de compras via internet, caixas de papelão em geral, papéis descartados em escritórios, casas, comércio em geral, etc.”, explica Pelissari.  

Esses materiais, coletados em depósitos de ferro velho e aparas, frequentemente carregam contaminantes como adesivos, tintas, vernizes, fitas adesivas e até resíduos de óleos e metais. Durante o processo de repolpação, esses elementos se dispersam, formando partículas microscópicas que podem se aglomerar e causar problemas nas máquinas. “Esses materiais que acabam ficando no processo devido a suas dimensões e características físico-químicas acabam sendo dispersos mecanicamente no processo de repolpação, gerando pequenas partículas dispersas no meio”, detalha o especialista.  

IMPACTOS NA QUALIDADE DO PAPEL E NA OPERAÇÃO DAS MÁQUINAS 

Os contaminantes, conhecidos como stickies e pitch, podem causar desde defeitos na folha de papel até quebras de máquina, comprometendo a produtividade e a qualidade do produto. Pelissari ressalta que “a deposição desses aglomerados de tamanhos variados pode causar desde defeitos na folha até quebras de máquina, comprometendo seriamente a qualidade e produtividade das máquinas de papel”.  

Além disso, a complexidade química desses contaminantes é significativa. Em um estudo realizado em parceria entre a UFV e a Cia Suzano, foram identificados cerca mais de 90 componentes em uma amostra de pitch, incluindo ácidos graxos, ésteres graxos e álcoois graxos. Esses compostos, somados a materiais sintéticos como resinas e polímeros, formam aglomerados que desafiam os sistemas de depuração.  

SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS PARA O CONTROLE DE CONTAMINANTES 

A remoção eficaz desses contaminantes é essencial para garantir a qualidade do papel e a eficiência operacional, e a Contech tem se destacado no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para enfrentar esse desafio. “A Contech iniciou sua história com o tratamento físico e químico das vestimentas através do sistema Thermojet, em que a união entre fluxo de água, fluxo de químicos adequados a cada situação e vapor proporciona um processo altamente consolidado de tratamento e regeneração das características e funcionalidade de telas e feltros”, explica Pelissari.  

Além disso, a empresa tem investido no desenvolvimento de em polímeros catiônicos de cadeia molecular curta e misturas de surfactantes para dispersar aglomerados de partículas, mantendo-as estáveis no processo. Recentemente, novas tecnologias de adsorção de contaminantes e tratamento de águas contaminadas têm ganhado destaque, especialmente diante da necessidade de reduzir o consumo de água e evitar o uso de talco.  

REDUÇÃO DE PARADAS E AUMENTO DA EFICIÊNCIA 

O controle adequado de contaminantes também contribui para a redução de paradas para limpeza e manutenção. “A tendência à deposição dos contaminantes em pontos específicos das máquinas ou processo depende diretamente da concentração/quantidade de contaminantes circulantes no processo”, afirma Pelissari.   

Ao utilizar dispersantes e microfixantes, é possível minimizar a fixação dessas partículas nas superfícies das máquinas, prolongando a vida útil das vestimentas e reduzindo a necessidade de intervenções.  

ABORDAGENS PREVENTIVAS E SUSTENTABILIDADE 

A prevenção do acúmulo de depósitos nas máquinas de papel exige uma abordagem multifacetada, que inclui desde a separação eficaz de contaminantes físicos até o tratamento químico da massa e das águas do processo. “A aplicação de sistemas de condicionamento de vestimentas, seja de forma contínua ou em choques frequentes, pode reduzir a fixação dos contaminantes químicos nas vestimentas”, finaliza Pelissari.  

Com o crescente foco na sustentabilidade, a indústria de papel e celulose busca equilibrar o uso de fibras recicladas com tecnologias que garantam a qualidade do produto e a eficiência operacional. Nesse cenário, o controle de contaminantes se torna um pilar essencial para a competitividade e a responsabilidade ambiental do setor.  

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