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Greve dos caminhoneiros gera possível aumento no preço da celulose

Com dificuldades de escoamento da produção e recebimento de insumos essenciais, como madeira e químicos, a indústria brasileira de celulose e papel deixou de produzir até 485 mil toneladas nos últimos dias, segundo estimativas de consultorias especializadas e analistas.

Os preços internacionais da celulose, que desde o ano passado se orientam em trajetória de alta, ganharam um importante suporte com a greve dos caminhoneiros no Brasil, maior produtor mundial da fibra de eucalipto.

Com dificuldades de escoamento da produção e recebimento de insumos essenciais, como madeira e químicos, a indústria brasileira de celulose e papel deixou de produzir até 485 mil toneladas nos últimos dias, segundo estimativas de consultorias especializadas e analistas.

Na avaliação do Itaú BBA, produtores estrangeiros devem anunciar aumentos de preço nos próximos meses, na esteira da maior concorrência dos clientes por volumes de matéria-prima, anulando a sazonalidade negativa típica da metade do ano.

Antes mesmo desse evento, que resulta em restrição de oferta, a espanhola Ence já havia anunciado novo valor de referência para a Europa a partir de 1 de junho, que embute aumento de US$ 20 por tonelada. É o terceiro reajuste aplicado no ano, elevando a US$ 1.070 por tonelada a cotação de referência naquele mercado. A expectativa é que mais empresas acompanhem o movimento.

Para o J.P.Morgan, a redução de produção em decorrência da greve dos caminhoneiros deve ficar entre 300 mil e 485 mil toneladas no país, com elevação de R$ 5 a R$ 7 por tonelada/dia nos custos. A consultoria Hawkins Wright, por sua vez, estima perdas de produção de pelo menos 320 mil toneladas de celulose. Já o Itaú BBA acredita em impacto negativo de 100 mil toneladas a 150 mil toneladas até ontem.

Todos os grandes produtores brasileiros enfrentaram algum tipo de redução de atividades ou parada total de produção por causa da greve dos caminhoneiros, segundo fontes ouvidas pelo Valor.

A Veracel, joint venture entre Fibria e Stora Enso, era a exceção, ao menos até segunda-feira. Havia expectativa de que, com o arrefecimento da greve, unidades fabris que reduziram carga ou pararam começassem a voltar à operação normal entre a noite de terça-feira e a manhã de quarta-feira.

Os problemas de oferta originados no Brasil ocorrem em um momento em que os preços da fibra curta parecem ter perdido fôlego. No início desta semana, o preço da fibra curta negociada no mercado europeu estava em US$ 1.050,01 por tonelada, alta de apenas US$ 0,05 em uma semana, conforme o índice PIX, da consultoria Foex. No mercado chinês, o preço líquido recuou US$ 0,32, para US$ 768, 76 a tonelada.

Na média do ano, e considerando-se as cotações na China, o BTG Pactual espera preço médio de US$ 730 por tonelada, frente a US$ 650 por tonelada anteriormente. O banco revisou recentemente — antes da greve dos caminhoneiros — as estimativas para os preços da fibra curta diante da manutenção do cenário favorável, especialmente de aperto entre oferta e demanda. Para 2019 e 2020, a cotação média projetada subiu de US$ 650 por tonelada para US$ 740 por tonelada. No longo prazo, a equipe de análise do BTG manteve expectativa de US$ 600 por tonelada.

Pelos cálculos do Itaú BBA, a paralisação dos caminhoneiros pode ter impacto negativo de R$ 250 milhões no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Suzano Papel e Celulose. Essa perda, porém, deve ser diluída nos próximos dois ou três trimestres. A instituição financeira manteve recomendação de compra (“outperform”) e preço-alvo de R$ 45 por ação ON da companhia.

A Suzano suspendeu integralmente a produção de celulose e papel na segunda-feira (28), por causa da greve de caminhoneiros no país.

Em relatório, os analistas Marcos Assumpção, Daniel Sasson e Carlos Eduardo Schmidt observam que os efeitos da greve nos resultados da companhia podem estar superestimados e a perda projetada de R$ 250 milhões leva em conta uma redução de 100 mil toneladas nos embarques a um Ebitda por tonelada de US$ 450, em linha com o primeiro trimestre, e despesas adicionais de R$ 100 milhões.

“Por outro lado, o impacto negativo nos resultados deve ser parcialmente compensado pelos preços mais altos da celulose e o real mais fraco nos próximos trimestres”, escreveram os analistas.

A desvalorização do real beneficia a Suzano uma vez que entre 80% e 90% de suas receitas estão atreladas ao dólar, ao mesmo tempo em que a maior parte dos custos está denominada em reais, incluindo o valor de aquisição da Fibria. Os analistas do Itaú BBA estimam que, a cada R$ 0,10 de desvalorização do real contra o dólar, o Ebitda da Suzano, incluindo Fibria, pode subir em R$ 600 milhões.

Fonte: Valor Econômico

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