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Fusão entre Suzano e Fibria tem gerado resultados vitoriosos

Para Walter Schalka, integração das produtoras de celulose criou competitividade muito difícil de ser replicada

O processo de fusão com a Fibria tem sido vitorioso e está no caminho para entregar as sinergias esperadas para 2019 e os próximos anos, disse nesta última terça-feira o presidente da Suzano, Walter Schalka. O executivo participou da abertura do 52º Congresso Internacional da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

“A Suzano criou, através da fusão com a Fibria, uma competitividade muito difícil de ser replicada”, disse. A companhia projeta economias de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões ao ano a partir da integração das produtoras de celulose, com a captura de 40% em 2019, 90% no ano que vem e 100% a partir de 2021.

Neste momento, conforme Schalka, a Suzano tem se concentrado em três pontos de trabalho no que diz respeito à fusão. O primeiro é a captura de sinergias, seguido da modernização de processos e sistemas e, finalmente, a cultura corporativa. Em processos, Suzano e Fibria usavam o mesmo sistema de gestão ERP, porém com customizações diferentes. Em 1º de janeiro, o sistema único será implementado.

Mercado

Para Schalka, os baixos preços da celulose no mundo devem levar naturalmente a um ajuste na oferta, com a consequente redução dos estoques globais ao longo do tempo com pressão positiva nas cotações. “Alguns players estão com as margens muito apertadas e isso deve levar a algum ajuste do lado da oferta”, comentou.

Para o executivo, os preços da celulose de fibra curta parecem estar perto do piso ou já terem tocado o piso. De acordo com a consultoria Foex, nesta semana, houve mais queda nas cotações. Na China, o preço líquido recuou US$ 1,88, para US$ 462,02 por tonelada. Na Europa, a baixa foi de US$ 2,39, para US$ 700,10 por tonelada. “Vejo pouco espaço para uma queda mais forte”, disse Schalka.

Do lado da demanda, conforme o executivo, as encomendas na Ásia foram normalizadas e não houve mudança estrutural. O consumo de tissue (usado em papel higiênico, guardanapos e fraldas) no mundo segue em crescimento, alimentando a demanda de celulose, e o declínio no mercado de papéis de imprimir e escrever nos Estados Unidos e na Europa não teve impacto muito significativo para a fibra. “O que houve foi uma mega alteração dos estoques [de celulose]”, explicou.

No mercado brasileiro, acrescentou, a retomada da economia não tem ocorrido conforme o esperado. “O Brasil tem uma enorme oportunidade para fazer as reformas necessárias para tornar a economia mais moderna e dinâmica. Espero que aproveite essas oportunidades.”

Investimentos

Schalka afirmou que nenhum outro setor está investindo tanto no Brasil quanto a indústria de celulose e papel, que nos últimos dez anos também liderou o ranking de desembolsos em florestas, novas fábricas e pesquisa e desenvolvimento. “Nunca se investe tanto, há tantos anos, em um único setor”, destacou.

Neste momento, há pelo menos quatro projetos em andamento na indústria, que acumulam investimentos bilionários. A Klabin vai construir duas máquinas de papel kraftliner integradas à produção de celulose, a Duratex e a Lenzing estão construindo uma fábrica de celulose solúvel, a Bracell está ampliando a antiga Lwarcel e a WestRock está ampliando a produção de papéis para embalagens. “O Brasil, como sabemos, tem uma série de vicissitudes, mas esse setor é implacável no investimento”, afirmou.

Diante disso, seguiu o presidente da Suzano, o Brasil manterá o protagonismo na indústria globalmente. Hoje, o país tem capacidade de produção de 19 milhões de toneladas ao ano de fibra curta, com participação superior a 30%, contra cerca de 64 milhões de toneladas da produção global de todos os tipos de celulose de mercado. “O Brasil continua investindo em qualquer cenário e vai continuar sendo relevante no mercado internacional”, acrescentou.

Pilar ESG

Na avaliação do presidente da Suzano, “acabou o mundo em que lucratividade é o único fator diferencial e até de remuneração aos executivos”. “Continuará sendo importante, mas outros fatores são tão importantes quanto: o social, o ambiental e a governança. Vamos colocar cada vez mais foco nisso”, afirmou.

O executivo se referiu ao pilar ESG (sigla em inglês para meio ambiente, sociedade e governança) ao listar os três pontos de trabalho que estão no foco da companhia após a fusão com a Fibria. Ele destacou que, hoje, 20% dos membros do conselho de administração são independentes e todos os comitês que assessoram o colegiado são formados basicamente por executivos que não têm vínculos com o controlador ou com a empresa.

No que se refere a meio ambiente, Schalka destacou que o Brasil tem a oportunidade de mostrar que as florestas plantadas podem ser um instrumento importante para absorção de carbono e que a indústria de celulose e papel é uma das poucas no mundo que podem substituir materiais não renováveis. “O setor tem um potencial enorme e a Suzano quer ser mais competitiva ainda”, afirmou.