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Suzano busca executivo para liderar área de tissue

Prestes a entrar em um novo mercado, a Suzano Papel e Celulose está em busca de um executivo para liderar o negócio de tissue, vendido sob a forma de papel higiênico, lenços, guardanapos ou toalhas.

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A meta é alcançar presença relevante nas regiões Norte e Nordeste e, uma vez que chegará diretamente ao consumidor final e não tem experiência em transações dessa natureza, a companhia procura um profissional com conhecimentos em “B2C” (do inglês business to consumer).

A Suzano vai operar duas máquinas de tissue, com capacidade de produção total de 120 mil toneladas anuais desse tipo de papel e conversão inicial de 60 mil toneladas anuais, nas unidades de Mucuri (BA) e Imperatriz (MA). Posteriormente, o volume de conversão poderá ser ampliado, de acordo com o presidente da Suzano, Walter Schalka. O investimento no projeto é de R$ 540 milhões.

Na contramão do mercado de papéis em geral, o consumo de tissue no Brasil tem exibido taxas de crescimento importantes. Segundo a consultoria Pöyry, nos últimos seis anos, o aumento médio do consumo aparente chegou a 3,67%, enquanto no conjunto de todos os tipos de papéis, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), houve queda anual de aproximadamente 1%. Esse desempenho tem estimulado novos investimentos no setor. Uma das maiores nesse segmento, a CMPC Melhoramentos vai investir R$ 1 bilhão no país nos próximos cinco anos.

A máquina de Mucuri deve entrar em operação no terceiro trimestre e a de Imperatriz, no quarto trimestre. Até lá, a companhia já terá definido o nome do executivo que comandará o negócio e se o tissue da Suzano será vendido com marca própria ou “private label” (de uma varejista, por exemplo), opções que não são excludentes. “Tomamos a decisão de ir para o produto final, o que significa que teremos marca própria, mas também podemos trabalhar com ‘private label'”, afirmou o executivo.

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O início de produção desse tipo de papel poderá se refletir em alguma redução nos volumes disponíveis de celulose para comercialização. Hoje, a Suzano tem capacidade de produção de quase 3,6 milhões de toneladas da matéria-prima para venda a terceiros.

De acordo com Schalka, a companhia foi surpreendida pela melhor condição de preços da fibra, com crescimento mês a mês, o que vai resultar em um segundo trimestre “bastante melhor”. “Já tivemos algum ganho no Ebitda por tonelada e devemos ter um resultado melhor no segundo e no terceiro trimestres”, afirmou. Ainda assim, a Suzano mantém a estratégia de eventualmente retirar do mercado volumes de celulose com maior custo de produção para evitar maior erosão de preços, caso as cotações voltem a cair.

De acordo com o diretor das unidades de negócio de papel e celulose da Suzano, Carlos Anibal, o mercado global da matéria-prima tem se mostrado “bastante sólido” nos últimos meses, com expansão da demanda comprovada pelos dados do Pulp and Paper Products Council (PPPC). Nos três primeiros meses, segundo a entidade, houve crescimento de 6% na comparação anual. Na China, a alta foi de 21%. “Tivemos sucesso no aumento de abril e acreditamos que não teremos dificuldade na implementação para maio”, comentou.

A Suzano anunciou no fim de abril novos preços de referência para a celulose de fibra curta comercializada na Europa, na China e na América do Norte a partir de 1º de maio, com aumentos de US$ 20 a US$ 40 por tonelada.

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