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Multinacionais querem comprar fabricantes de tissue no Brasil

Estrangeiros buscam ativos de papel no país

Grandes produtores estrangeiros de celulose e papel estão em busca de ativos de papel para fins sanitários (tissue) no Brasil. Ao mesmo tempo, diferentes fabricantes nacionais de papel higiênico estão à venda ou seus controladores, em geral famílias, estão abertos a conversar com potenciais compradores, depois que o forte aumento de custos e o excesso de oferta no mercado local comprimiram as margens entre 2017 e 2018.

Segundo fontes da indústria, a sueca Essity, que nasceu em 2017 de uma cisão da Svenska Cellulosa Aktiebolaget (SCA), a chilena CMPC – que acaba de unificar suas subsidiárias nesse segmento sob o nome Softy’s nos oito países em que tem operação – e a indonésia Asia Pulp & Paper (APP) aparecem entre as multinacionais que estão ativamente procurando oportunidades em tissue no mercado brasileiro.

Do lado dos vendedores, as fabricantes de papel higiênico Companhia Paduana de Papéis (Copapa), do Rio, e Ondunorte, de Pernambuco, que aparecem entre as três maiores nas regiões em que atuam, estão em busca de um comprador. Segundo fontes da indústria, além dessas duas empresas, há mais ativos disponíveis na indústria brasileira de tissue, que caminha para iniciar um ciclo de consolidação em 2019.

A sueca Essity ainda não tem operação no país, embora a SCA já produza localmente fraldas e absorventes. A CMPC, por sua vez, comprou em 2009 a Melhoramentos Papéis e desde então investiu mais de R$ 1 bilhão no negócio. No passado recente, teria abordado a paranaense Mili, dona da maior capacidade instalada no país, com vistas a uma potencial negociação.

A APP, que pertence à família Wijaya, já avaliou fábricas de celulose no país – a Paper Excellence, empresa de Jackson Wijaya, detém hoje 49,41% da Eldorado Brasil – e agora tem prospectado ativos em outros segmentos da indústria de base florestal. Desde que começou a buscar oportunidades no Brasil, a APP teria no radar também a instalação de uma máquina de tissue, um importante negócio para o grupo na Ásia.

Dona das marcas Carinho e BomPety, a Copapa é líder em volume de vendas em Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro e terceira maior na região metropolitana do Rio, segundo dados de julho da Nielsen. Fundada em fevereiro de 1960, tem capacidade de produção de 51 mil toneladas por ano. Em 2018, teve receita líquida de R$ 262 milhões, com alta de 2,7%. Fontes de mercado afirmam que não haveria um processo formal de venda, mas bancos de investimento têm abordado a empresa.

Já a Ondunorte, que detém as marcas Alpino, Rose e Leve, nasceu em 1966 e tem capacidade de produção de 120 mil toneladas anuais de papel higiênico, guardanapos, toalhas de papel e caixas de papelão ondulado. A empresa está em recuperação judicial.

A chegada de novos concorrentes e o forte aumento dos custos de produção de tissue, em um momento que os brasileiros reduziram os gastos por causa da crise econômica, impuseram desafios financeiros às pequenas e médias fabricantes brasileiras. O mercado mais concorrido também levou grandes empresas a praticarem preços mais baixos, o que afetou as margens da indústria como um todo.

Mais do que escala, um importante atrativo em uma potencial aquisição é a participação de mercado já detida pelas fabricantes brasileiras, já que o segmento é bastante pulverizado e caracterizado por marcas regionais líderes. Hoje, há sobrecapacidade nesse setor e a disputa por preço tem machucado a rentabilidade de todos. “Quem vender primeiro, vai vender melhor”, avalia o conselheiro independente Geraldo Affonso Ferreira, que atua no setor de celulose e papel.

Para Ferreira, fabricantes de tissue que não tenham produção própria de celulose, como tem a Suzano, ou não contem com uma cadeia de distribuição bem estruturada, como a Kimberly-Clark, devem continuar enfrentando dificuldades de melhorar as margens no curto e médio prazos. Havia expectativa no mercado de que a Suzano pudesse ser consolidadora também nesse segmento. Apesar de ativos de tissue terem sido oferecidos por bancos à companhia recentemente, o foco estaria, neste momento, em integrar as operações com a Fibria.

De acordo com o diretor da Anguti Estatística, Pedro Vilas Boas, o custo de produção de papéis para fins sanitários no país dobrou em dois anos, na esteira do aumento dos preços internacionais da celulose e das aparas brancas, que também são usadas na fabricação de papel higiênico.

Além disso, houve a chegada da Suzano a esse mercado, com uma capacidade equivalente a quase 10% do consumo nacional, e novas máquinas entraram em operação, o que levou o segmento a registrar produção recorde de 1,35 milhão de toneladas em 2018, em 61 fábricas, segundo a Anguti. “Com a maior concorrência, ficou difícil repassar os custos. Os preços do papel higiênico nas gôndolas dos supermercados brasileiros praticamente não subiu”, diz Vilas Boas.

Uma das maiores empresas brasileiras nesse segmento, a Santher, dona da marca Personal, sentiu no balanço as dores do crescimento em um momento de mercado competitivo e nova oferta de capacidade. No início de 2018, depois de meses de negociação com oito bancos, a empresa da família Haidar conseguiu alongar quase R$ 500 milhões em dívidas, ao mesmo tempo em que promoveu uma ampla reestruturação interna, com enxugamento de gastos e pessoal. Os sócios negam que a Santher poderia ser vendida.

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Este levantamento apresenta os principais fabricantes de papel tissue no Brasil em ranking definido por capacidade produtiva instalada.