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Suzano almeja ser protagonista da bioeconomia

Ao completar um ano de fusão com a Fibria, nova companhia fortalece core business atual e investe no conceito de inovabilidade para ampliar portfólio futuro

Passado um ano da fusão entre Suzano Papel e Celulose e Fibria, a Suzano vem se consolidando como líder global na produção de celulose de eucalipto e se posicionando como uma das maiores fabricantes de papéis da América Latina. O planejamento da nova companhia de captar sinergias estimadas entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões por ano vem se desdobrando conforme o previsto e trazendo incrementos contínuos de competitividade. “Em 2019, alcançamos 40% desse resultado, número que subirá para 90% em 2020 e 100% em 2021”, afirma Walter Schalka, presidente da Suzano.

As sinergias vêm sendo capturadas principalmente nas áreas florestal, de logística internacional, SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas) e suprimentos. “Seguimos com mais de 200 ações, em diversas áreas, voltadas à captura de sinergias. Na logística internacional, por exemplo, as duas empresas operavam com modelos distintos de atuação, embora tivessem operações complementares em alguns momentos”, completa Schalka.

O presidente da companhia também conta que os ganhos obtidos com as operações florestais nas Unidades Aracruz e Mucuri destacam-se como mais um exemplo das sinergias em andamento. “Havia, na região, bases de plantio da antiga Fibria que estavam próximas à fábrica da antiga Suzano Papel e Celulose e vice-versa. Após a fusão, conseguimos aproveitar as áreas mais próximas de cada unidade, o que resulta em importantes ganhos logísticos e ambientais”, explica. As duas empresas, que já eram referência em gestão florestal, aliaram-se para manter as melhores práticas e aprimorá-las a partir da troca de experiências.

A Suzano também vem buscando maior eficiência em temas como combate a incêndios florestais, silvicultura e logística no campo. “Afinal, a estratégia de conduta socioambiental está inserida no modelo de negócio da Suzano e, entre outras contribuições, ajuda a combater os efeitos das mudanças climáticas por meio do plantio de eucalipto e preservação de áreas de mata nativa, que potencializam o sequestro e estoque de carbono”, diz Caio Zanardo, diretor florestal da Suzano.

O processo de integração das duas empresas incluiu a união das melhores práticas operacionais com profissionais engajados e as sinergias começaram com a troca de informações entre as equipes de ambas, logo após a conclusão da fusão. Mudanças operacionais no intuito de gerar mais valor também foram iniciativas que contribuíram com os avanços nessa etapa.

As operações de plantio na região Norte do país foram designadas a um diretor vindo da Suzano Papel e Celulose, enquanto as da região Sul ficaram sob responsabilidade de um diretor vindo da Fibria. As lideranças cruzaram também os profissionais das antigas empresas em níveis de gestão (gerentes, supervisores e técnicos) para acelerar a integração.

Além dos ganhos intangíveis alcançados a partir da união de equipes, já é possível conferir resultados práticos oriundos das operações, como a otimização operacional já em curso em atividades de plantio e colheita. No interior de São Paulo e na região entre o Norte do Espírito Santo e o Sul da Bahia, onde as duas empresas possuíam fábricas, a Suzano passou a trabalhar com o abastecimento das fábricas a partir de pontos mais próximos, reduzindo os custos logísticos e alcançando importantes ganhos ambientais com o menor fluxo de veículos nas estradas.

PROCESSO DE CRIAÇÃO DA NOVA CULTURA ORGANIZACIONAL SEGUE EM CONSTRUÇÃO

Para garantir um alinhamento entre todas as equipes e preparar as pessoas para esse processo de mudança, ambas as empresas investiram em programas para trabalhar as lideranças e, por meio delas, seus times.

Segundo Christian Orglmeister, diretor executivo de Gente, Comunicação, TI, Digital e Estratégia da Suzano, a primeira diretriz do processo de integração das duas culturas foi criar uma terceira, que representasse os valores da nova organização. Desse trabalho, surgiram os três direcionadores culturais da Suzano: gente que inspira e transforma, gerar e compartilhar valor e só é bom para nós, se for bom para o mundo. Na prática, a Suzano estimula o protagonismo de seus colaboradores e assume o protagonismo nos temas em que acredita.

A companhia também vem trabalhando no desenvolvimento do Propósito da Suzano, que será revelado ainda neste semestre. Considerando que a indústria de celulose e papel tem um grande potencial para ampliar seu portfólio e atuar em outros nichos de mercado, a Suzano idealiza uma jornada de estímulo ao autodesenvolvimento e ao acesso facilitado a conteúdos cada vez mais específicos e direcionados para diferentes públicos. De acordo com Orglmeister, essa jornada está sendo reunida no US, o UniverSuzano, um espaço exclusivo para colaboradores da Suzano. Os conteúdos vão desde temas técnicos ou voltados para o desenvolvimento da liderança até materiais voltados para o novo colaborador da Suzano, que passa a fazer parte da empresa antes mesmo de ingressar nela. Para o público externo, informa o diretor executivo, a empresa atua em diferentes frentes com o objetivo de suportar a multiplicação do conhecimento de temas vinculados às atividades praticadas.

ATUAÇÃO ESTRATÉGICA GARANTE BOM DESEMPENHO EM 2019

Fazendo um balanço do cenário que envolveu o segmento de celulose ao longo de 2019, Schalka aponta que as incertezas ocasionadas pela trade war entre China e Estados Unidos resultaram na desaceleração da economia mundial e, como consequência, em um importante movimento de ajuste global nos preços das commodities, incluindo a celulose. Os estoques na cadeia atingiram patamares elevados em 2019 e, para se adequar ao ritmo da demanda global, a Suzano anunciou a decisão de reduzir o ritmo de produção de celulose de mercado. “Com isso, iniciamos uma bem-sucedida estratégia de desestocagem ao longo do segundo semestre. Apenas no terceiro trimestre, o volume de estoques da Suzano foi reduzido em cerca de 450 mil toneladas”, ressalta o presidente da Suzano.

A estratégia comercial, amparada pela redução no ritmo de produção de celulose, contribuiu para que a empresa encerrasse o período de julho a setembro último com receita líquida de R$ 6,6 bilhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 2,4 bilhões e geração de caixa operacional de R$ 1,5 bilhão. O nível dos estoques não foi o único desafio a ser superado no último ano. De acordo com Schalka, o mercado voltou a apresentar um elevado nível de volatilidade – aspeto que ele considera ruim para toda a cadeia.

Os fundamentos do mercado, contudo, seguem inalterados, o que faz a Suzano acreditar que a demanda global continuará crescendo no médio e longo prazos, impulsionada sobretudo pelo consumo de papéis sanitários em países como a China. “Importante destacar também a consolidação de um movimento crescente de conscientização das pessoas em relação aos hábitos de consumo. Nossa indústria é sustentada por uma matéria-prima de origem renovável, a árvore plantada, e tem como característica ser reciclável e biodegradável. É o produto mais indicado, portanto, para substituir outros materiais produzidos a partir de origem fóssil”, sinaliza Schalka.

Suzano almeja ser protagonista da bioeconomia

INVESTIMENTOS ANUNCIADOS PARA ESTE ANO SUSTENTAM ESTRATÉGIAS FUTURAS

Em dezembro último, a Suzano anunciou que investirá R$ 4,4 bilhões na manutenção e expansão de seus negócios ao longo de 2020. Desse total, os investimentos em manutenção responderão por R$ 3,6 bilhões, enquanto projetos de expansão e modernização demandarão o desembolso de aproximadamente R$ 300 milhões. Os aportes em projetos de aquisição e/ou formação de terras e florestas totalizarão cerca de R$ 400 milhões. Já os projetos em andamento nos portos dos estados de São Paulo e Maranhão movimentarão aproximadamente R$ 100 milhões em pagamentos realizados ao longo do ano. A companhia também divulgou que passa a gerir, por meio de subsidiárias, aproximadamente 100 mil hectares de terras e uma Licença de Instalação para uma fábrica de celulose, com capacidade anual de até 2,2 milhões de toneladas, na região de Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul. Os ativos, que já estão contemplados no Balanço Patrimonial da empresa, têm importância estratégica para a opcionalidade de crescimento futuro no negócio de celulose.

No curto prazo, a companhia mantém como prioridade o foco na desalavancagem financeira, de acordo com o estabelecido em sua Política de Endividamento. Como parte integrante do seu plano de enquadramento da alavancagem financeira por meio de venda de ativos não operacionais, a companhia também comunicou ao mercado a celebração de um contrato com a Klabin para a venda de florestas de eucalipto em pé localizadas em 14 mil hectares no sul do estado de São Paulo. O valor da transação é de aproximadamente R$ 400 milhões, a serem pagos entre 2020 e 2026. Também em dezembro, a empresa anunciou um aporte de R$ 933,4 milhões em três projetos no Espírito Santo. Eles incluem a construção de uma unidade de conversão de papel tissue em Cachoeiro de Itapemirim, o retrofit de parte da unidade industrial localizada em Aracruz e a expansão da base florestal no estado.

Para Fernando Bertolucci, diretor executivo de Tecnologia e Inovação da Suzano, a fusão com a Fibria não poderia ter acontecido em momento mais oportuno, “pois agora temos todas as condições, a partir das competências reunidas, de nos posicionarmos como protagonista desse almejado futuro mais sustentável”.

Ele acredita que, aliando à inquietude da Suzano com a movimentação da sociedade em prol de um futuro melhor, o processo de amadurecimento da bioeconomia tende a caminhar de forma mais ágil. “A sociedade começa a perceber de forma muito clara que alguns produtos usados atualmente não são adequados para o futuro do planeta. Todas as megatrends mostram que, até 2050, a pressão por produtos renováveis só vai aumentar. Isso porque já está claro que são soluções melhores em muitos aspectos. Neste contexto, o nosso setor e a Suzano, pelo seu tamanho e representatividade, encontram-se do lado certo da equação que vai levar essas soluções à sociedade”, prospecta Bertolucci.

* Com informações da revista O Papel

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