Indústria 5.0: que bom que falar de pessoas não sai da moda
Por Regiane Herchcovitch
A automação pode reduzir erros, otimizar processos e aumentar a velocidade, mas não substitui julgamento, senso crítico, ética, criatividade e a capacidade de lidar com o inesperado.
É justamente nesse espaço que o ser humano permanece insubstituível.
Máquinas operam com excelência dentro de parâmetros definidos. Pessoas lidam com ambiguidade, exceções e consequências. E a indústria, especialmente o ambiente fabril, é feita exatamente disso: decisões sob pressão, leitura de contexto e escolhas que não cabem integralmente em um algoritmo.
Na Indústria 5.0, a tecnologia deixa de ser o centro da narrativa para se tornar um meio. O foco passa a ser a capacidade humana de interpretar sinais, conectar informações e agir com responsabilidade. Quanto mais sofisticados os sistemas, maior é a exigência sobre quem os opera, lidera e decide a partir deles.
Esse movimento desloca o desafio da esfera puramente técnica para a esfera humana. Não se trata apenas de capacitar pessoas para utilizar novas tecnologias, mas de desenvolver maturidade emocional, senso crítico e consciência ética. A tecnologia executa. O impacto continua sendo humano.
Nesse contexto, o papel da liderança se amplia. Não basta compreender processos ou indicadores. É preciso saber ler sinais de desgaste, sustentar conversas difíceis e criar ambientes em que a tecnologia seja aliada e não fonte de medo ou afastamento.
Investir em capacitação deixa de ser uma iniciativa acessória e passa a ser parte da estratégia. Desenvolver competências técnicas e emocionais fortalece o protagonismo das pessoas e torna a relação com a tecnologia mais agradável e sustentável.
Para a indústria do papel, de tissue, esse debate é ainda mais relevante. Falamos de um setor que combina alta tecnologia com forte presença humana no chão de fábrica. Um setor onde eficiência, qualidade e segurança caminham junto com pessoas que conhecem profundamente o processo, a matéria-prima e seus desvios, que não são poucos!
Quanto mais tecnologia incorporamos aos processos produtivos, melhores podem ser os resultados. Mas é o operador qualificado e engajado que transforma tecnologia em desempenho. É ele quem interpreta esses desvios, antecipa riscos e sustenta a operação quando o cenário foge do padrão.
A indústria de tissue tem, portanto, a oportunidade de ser uma representante exemplar da Indústria 5.0: um setor onde pessoas continuam fazendo a diferença, não apesar da tecnologia, mas por meio dela.
Falar de tecnologia é necessário.
Falar de pessoas é essencial.
E talvez por isso, ao longo de toda a minha trajetória na indústria, uma convicção tenha se fortalecido: falar de pessoas nunca estará fora de moda.
















