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Preços de bobinas jumbo ensaiam recuperação com alta global da celulose 

Por Jorge Barbosa, repórter de preços da Fastmarkets 

Os preços das bobinas jumbo 100% de fibra virgem negociadas no Brasil começaram a dar os primeiros sinais de recuperação em 2026, impulsionados pela valorização da celulose no mercado global e pelos esforços dos fornecedores para preservar margens e repassar os custos fixos da produção de papel. 

A avaliação é da Fastmarkets, agência de referência em preços, que atualiza mensalmente o índice das principais bobinas jumbo negociadas no país. O levantamento referente a fevereiro aponta que o produto foi negociado em torno de R$ 6.400-6.850 por tonelada (US$ 1.227-1.314), alta de 0,4% em relação a janeiro. 

Embora modesto, o avanço marca o primeiro aumento nos preços da bobina jumbo de fibra virgem em dez meses, desde o início da série histórica. A metodologia da Fastmarkets considera preços líquidos, com desconto dos impostos incidentes sobre o produto. 

O movimento de tentativa de elevação dos preços já vinha sendo observado desde outubro de 2025, período em que o mercado de celulose passou a registrar reajustes na Europa e na Ásia. Como a bobina jumbo é altamente sensível às oscilações da matéria-prima, o cenário internacional reforçou a expectativa de que essa tendência pudesse, mais adiante, alcançar o mercado brasileiro. 

Desde então, muitos vendedores passaram a sinalizar aos convertedores que os preços poderiam subir no início de 2026. Em resposta, parte dos compradores negociou tabelas de preços fixas vinculadas a compromissos de compra para os meses seguintes, sem reajustes durante a vigência dos acordos. 

Apesar disso, o mercado doméstico de bobinas jumbo segue altamente competitivo e marcado por elevada volatilidade. Nesse contexto, compradores continuam sensíveis a reajustes, recorrendo à troca de fornecedores ou à suspensão temporária das compras quando aumentos são anunciados. 

Empresas integradas de grande porte, que vendem conforme oportunidade, conseguem praticar preços mais baixos graças a ganhos de escala e maior eficiência operacional. Já produtores menores enfrentam dificuldades para competir nas mesmas condições e recorrem à oferta de serviços adicionais como forma de agregar valor aos clientes. 

Em fevereiro, no entanto, houve um movimento mais amplo de tentativas de aumento, o que levou o índice de preços de referência a reagir pela primeira vez. 

A preocupação agora se estende ao segmento downstream, já que convertedores disseram à Fastmarkets que não veem espaço para repasses de preços. Uma tentativa malsucedida de reajuste, segundo fontes, pode resultar em represálias comerciais. Diante disso, muitos agentes aguardam movimentos das marcas líderes antes de tomar uma posição. 

No cenário internacional, a Asia Pulp and Paper (APP), maior produtora mundial de papel tissue, com sede na Indonésia, enviou cartas a clientes em todo o mundo informando que, a partir de janeiro, as bobinas jumbo sofreriam um aumento de US$ 50 por tonelada. A empresa afirmou que a demanda segue forte, enquanto os custos de produção aumentaram. 

Na China, os preços também avançaram em janeiro, ampliando a pressão sobre os convertedores regionais. A Fastmarkets avaliou a bobina jumbo de fibra virgem negociada no país em cerca de US$ 870 por tonelada, valor 29% inferior ao praticado no Brasil para o mesmo produto. 

Participantes do mercado dos Estados Unidos também relataram que os preços regionais recuaram ao longo de 2025 e que a expectativa é de recuperação para o início de 2026. Os valores variam conforme a tecnologia industrial utilizada, mas as bobinas convencionais são negociadas entre US$ 1.200 e US$ 1.300 a tonelada. 

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Fastmarkets

A Fastmarkets é uma líder global no mercado de índice de preços de commodities, com produtos na área florestal, metais, agricultura e crédito de carbono. Antigamente conhecida como RISI, ela publica no mercado brasileiro índices utilizados em transações de kraftliner, aparas, papéis gráficos e cartões, além de ser a detentora dos índices da FOEX, considerados benchmarking para o mercado de celulose.
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