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Tissue e embalagens vão puxar investimentos em papel no país, segundo Voith

Os segmentos de embalagens e de papéis tissue serão o motor do investimento em novas máquinas de papel no país, à medida que o consumo desses produtos segue em ascensão ou foi menos afetado que outros pela crise econômica.

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Por outro lado, a expectativa de estabilidade na demanda por imprimir e escrever no país não deve levar a projetos relevantes nessa área, na avaliação do presidente da Voith Paper América do Sul, Flavio Silva. “Mas há oportunidades para otimizar e modernizar a produção”, afirmou o executivo ao site Valor Econômico.

Conforme Silva, no ano fiscal encerrado em 30 de setembro, o braço brasileiro da Voith Paper atingiu os resultados esperados e foi sido bem sucedido sobretudo por causa do segmento de tissue. Ficaram com a empresa, por exemplo, as ordens de construção de duas máquinas de produção de bobinas de papel para fins sanitários, com capacidade para 60 mil toneladas ao ano cada uma, da Suzano Papel e Celulose – a companhia, que ainda não estava nesse mercado, está investindo R$ 425 milhões no projeto.

Além disso, a operação local conquistou um contrato para reforma de uma máquina de tissue no Peru e outro projeto nos Estados Unidos. A Voith Paper é um dos principais nomes mundiais no fornecimento de máquinas e prestação de serviços para a indústria papeleira e a unidade brasileira é referência, dentro do próprio grupo, em tecnologia de papel tissue.

A aposta no segmento, com a instalação da única máquina-piloto do grupo no complexo industrial do Jaraguá, em São Paulo (SP), não foi à toa. Nos últimos dez anos, mostra um levantamento da finlandesa Pöyry, o consumo de papéis sanitários no Brasil aumentou 138%, de 3,9 quilos por habitante/ano para 5,4 quilos per capita em 2015.

Segundo a consultoria, crescimento populacional, urbanização, estrutura etária da população, estilo de vida e padrão de consumo e aumento dos padrões de higiene influenciaram o desempenho. “Apesar da crise econômica dos últimos anos, projetamos um crescimento de demanda entre um e dois pontos percentuais acima do PIB no médio e longo prazos”, disse o gerente de Estudos Econômicos da Pöyry, Manoel Neves.

Nos últimos anos, com a desaceleração dos pedidos no país por causa da deterioração da economia doméstica, a Voith Paper aproveitou a mão de obra especializada local para desenvolver três grandes projetos de engenharia para a China e para a Europa. Além isso, expatriou jovens engenheiros, que devem retornar a operação brasileira em 2018 ainda mais capacitados. “Toda crise traz oportunidades”, comentou Silva. “O investimento fica um pouco mais retraído nesses momentos, mas o Brasil tem um potencial enorme”.

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Ainda sobre o segmento de tissue, o executivo lembrou que, nos últimos dez anos, o consumo preponderante passou do papel higiênico de folha simples para o de folha dupla – o de alta qualidade já representa 40% do consumo total – e chegou a 800 mil toneladas em 2015. “A disponibilidade de fibra [celulose] a custo vantajoso e o potencial de crescimento justificam a máquina-piloto no país”, reiterou. Em relação ao segmento de papéis para embalagens, a expectativa é de a de retomada de crescimento. Apesar da recessão, empresas como a Klabin, líder nesse mercado, seguiram investindo e há demanda reprimida.

Globalmente, a Voith concluiu no último ano fiscal um processo de transformação que dará início a uma nova fase de crescimento dos negócios. De acordo com Silva, a companhia lançou neste ano uma quarta unidade, batizada Soluções Digitais, que vai incorporar a internet das coisas a seu portfólio – além da Paper, são unidades de negócio já tradicionais a Voith Hydro (de equipamentos para hidrelétricas) e a Voith Turbo (de sistemas de transmissão de força mecânica).

“A plataforma [tecnológica] atual vai mudar. Uma máquina de papel gera bilhões de dados por dia e será possível usar essa informação para otimizar a fabricação”, explicou o executivo. Neste momento, a empresa já tem projetos-piloto em diferentes regiões e está em busca da escala industrial. Ainda como parte da etapa de transformação, a companhia alemã vendeu a participação majoritária que detinha na Voith Industrial Services, fornecedora de serviços técnicos especializados.

Ao longo do ano fiscal recém-encerrado, os pedidos recebidos pela Voith totalizaram € 4,11 bilhões, uma queda de 6% frente aos € 4,39 bilhões do exercício anterior, como consequência do menor nível de investimento nos mercados de matérias-primas, óleo e gás e no setor ferroviário, em particular na China. Já as vendas do grupo permaneceram praticamente estáveis, em 4,25 bilhões de euros. Somente na Voith Paper, o faturamento consolidado foi de 1,5 bilhão de euros.

Valor Econômico