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Suzano consegue licença para plantios na fazenda Eldorado

Empresa repetirá no extremo norte do Estado situação de degradação e êxodo provocada pela monocultura do eucalipto no Sapê do Norte

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O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) emitiu na última semana a licença de operação (LO) nº 011/2014, que autoriza o plantio de 1.364 hectares (13.64 metros quadrados) de eucalipto na Fazenda Eldorado, propriedade da Suzano Papel e Celulose, localizada entre os municípios de Montanha e Mucurici, extremo norte do Estado. A licença prévia (LP) para o mesmo território foi emitida em agosto deste ano, contemplando uma área menor, de 1.483 hectares (14.83 metros quadrados).

O projeto se consolida na região, apesar da forte oposição de entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Rede Alerta Contra o Deserto Verde, que denunciam há décadas a contaminação do solo e da água gerados pelos plantios de eucalipto, devido à produção em larga escala e ao uso de defensivos agrícolas, além da mecanização da produção, que gera desemprego. A Suzano também é responsável por promover o êxodo rural e os conflitos instalados no campo.

A Suzano seria, ainda, uma das beneficiadas por um projeto de lei que permitiria o aumento da monocultura de eucalipto de 15% para 25% da área total do município de Montanha. A derrubada deste projeto da Câmara de Vereadores do município aconteceu no ano passado, em meio à pressão dos pequenos agricultores contra o avanço dos eucaliptais e às manifestações contrárias de diversos vereadores. O motivo para a retirada do processo de pauta teria sido a polêmica gerada pela articulação entre o prefeito Ricardo Favarato (PMN) e a Aracruz Celulose (Fibria).

Junto com a Aracruz Celulose, a Suzano responde pelo modelo de desenvolvimento representado pelas monoculturas de eucalipto no Estado. A concentração de terras em poder das multinacionais impede ainda a realização da reforma agrária e o desenvolvimento de projetos da agricultura familiar.

A consolidação dos projetos da Aracruz e da Suzano só foi possível graças a financiamentos públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Nos municípios do extremo norte do Estado, a empresa repetirá os impactos sociais e ambientais já conhecidos das comunidades tradicionais da região, principalmente quilombolas do antigo território do Sapê do Norte, formado pelos municípios de São Mateus e Conceição da Barra.

Além da fazenda Eldorado, a Suzano arrendou 14 fazendas em Montanha, divididas nos blocos II, III e IV. O Bloco II compreende as fazendas Juazeiro, Luziane, Balão, Oriental, Esplanada, Alvorada, Luiz Siqueira e São Jorge, com área total de plantio de 2.533,46 hectares. Já no Bloco III estão as fazendas Santa Fé I, Santa Fé II e Santo Antônio, com área de plantio de 630 hectares. E, por último, no Bloco IV, as fazendas Eldorado II, Colina e Estrela do Oriental, onde será plantado eucalipto em 1.805,99 hectares. As fazendas integram a Bacia do Rio Itaúnas e, por enquanto, apenas o Termo de Referência do plantio nessas áreas foi aprovado.

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