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Celulose Notícias

Walter Lídio, Presidente da Celulose Riograndense, diz que não há “transtorno” com preço da celulose

Presidente da Celulose Riograndense aposta no controle de custos para manter rentabilidade – e tocar em frente o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul.

Presidente da Celulose Riograndense

Walter Lídio, Presidente da Celulose Riograndense

A recente dificuldade que indústria tem encontrado para aumentar em US$ 20 por tonelada o preço da celulose de fibra curta não preocupa o presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes (foto). O CEO da companhia controlada pelo grupo chileno CMPC, e que realiza o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul (R$ 5 bilhões até o ano que vem na expansão da unidade de Guaíba-RS), vê no custo o maior diferencial para se manter competitivo em um setor que lida com commodities como o da celulose. O que o preocupa, mesmo, é o que chama de “competitividade sistêmica” da economia brasileira, com reflexo na musculatura das empresas. Como ele afirma nesta entrevista exclusiva ao Portal AMANHÃ, este tema – a competitividade brasileira sob uma visão mais ampla – deveria merecer mais atenção no debate público. Mais atenção, por exemplo, que repercussão oferecida à decisão da Standard & Poor´s de rebaixar, em um grau, a nota de risco do Brasil. “[Reduzir a nota de risco] não é bom, claro, mas temos outras discussões tão ou mais importantes e que vão além disso daí. Há temas que devem ser mais aprofundados”, desabafa. Acompanhe, na íntegra, a entrevista com o CEO da Celulose Riograndense.

A baixa no preço da celulose de fibra curta preocupa a Celulose Riograndense num momento em que a companhia realiza o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul?

Em commodities ninguém faz preço. É a lei da oferta e da procura. E hoje, mesmo com a entrada destas novas capacidades [de produção], a oferta e a demanda estão equilibradas. A produção tem se mantido, e o preço também. [A redução para] esses 20 dólares é uma flutuação natural. Há uma correlação de dois fatores em termo de consumo de celulose. Um deles se alinha ao [crescimento do] PIB mundial e outro ao processo de transformação em si, como o fechamento de fábricas menos competitivas. Muitas fábricas antigas no hemisfério norte estão sendo fechadas. Nossa situação [na Celulose Riograndense] está equilibrada, não deve ter transtorno. [O declínio da cotação] não é nada expressivo. Outra coisa a favor do nosso projeto: a nova unidade será acrescida à unidade que já existe. Ou seja, a nossa planta tende a ser mais competitiva, pois há racionalização de estrutura já implantada quando se acrescenta uma nova unidade. Enfim, com commodities não se faz preço, se faz custo – e somos competitivos no custo. O cenário de preço é bom e isso nos dá uma posição de tranquilidade.

Como andam os estoques de celulose no mundo? 

Tem até situações de estoque baixo. Mas são situações normais. Embarques que atrasam, por exemplo… Mas os estoques estão equilibrados, a cadeia está equilibrada. Há uma grande normalidade.

Como vê a economia brasileira a partir do rebaixamento da nota de risco do Brasil?

O nosso setor no Brasil é de grande competitividade. É um setor que tem uma capacidade de sobreviver aos cenários. Somos favorecidos pelo fato de que a indústria de transformação da celulose não deixa de ser uma parte do agronegócio. A questão, para o Brasil, é muito maior: a competitividade sistêmica deve estar em discussão. Há muito tempo, em inúmeras coisas o Brasil passou de exportador a importador. Isso tem de ser discutido. Não é só questão de diminuir ou aumentar o grau de risco no país. [Reduzir a nota de risco] não é bom, claro, mas temos outras discussões tão ou mais importantes e que vão além disso daí, como infraestrutura, obras de longo prazo para serem implementadas, energia que afeta todo mundo, os custos altos da precária logística brasileira, tributos etc. Não podemos ficar olhando para uma coisa apenas. Não é com um tiro que se resolve essas questões. Há temas que devem ser mais aprofundados. O governo tem de fazer ações menos varejistas na economia. Outros países fazem esforço de competitividade sistemática e o Brasil não.

Como anda o suprimento de mão de obra para a construção da fábrica aqui no RS?

Nosso esforço é evitar trazer mão de obra de fora. A preparação do projeto tem de ser feito buscando o melhor desdobramento econômico para a região. Por isso insistimos na formação de mão de obra local dentro do nosso projeto, pois temos compromissos com o Rio Grande do Sul, e nos entendemos com fornecedores locais. O projeto está cumprindo seu cronograma. Tudo está dentro do planejado. A empresa está tranquila e o cenário é favorável…

www.amanha.com.br