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Fibria e Suzano: o que esperar da união destas gigantes

A compra da concorrente Fibria fez a fabricante de papel e celulose Suzano valorizar 11 bilhões de reais em dez dias

Foi mirando um alvo a 17.000 quilômetros de distância que a fabricante de papel e celulose Suzano deu o passo mais ambicioso de sua história ao anunciar, no dia 16 de março, a compra da concorrente Fibria num negócio de 35 bilhões de reais. O enriquecimento dos últimos anos fez dos chineses vorazes compradores de smartphones, carros, roupas — e celulose. O consumo de papel cresceu 90% no país em dez anos. A volúpia transformou a China no maior fabricante de papel do planeta, com 28% da capacidade global. Até o ano passado, a demanda era atendida principalmente com aparas de papel e com a reciclagem. Mas, neste ano, o governo chinês proibiu as importações desses insumos para forçar a compra de celulose branqueada, mais nobre, usada, por exemplo, em papel para imprimir.

De 2015 a 2017, as importações dessa fibra pela China subiram 33%, e devem crescer ainda mais. Nenhum país é tão eficiente na fabricação desse tipo de celulose quanto o Brasil. Para fazer frente a essa demanda, Suzano e Fibria criaram uma empresa gigantesca de qualquer ângulo que se olhe.

O negócio foi anunciado na noite de 15 de março. O braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDESPar, anunciou que, junto com o grupo Votorantim, seu sócio na Fibria, havia aceitado uma proposta da Suzano para vender a Fibria. Suzano e Fibria produzem, juntas, mais de 9 milhões de toneladas de celulose por ano.

A Ásia é destino de 34% das exportações. Com 11 fábricas e 37.000 funcionários diretos e terceirizados, as empresas têm uma receita combinada de 22 bilhões de reais. Ao longo dos anos, em muitas ocasiões as famílias Feffer, dona da Suzano, e Ermírio de Moraes, controladora do grupo Votorantim, discutiram a possibilidade de fusão, mas o momento ideal só chegou agora. “Era um sonho há muito acalentado, porém, uma série de situações impedia. Numa hora, uma das empresas estava muito endividada; na outra, os focos de negócio eram diferentes”, diz Walter Schalka, presidente da Suzano e futuro presidente da nova companhia. “Agora, houve um alinhamento dos astros.”

Exame