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Produção de celulose volta a prejudicar relação Uruguai-Argentina

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O governo argentino reagiu nesta sexta-feira ao anúncio do governo uruguaio referente a autorização para a fábrica de celulose da UPM, às margens de um rio na fronteira entre os dois países e afirmou que “reavalia” a relação bilateral, segundo um comunicado da chancelaria.

“Trata-se de um gesto inamistoso de parte do seu governo em um tema que, desde outubro de 2013, surgiu como uma nova etapa da controvérsia entre nossos países em torno da violação, por parte do Uruguai, do estatuto do Rio Uruguai”, destacou a nota, que transcreve uma carta endereçada ao chanceler uruguaio, Luis Almagro.

Na missiva, assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, a Argentina informa que recorrerá outra vez à Corte Internacional de Haia e que “reavalia todas as políticas de relacionamento bilateral com o Uruguai”.

O governo do presidente uruguaio, José Mujica, autorizou o aumento de produção de celulose da finlandesa UPM, às margens do rio Uruguai, de gestão compartilhada com a Argentina, que rechaçou a instalação da fábrica alegando razões ambientais devido aos seus efeitos contaminantes.

A UPM destacou, em um comunicado, que sua fábrica “cumpriu todas as exigências impostas pelo Ministério da Habitação, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente (do Uruguai), sendo autorizada a aumentar sua produção nos níveis solicitados no ano de 2011”.

A fábrica, que funciona desde 2007 foi objeto, desde a sua construção, de um conflito severo com a Argentina.

Militantes ambientalistas de Gualeguaychú (230 km ao norte de Buenos Aires), cidade ribeirinha argentina em frente à qual fica a fábrica, bloquearam durante quase três anos e meio o tráfego por uma ponte internacional que une os dois países.

A Argentina levou o caso à Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia, que rejeitou em 2010 sua demanda para realocar a fábrica, alegando não haver provas de que contamine o meio ambiente, mas determinou que os dois países controlem de forma conjunta o impacto ambiental no rio.

Os protestos foram retomados em outubro de 2013, quando Mujica autorizou à fábrica de celulose um aumento de 1,2 milhão de toneladas anuais.

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