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Fusão entre Suzano e Fibria agora depende da área técnica do CADE

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve concluir nos próximos meses a análise sobre a fusão entre as produtoras de papel e celulose Suzano e Fibria.

De acordo com fontes ligadas ao tribunal, a interpretação atual dessa área do órgão antitruste é que a operação não causa problemas concorrenciais e, por isso, deve ser aprovada sem restrições.

A atual análise dá um novo tom ao processo no Cade ao interpretar que não há nenhum ponto do acordo que desperte preocupação suficiente para a criação de um remédio concorrencial. Antes, até mesmo entre os diretores das empresas envolvidas era reconhecida a possibilidade de algum tipo de medida.

Quando o parecer da Superintendência-Geral em um ato de concentração recomenda a aprovação sem restrições, a decisão é, em regra, final – mas ela ainda pode ir para análise do tribunal se for “avocada” (trazida) por um dos conselheiros que discordar da análise ou se houver recursos de terceiros.

Com esse parecer da Superintendência-Geral, seria dado um passo relevante para a formação da nova companhia – de R$ 66 bilhões em valor de mercado. A empresa formada seria equivalente à décima maior na bolsa e a quarta mais valiosa no setor industrial. A Fibria é a líder na produção global de celulose.

A fusão levaria a formação de uma empresa com capacidade de produção que poderá atingir 11 milhões de toneladas. São cerca de 8 milhões de toneladas da Fibria e 3 milhões nas vendas a terceiros pela Suzano. Trata-se de um negócio com resultados relevantes no mercado, o que criou expectativas de que o Cade poderia impor restrições.

Na análise do caso, o Cade recebeu informações de outras empresas que pediram para se manifestar como interessadas na fusão. A International Paper, que atua na área de celulose e tem sede nos Estados Unidos, alegou que poderia ser afetada pela operação, pois possui relação com a Fibria em alguns locais no Brasil, como o município Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. O órgão antitruste aceitou receber informações da International Paper.

Por outro lado, o Cade rejeitou um pedido da Royal Golden Eagle (RGE), grupo que tem atividades neste setor no Estado da Bahia e agora em São Paulo (ver reportagem abaixo) e gostaria de ingressar com informações sobre a fusão. A avaliação da Superintendência do órgão antitruste foi a de que essa companhia não trouxe “justificativas que pudessem corroborar seu legítimo interesse em habilitar-se como terceiro interessado”.

O negócio entre Fibria e Suzano já foi aprovado por órgãos de defesa da concorrência nos Estados Unidos e China. Procurada, a Fibria disse apenas que espera pela conclusão do Cade após já ter recebido decisões favoráveis à fusão pela Federal Trade Commision, nos Estados Unidos, e pela autoridade concorrencial na China. A Suzano também não quis se pronunciar sobre o assunto.

O BTG Pactual divulgou relatório ressaltando que a aprovação na China reduz os riscos sobre o negócio.

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