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Novo Presidente da Eldorado Brasil comemora nota da Moody’s

Ao assumir o cargo de presidente da Eldorado Celulose, no início de dezembro de 2017, Aguinaldo Gomes Ramos Filho tinha a missão de completar um processo de transição que naquele momento prometia ter data definida. O ex-presidente da companhia José Carlos Grubisich tinha pedido demissão em 29 de setembro, dias após a venda da fabricante de celulose do grupo J&F para a Paper Excellence (PE) por R$ 15 bilhões. Com cerca de dez anos ocupando diversos cargos no frigorífico JBS, Ramos Filho trocaria carne por celulose por cerca de 60 dias. O prazo foi então estendido para 90 dias. Sexta-feira, após quase 400 dias no cargo, talvez tenha sido o melhor deles para o jovem executivo de 28 anos. A agência de classificação de risco Moody’s divulgou pela primeira vez uma nota para a empresa: Ba3, com perspectiva estável.

“É a melhor nota de classificação de risco em toda a história da Eldorado. Fomos avaliados em vários fatores e mostramos consistência em todos”, afirmou Ramos Filho ao Valor, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo. A empresa também é classificada pela Fitch, com a nota BB-. Nos dois casos, a companhia entra no grupo especulativo. “Estamos falando de uma empresa que foi montada do zero com sete anos de existência. Que saiu de uma alavancagem de 14 vezes para menos de duas vezes [em setembro de 2018].” A fábrica em Três Lagoas (MS) começou a operar no fim de 2012, com capacidade para 1,5 milhão de toneladas.

De poucas palavras e avesso à fotos, ele é discreto quando o assunto é a vida pessoal. Sobrinho de Wesley e Joesley Batista, maiores acionistas do grupo, o executivo afirma que a Eldorado fez sua lição de casa em 2018. E a despeito da disputa judicial em que estão envolvidas J&F e PE pelo controle, a empresa atingiu um “novo patamar”. A holding da família Batista tem 51% da Eldorado, enquanto a PE detém 49%. Desentendimentos quanto ao preço final da venda e à liberação de garantias prestadas pelo grupo brasileiro, pouco antes do prazo para conclusão da negociação, em setembro do ano passado, resultaram numa disputa judicial entre os dois lados. O desfecho ainda parece distante. A arbitragem que vai definir o futuro controle da companhia ainda não foi instalada.

Perguntado sobre qual seria esse “novo patamar”, considerando-se a Eldorado que encontrou no início de dezembro de 2017 e a que agora recebe a nota da Moody’s, o executivo fica em silêncio por alguns segundos. Logo em seguida responde orgulhoso que a companhia não perdeu nenhum funcionário nesse período – são 4 mil – e o dia a dia da companhia não foi conduzido sob a sombra da troca do controle. Cita que a empresa voltou a divulgar balanços auditados, agora pela BDO, e concluiu uma investigação interna, acompanhada pela Price. Entre 2016 e 2017, a Eldorado foi alvo de quatro operações da Polícia Federal por suspeita de pagamento de propinas: Sépsis, Greenfield, Cui Bono? e Lama Asfáltica.

O resultado, segundo seu presidente, é que o clima de incerteza sobre a mudança no controle e no comando foi trocado por um otimismo na continuidade da companhia, seja qual for o desfecho da disputa judicial dos acionistas. Ele afirma que os bônus da Eldorado estão com 104% do valor de face. Em meados de 2016, no olho do furacão da Lava-Jato, os bônus valiam menos de 80% do valor de face.

“Workaholic” assumido, Ramos Filho se transforma quando fala de trabalho. O jovem de calça jeans e camisa branca, que cursou o ensino médio na Suíça e ainda não conseguiu concluir o curso de administração por conta das várias transferências nos locais de trabalho na JBS, assume um tom firme e gestual ao dizer que no início fez questão de ser o primeiro a chegar ao trabalho e o último a sair, de segunda a segunda. Cauteloso com as palavras, ele evita qualquer comparação com seu antecessor, um executivo experiente e conhecido no mercado, mas não nega que teve de provar que não estava ali apenas por ser membro da família Batista.

O executivo garante que independentemente do cenário, se o controlador fosse A ou B, o trabalho teria sido o mesmo. “Temos de entregar o melhor resultado com os ativos que temos”, diz.

No seu comunicado, a Moody’s diz que a nota reflete as boas métricas de crédito e o bom desempenho operacional da empresa, com uma margem de lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) média de 60%, desde 2015.

“A Eldorado possui o menor custo operacional dentro da indústria global de celulose como consequência de sua localização privilegiada, disponibilidade de florestas e processo integrado em sua fábrica de última geração”, diz trecho do comunicado da agência. Mas existem fatores que limitam novas elevações do rating, como ter apenas um produto em apenas uma fábrica, apesar da capacidade de controlar os custos de produção.

A agência ainda destaca que o rating ou a perspectiva podem ser elevados se a administração “melhorar significativamente” sua situação de liquidez e estrutura de capital, reduzindo a dívida programada a vencer no curto prazo.

Ramos Filho faz coro à agência de risco. Ele disse que a expansão da fábrica, um projeto antigo da família Batista estimado em torno de R$ 8 bilhões, não começa a sair do papel em 2019. Fica, no melhor cenário, para 2020. O objetivo principal neste ano é “gerar caixa e reduzir dívida”.

Mesmo tendo atingido uma produção de 1,7 milhão de toneladas no ano passado, 200 mil acima da capacidade nominal e o equivalente a um mês da produção total anual de 21 milhões de toneladas no país em 2018, o presidente da Eldorado ainda vê espaço para algum crescimento neste ano. A fábrica, por exemplo, não tem nenhuma parada programada para manutenção em 2019. A última foi em novembro e a próxima será no início de 2020. Outro tema que vai merecer a atenção da direção da companhia é a melhora da governança neste ano.

Investimento novo, ele destaca R$ 300 milhões em uma térmica de 50 megawatts (MW) a ser abastecida com cavaco, tocos e até com as raízes das árvores cortadas para abastecer a fábrica. A energia será toda vendida.

E a criação da gigante Suzano S.A., com capacidade para produzir 11 milhões de toneladas, não mexe com os planos da Eldorado? Ele garante que não. O executivo repete como mantra o que já tinha falado em outros momentos da entrevista: temos de entregar o melhor resultado com os ativos que temos. E esse “melhor resultado” tem um objetivo bem audacioso. Ser grau de investimento.

Fonte: Valor Econômico

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