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Venda da Lwarcel está “bastante avançada”, segundo presidente do grupo Lwart

Depois de uma reviravolta na reta final das conversas com a Suzano Papel e Celulose, que estava a caminho de fechar a compra da Lwarcel, o grupo paulista Lwart está novamente em negociações avançadas para venda do controle de sua produtora de celulose.

“Nosso processo está bastante avançado”, disse o presidente do grupo, Carlos Renato Trecenti, sem fornecer outros detalhes. A intenção da família Trecenti, dona do Lwart, é permanecer como sócia minoritária da operação de celulose, mas haveria disposição entre possíveis compradores de levar até 100% da empresa, segundo fontes da indústria.

O Site Valor Econômico informou no início de fevereiro que o grupo colocou à venda o controle da Lwarcel e que, além da Suzano, que deixou as tratativas após acertar fusão com a Fibria, outros grupos estavam na disputa, entre eles a chilena Arauco, a indonésia April e a portuguesa Altri. Segundo um interlocutor, a April já apresentou aos Trecenti proposta firme de compra, mas ainda não obteve resposta.

Outras papeleiras, segundo as fontes, chegaram a olhar o ativo: a chilena CMPC; a The Navigator Company, como já anunciado aqui no Tissue Online; a espanhola Ence; e duas fabricantes chinesas de papel e celulose.

Com base nos múltiplos das mais recentes transações na indústria, a Lwarcel estaria avaliada em R$ 1,8 bilhão a R$ 2,7 bilhões, considerando-se o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 265 milhões projetado para este ano. Em 2017, esse resultado foi de R$ 230 milhões. O novo sócio participará com recursos para execução do projeto de expansão da empresa.

A Lwarcel não está entre as maiores produtoras de celulose do Brasil, mas tornou-se um ativo disputado principalmente por causa da produtividade de suas florestas e por representar uma porta de entrada a grupos estrangeiros que há muito tempo buscam se fixar em um dos principais países para essa atividade. O grupo Lwart é assessorado pelo Morgan Stanley.

Lances de fusão e aquisição estão agitando o setor. No ano passado, a Paper Excellence (PE), que pertence aos mesmos donos da Asia Pulp and Paper (APP), fechou a compra da Eldorado Brasil, que ainda tem a J&F Investimentos como controladora. A PE estaria bem perto de adquirir a totalidade das ações da companhia brasileira. Há cerca de um mês, a Suzano e a Fibria anunciaram a tão esperada combinação de seus ativos. Quando a Suzano liderava o páreo pela Lwarcel, havia expectativa de que um negócio pudesse ser anunciado ainda em abril.

A venda de uma fatia majoritária da produtora de celulose vai viabilizar o projeto de expansão da fábrica de Lençóis Paulista (SP), que hoje tem capacidade para apenas 250 mil toneladas por ano. Mediante investimento estimado em R$ 5 bilhões, com desembolsos entre este ano e 2020, a produção subirá a 1,5 milhão de toneladas anuais. O projeto de ampliação existe desde o início da década, mas era menos ambicioso.

O momento é oportuno para a execução de novos projetos de celulose de fibra curta. Além do crescimento consistente da demanda global, em torno de 1,5 milhão de toneladas por ano, não haverá chegada de novas fábricas de grande porte nos próximos dois ou três anos. Com a relação mais estreita entre oferta e demanda, a perspectiva é de suporte aos preços da matéria-prima, com ligeira correção em relação aos níveis atuais.

Procuradas, a Arauco, a Altri, a April e a CMPC não deram retorno até o fechamento desta edição. A The Navigator Company, por sua vez, informou que “não tem qualquer comentário a fazer sobre o assunto referido”.

O grupo Lwart, que também é dono da Lwart Lubrificantes, de rerrefino de óleo lubrificante, encerrou 2017 com receita de R$ 911 milhões, alta de 9% sobre os R$ 837 milhões de 2016. A melhora de desempenho nas duas áreas de negócio, decorrente de preços mais altos, contribuiu para a evolução do faturamento.

A Lwarcel registrou receita de R$ 617 milhões em 2017, refletindo principalmente o aumento dos preços da celulose. A expansão de 4,1% no volume produzido, para 264 mil toneladas de matéria-prima, também contribuiu para o resultado. A empresa encerrou o ano com área plantada própria de 52 mil hectares.

A Lwart Lubrificantes, por sua vez, faturou R$ 294 milhões no ano passado. Desde 2015, diante da queda no preço do petróleo e da crise, promoveu ajustes em sua operação e começou a observar os resultados em 2017.

Valor

NOTA:

Após a divulgação dessa matéria, recebemos um comunicado da Arauco, empresa chilena citada na reportagem. Confira abaixo:

“Na Arauco, estamos constantemente analisando diferentes opções de negócios com uma perspectiva global. Porém, no momento, não temos nada específico para comunicar sobre as informações que surgiram na mídia sobre uma possível compra no Brasil”.