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Suzano e Fíbria estão próximas de anunciar fusão

 A Suzano Papel e Celulose e a Fibria, as duas maiores produtoras mundiais de celulose de eucalipto, estão perto de anunciar um acordo de combinação de seus ativos.

O formato final da operação ainda está em discussão, mas uma das premissas já definidas é a saída da Votorantim do negócio e a assunção do controle da nova empresa pela Suzano, segundo fontes de mercado.

Acionista de ambas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve manter uma participação relevante na nova companhia. Por meio da sua empresa de participações acionárias, a BNDESPar, o banco detém 29,08% da Fibria e 6,86% da Suzano.

Em entrevista ao site Valor, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, confirmou as conversas.

A Suzano corre para amarrar o quanto antes um acordo de compra da Fibria, diante da possibilidade de que outros interessados – competidores estrangeiros – apresentem propostas firmes mais agressivas.

Um dos maiores desafios neste momento é conciliar os interesses de comprador e vendedo

res. A Suzano busca reduzir ao mínimo possível o desembolso de recursos na operação. Por sua vez, a Votorantim tem a intenção de se desfazer de toda a sua participação em uma única etapa.

Pelo estatuto da Fibria, caso a Votorantim venda os 29,42% que possui na companhia, o comprador terá de estender a oferta a todos os acionistas da empresa. E isso elevará o valor da operação, considerando-se preços de mercado, a algo em torno de US$ 10 bilhões, já descontada a dívida líquida.

Uma alternativa considerada para evitar a oferta pública de aquisição (OPA), obrigatória em caso de aquisição de 25% ou mais das ações da Fibria, é que a Votorantim receba pagamento em dinheiro por até 24,9% de sua participação. E troque os 4,52% remanescentes por ações da nova empresa, permanecendo por determinado tempo como minoritária ou investidora. Mais à frente, a Votorantim poderia vender essas ações no mercado.


 

Para que esse modelo prevaleça, também será necessário o aval do BNDES, além de contemplar interesses internos do banco. O BNDES receberia ações da nova empresa em troca dos 29,08% que possuiu na Fibria e dos 6,68% de Suzano.

Segundo fontes, dentro do banco estatal há um grupo que defende a permanência no capital da companhia resultante da compra da Fibria pela Suzano. Outro avalia que esse é o momento de monetização do investimento realizado há anos pelo banco nessa indústria e defende a venda das ações num bom momento para os preços em bolsa. Já há uma equipe destacada dentro do banco para trabalhar esse tema.

A decisão do BNDES envolve ainda outro fator estratégico, segundo fontes da indústria. Além da Suzano, há outros interessados na Fibria e pelo menos um deles, a Paper Excellence (PE), já estaria em busca de financiamento para fazer uma oferta por 100% da produtora de celulose dos Ermírio de Moraes. Com isso, há risco de mais uma empresa do setor, e a maior delas, passar às mãos do capital estrangeiro.

A indonésia PE não titubeou em oferecer R$ 15 bilhões pela Eldorado Brasil em setembro, da J&F Investimentos, tirando da frente vários interessados, inclusive a Fibria.

As famílias controladoras da Suzano e da Fibria entendem que a operação mais interessante passa pela combinação dos ativos das duas empresas. Mas outras ofertas não serão ignoradas.

Procuradas, a Votorantim e a Suzano não comentaram o assunto.

“Na cara”

Já Paulo Rabello de Castro confirmou que o banco vem conversando com representantes de Fibria e de Suzano Papel e Celulose sobre a possível fusão entre as duas empresas.

Segundo o presidente do BNDES, existe uma negociação em curso entre as duas companhias, e nessas discussões o banco tem tido uma participação ativa. “Temos conversado e estamos integrados nesse trabalho que é o de juntar esses dois gigantes [do setor de papel e celulose]”, disse.

Questionado sobre se as conversas apontam no sentido de a fusão entre Suzano e Fibria ser possível, Rabello de Castro respondeu: “Está na cara que a fusão é uma possibilidade, mas estamos em momento em que nada mais pode ser dito.”

Valor

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