Notícias Personal Care

Queda no lucro da P&G gera aumento nos preços

A Procter & Gamble (P&G), anunciou na última terça feira o aumento de 3% na receita, queda de 15% no lucro do segundo trimestre e mudanças em sua estratégia. Insumos mais caros e o câmbio levaram a maior fabricante de bens de consumo do mundo a aumentar os preços.

A companhia obteve lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no quarto trimestre fiscal de 2018, encerrado em 30 de junho. Esse resultado significa uma queda de 15% na comparação com igual período fiscal de 2017. A receita cresceu 3%, para US$ 16,5 bilhões, em linha com a média das projeções dos analistas. Despesas com reestruturação e aposentadorias dos funcionários interferiram na última linha do balanço.

Jon Moeller, diretor de finanças da P&G, falou brevemente ontem sobre o impacto dos 11 dias de paralisação dos caminhoneiros no Brasil, entre maio e junho deste ano. “Foi a pior greve nos transportes em mais de 20 anos, interrompendo nossas remessas de produtos por duas semanas”, comentou o executivo, em teleconferência com analistas.

A divisão com melhor desempenho no período foi a de produtos de beleza, com crescimento de 10% na receita, para US$ 3,1 bilhões. Os produtos para pele e cuidados pessoais tiveram avanço de dois dígitos nas vendas, em termos orgânicos. A área de produtos para bebês, mulheres e de cuidado com a família teve retração de 2%, para US$ 778 milhões.

Ontem, Moeller informou sobre a mudança na estratégia de preços. A gigante de consumo decidiu elevar os preços de suas principais marcas. A decisão é motivada pelo impacto da escalada dos preços de insumos como celulose, papel e energia, além das variações das taxas de câmbio.

Mais de um ano depois tentando combater a fraca demanda com preços baixos em produtos como o detergente Tide e a lâmina de barbear Gillette, o comando da P&G disse ontem que a companhia está mudando seu curso, aumentando os preços das fraldas Pampers e de suas marcas de papel higiênico.

A empresa aumentará em 4% os preços das fraldas Pampers nos Estados Unidos e em 5% dos papéis higiênicos Bounty, Charmin e Puffs. Os ajustes entrarão em vigor no final deste ano ou no começo de 2019.

A P&G é última das grandes empresas americanas que estão elevando seus preços diante de uma economia forte nos Estados Unidos e altos gastos do consumidor.

“Existe incerteza em relação a esses movimentos de preços e como eles poderão afetar negativamente o consumo. Teremos que nos ajustar conforme formos aprendendo”, afirmou o executivo. Para o fim do ano fiscal de 2019, a P&G estimou crescimento nas vendas orgânicas entre 2% e 3%, além de incremento nas vendas orgânicas.

Outras multinacionais que atuam no mercado brasileiro também reportaram impactos decorrentes da greve dos caminhoneiros. Na semana passada, a Unilever informou que os resultados do primeiro semestre recuaram devido a essa paralisação. O Brasil é o segundo maior mercado da fabricante de produtos como sabão Omo, sabonete Dove e caldo de carne Knorr. O lucro líquido semestral caiu 2,3%, em base anual, a EUR 3,04 bilhões.

A Colgate-Palmolive, que produz o limpador Pinho Sol, os sabonetes Protex e as pastas de dentes Sorriso e Colgate, teve queda de 7% nas vendas da América Latina. O Brasil puxou as vendas para baixo. A região respondeu por 24% das vendas líquidas da companhia no segundo trimestre. O lucro líquido encolheu 21,54%, para US$ 637 milhões.

Fonte: Valor Econômico 

Comente com Facebook

Comentários