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Mercado de embalagens enfrenta crise por falta de materiais

Ainda no ano passado, o setor de celulose, papel e papelão se deparou com a falta de insumos para a fabricação de itens cada vez mais demandados

O aumento da procura por embalagens de papel e papelão em todo o país é uma realidade desde o início da pandemia, há mais de um ano. O crescimento exponencial do comércio eletrônico e da alta demanda pelos serviços de delivery impactou toda a indústria de papel, fazendo com que caixas e sacolas em diferentes tamanhos, formatos e materiais se tornassem um produto de primeira necessidade para diversos setores.

No entanto, ainda em 2020, no auge dos recordes de encomendas, o mercado de celulose, papel e papelão se deparou com uma lacuna importante – a falta de insumos para a fabricação. A partir de então, teve início uma corrida por materiais, somada à escalada do dólar, que ocasionaram o aumento dos preços.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Eduardo Baggio, o segmento sofreu e continua sofrendo por conta da elevação do custo das aparas e do impacto do câmbio sobre as matérias-primas, além da redução da reciclagem, em virtude das mudanças no trabalho das cooperativas, catadores de papel e coleta seletiva.

Isso porque a diminuição drástica do consumo e descarte de embalagens, que fomentavam a indústria de reciclagem de papel, e o abandono do ofício por muitos catadores por diversos motivos, como o recebimento do auxílio-emergencial, fizeram com que essa engrenagem da cadeia ficasse desabastecida.

ALTA DEMANDA NÃO COMPENSOU PERDAS

Apesar do expressivo aumento do consumo de embalagens para delivery, visto que esses serviços continuaram funcionando, inclusive como a única saída para vários setores, essa demanda não compensou as perdas nos volumes de embalagens recicláveis em outras atividades. Os fabricantes de embalagens para lojas e o comércio em geral foram ainda mais impactados na produção de sacolas e caixas em virtude dos decretos de restrições comerciais.

“Os impactos foram muito grandes. E o dólar muito valorizado faz com que empresas exportem parte da produção. A balança do setor sempre foi muito equilibrada, não apenas em Minas, mas no Brasil de maneira geral. Assim, a produção que sempre foi a conta da necessidade do mercado interno, agora enfrenta dificuldade para atender a elevada demanda que chega de diferentes setores produtivos”, reconheceu Baggio.

INDÚSTRIA NEGOCIA PRAZOS E PREÇOS

Ao passo que a indústria papeleira trabalha para recuperar a coleta no mesmo nível pré-pandemia, também negocia prazos e preços com clientes. Esse cenário, visto nos primeiros meses deste ano, deverá continuar até meados de 2021.

“As empresas seguem em atividade normal ou acima do normal para compensar as perdas do ano passado. Ou seja, a demanda continua forte. E todas essas dúvidas e inseguranças causadas pela pandemia têm deixado as pessoas alarmadas com tudo. Assim como acontece e aconteceu com outros produtos, todo mundo quer papel neste momento e acaba comprando mais do que precisa, levando ao desequilíbrio entre oferta e demanda. Mas esperamos que isso se normalize até junho”, afirmou.

QUEDA NO FATURAMENTO

O setor em MG terminou 2020 com queda de 2,5% no faturamento em relação ao ano anterior, dadas as circunstâncias. Segundo o dirigente, no entanto, algumas empresas de pequeno porte chegaram a ter perdas de até 20% no mesmo tipo de comparação.

Para 2021, porém, a expectativa é fechar o ano nos mesmos patamares de 2020, o que, na visão do presidente do Sinpapel significa uma oportunidade de sobreviver, acompanhar mudanças no cenário e esperar por tempos melhores. “O país passa por essa enorme convulsão em razão do vírus. Aliás, todos os países do mundo estão na mesma situação. A economia brasileira caiu muito menos que outras mais maduras. Por isso, em vistas dessas circunstâncias, empatar é um bom negócio”, concluiu.

Fonte
Diário do Comércio
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