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Investigações pesam sobre decisões e planos da Eldorado

Eldorado Brasil em Três Lagoas - MS

Eldorado Brasil em Três Lagoas – MS

O envolvimento da Eldorado Brasil, produtora de celulose da J&F Investimentos, em duas investigações de pagamento de propina e fraudes dificulta o acesso a linhas de financiamento para o projeto de expansão de R$ 10 bilhões da fábrica de Três Lagoas (MS), na avaliação de fontes da indústria e do mercado financeiro. Além disso, a conjuntura desfavorável do setor de celulose, com sinais crescentes de sobreoferta por um período maior do que o esperado, pode representar um obstáculo aos planos da empresa.

Em pouco mais de dois meses, a companhia foi alvo de duas operações de busca e apreensão da Polícia Federal em seu escritório. Na mais recente, esta semana, batizada Greenfield, a Eldorado se viu envolvida em uma investigação de fraudes e desvios de recurso em fundos de pensão ligados a estatais – incluindo dois de seus acionistas, Petros (dos trabalhadores da Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal).

Pelo cronograma atual, a companhia prevê fechar, até novembro, a estrutura de capital do projeto de R$ 10 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões serão captados junto aos atuais acionistas e a entrada de um novo sócio ou uma oferta inicial de ações (IPO) não estão descartadas.

Com a investigação nos fundos, porém, a percepção é a de que essa fonte de recursos estaria inacessível, ao menos por enquanto. Petros e Funcef são donas de 17,06% da Eldorado Brasil, enquanto a J&F Investimentos, dona da JBS, detém 80,9%. Em uma primeira nota distribuída na segunda-feira, na esteira da operação da PF, a J&F informou que o investimento dos fundos valia, em dezembro, seis vezes mais do que o  aportado em 2009, de R$ 550 milhões.

“De acordo com último laudo independente (Deloitte) emitido em dezembro de 2015, a participação dos fundos atualizada é de R$ 3 bilhões”, informou a companhia. A auditoria também foi alvo da operação. Em outra nota, distribuída no mesmo dia à noite, a holding informou que esses valores constam de “laudos de duas renomadas auditorias independentes”.

O FI-FGTS, que está no centro da Sépsis, outra investigação da PF que também envolve a Eldorado, entraria com R$ 1,3 bilhão a R$ 1,5 bilhão para a construção da nova linha de celulose. A operação Sépsis foi deflagrada em 1º de julho, dentro da Operação Lava-Jato, com base em depoimento de delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto, que revelou a existência de um suposto esquema de propina para liberação de recursos do fundo.

Segundo Cleto, o empréstimo de R$ 940 milhões fechado pela Eldorado para financiar obras relacionadas a sua primeira fábrica teria sido tratado diretamente por ele com o presidente do conselho de administração da companhia, Joesley Batista. Para liberar os recursos, Cleto teria recebido R$ 680 mil em propina.

Após a operação, a companhia contratou o escritório Veirano Advogados e a Ernst & Young “para apuração das alegações relacionadas ao processo de financiamento com FI-FGTS”. Há duas semanas, informou que os trabalhos de investigação estavam em andamento.

Outros R$ 2,5 bilhões da expansão devem ser financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e cerca de US$ 700 milhões, levantados junto a agências de crédito à exportação (ECAs, na sigla em inglês) da Europa e da Ásia.

A Eldorado já opera uma fábrica de celulose em Três Lagoas, que entrou em atividade em novembro de 2012 após investimento de R$ 6,2 bilhões, e pretende instalar uma nova linha, com capacidade de até 2,5 milhões de toneladas por ano.

Segundo fonte da indústria, a companhia está trabalhando, mas em ritmo lento, no projeto de expansão, que pelo planejamento original entraria em operação em 2017, porém com capacidade inferior em 1 milhão de toneladas em relação ao tamanho atual. A previsão é que a linha comece a produzir em 2019.

Procurada, a Eldorado informou “que continua focada na viabilidade do programa de crescimento”.

Valor Econômico