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Irani busca sócio estratégico para expansão

No grupo das cinco maiores fabricantes de celulose, a Celulose Irani busca um sócio estratégico para retomar agressivo plano de expansão. 

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Controlada pelo grupo gaúcho Habitasul, que tem 88,5% do capital total, a companhia pode abrir as portas para o novo acionista por meio de uma oferta pública restrita, com ingresso no nível 2 da BM&FBovespa e que marcará sua “reestreia” em bolsa. Procurada, a companhia não se pronunciou por estar em período de silêncio.

Há cerca de dois anos, a Irani já tinha em estudo dois projetos de expansão orçados em R$ 820 milhões no total. O plano prevê a ampliação da capacidade instalada em fábricas de Santa Catarina e Minas Gerais, com início de operação entre 2017 e 2019. Protocolos de intenção de investimento foram firmados com os Estados.

Como parte do financiamento, a Irani avaliava já na época a entrada de um novo sócio, com participação minoritária na empresa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também era considerado potencial fonte de recursos.

Antes, em meados de 2012, desistiu de realizar uma oferta primária e secundária de units, formadas por uma ação ordinária e quatro preferenciais, diante da deterioração dos mercados nacional e internacional. Naquele momento, os recursos também seriam usados para ampliação da capacidade instalada. Meses depois, uma controladora indireta da companhia anunciou a compra da concorrente Indústria de Papel e Papelão São Roberto.

Agora, as atenções voltaram-se ao mercado de capitais e a ideia é realizar uma oferta pública com esforços restritos de colocação – ou seja, para poucos e grandes investidores. O grupo Habitasul não vai vender papéis e reduzir sua posição. Os ajustes necessários à adesão da companhia ao nível 2 da bolsa paulista serão votados em assembleia geral extraordinária prevista para a sexta-feira da semana que vem.

Os recursos adicionais virão em um momento em que a Irani, assim como outras indústrias de papelão ondulado, sente o impacto negativo do aumento dos preços das aparas, usadas para obtenção de papel reciclado e importante insumo na produção desse tipo de embalagem.

De janeiro a setembro, a receita líquida da companhia somou R$ 583,2 milhões, alta de 3,3% na comparação com igual intervalo de 2015. O aumento dos custos, pressionados principalmente pelo aumento dos preços das aparas, pesou e o lucro bruto caiu 10,9%, a R$ 160,7 milhões. A queda seria ainda maior se a variação do valor justo dos ativos biológicos, que está incluída na rubrica, não tivesse melhorado no intervalo. Em 2015, a produção de papéis para embalagem da empresa ficou em 287,2 mil toneladas e as vendas de embalagens de papelão ondulado chegaram a 198,4 mil toneladas.

No ano até agosto, as aparas mostravam valorização de 77% no mercado, para quase R$ 700 por tonelada, diante do desaquecimento da economia – que reduz a quantidade de embalagens disponíveis para reciclagem – e da queda das importações (bens de consumo embalados são importante fonte de aparas). Fabricantes de embalagem tentam repassar essa alta para os preços de seus produtos, mas não têm conseguido reposição integral.

Para uma fonte da indústria, o movimento da Irani é estratégico, sobretudo em um ambiente de potencial consolidação, se o objetivo é garantir participação relevante no mercado e ampliar a produção própria de papel, com vistas a reduzir custos. Recentemente, por exemplo, a Klabin comprou a Embalplan, do Paraná, e a Hevi Embalagens, de Manaus (AM). No começo do ano, a irlandesa Smurfit Kappa chegou ao país com a compra de duas fábricas de uma vez e há margem para novas operações.

No terceiro trimestre, as embalagens representaram 65% da receita líquida da Irani. Outros 29% vieram de papéis para embalagens (rígidas e flexíveis) e 6% da área florestal e de resinas. Ao fim de setembro, a dívida líquida estava em R$ 721,8 milhões, frente a R$ 710,3 milhões três meses antes.

Valor Econômico