MercadoNotíciasTissue Summit

Fastmarkets aponta excesso de capacidade e pressão sobre preços no setor durante o Tissue Summit Brasil 2026

Dados apresentados por especialistas indicam avanço das exportações e maior potencial de crescimento no segmento AfH diante de um mercado pressionado

O mercado brasileiro de tissue atravessa um momento de ajuste estrutural, marcado por excesso de capacidade, pressão sobre preços e busca por novos canais de escoamento, segundo dados apresentados pela Fastmarkets durante o Tissue Summit Brasil 2026. A apresentação foi conduzida por Jorge Barbosa, repórter de preços de tissue e celulose LATAM, e Stephanie Hsia, economista de tissue.

Atualmente, produtores não integrados respondem por 55% da produção nacional, enquanto os integrados concentram 45%. Ao mesmo tempo, o país deve gerar cerca de 450 mil toneladas de papel reciclado branco em 2025, reforçando a relevância da base de matérias-primas no setor. Nesse contexto, os custos seguem fortemente atrelados aos insumos, que representam entre 50% e 60% da produção.

Ao longo de 2025, os preços de bobinas jumbo registraram queda relevante, passando de cerca de R$ 7.300 para R$ 6.400. O movimento foi mais acentuado do que a própria retração nos preços da celulose, refletindo um ambiente de excesso de oferta, maior competição entre players e expansão recente da capacidade produtiva, especialmente entre fabricantes integrados.

Esse cenário está diretamente ligado ao ciclo de investimentos dos últimos anos. Entre 2020 e 2025, o Brasil adicionou mais de 300 mil toneladas de nova capacidade, enquanto a demanda avançou de forma mais limitada, impactada pelo ambiente econômico. Como resultado, o setor deve registrar um excedente de aproximadamente 129 mil toneladas em 2025, com projeção de 106,5 mil toneladas em 2026. Ainda assim, projetos de expansão continuam no radar das empresas, indicando uma visão de crescimento no médio prazo.

EXPORTAÇÕES E NOVAS FRENTES DE CRESCIMENTO

Diante da capacidade ociosa, as exportações passaram a desempenhar papel estratégico para o setor. Em 2025, o Brasil deve exportar cerca de 132 mil toneladas de boninas jumbo, representando 73% desse volume. Os principais destinos incluem Estados Unidos, Reino Unido e Arábia Saudita, reforçando a competitividade do país no mercado internacional, especialmente para América do Norte e Europa.

Ao mesmo tempo, o mercado latino-americano apresenta sinais de mudança na dinâmica de consumo. O segmento away-from-home (AfH) deve crescer, em média, 2,8% ao ano até 2028 — ritmo superior ao do consumo doméstico. A recuperação após um 2024 mais restrito e a retomada de setores como hotelaria e alimentação fora do lar sustentam essa trajetória. Ainda com participação de 19% na região, abaixo da média global de 23%, o AfH indica espaço relevante para expansão.

No cenário internacional, a concorrência também se intensifica com o avanço de produtores asiáticos na América Latina, ampliando a presença de tissue importado. Globalmente, o crescimento deve ser puxado principalmente pela China, responsável por mais da metade da expansão prevista entre 2026 e 2028, enquanto mercados maduros como América do Norte e Europa tendem a registrar evolução mais limitada, devido ao alto consumo per capita.

Esse conjunto de fatores aponta para uma reconfiguração do mercado brasileiro de tissue, em que exportações ganham protagonismo, margens seguem pressionadas e oportunidades se concentram em nichos com maior potencial de crescimento.

Mostrar mais
Botão Voltar ao topo