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Exportações de papel e celulose ajudam a preservar empregos

Embora tenha demitido mais que contratado em 2015, indústria de papel registrou o menor saldo líquido negativo de empregos entre os segmentos industriais. Exportações em alta, puxadas pela demanda e pelo dólar mais caro, ajudaram no desempenho.

FOTO CARLOS OLIVEIRA

FOTO CARLOS OLIVEIRA

As exportações ajudaram a indústria de papel a salvar alguns empregos em 2015. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Previdência Social mostram que, entre os segmentos da indústria, o de papel, foi o que apresentou o menor saldo negativo – diferença entre admissões e desligamentos – de vagas com carteira assinada em dezembro. No mês, foram fechados 6.445 mil postos de trabalho. No ano de 2015, a indústria fechou 24.732 vagas, e esse foi o segundo menor saldo negativo entre todos os setores econômicos.

Em um ano que a indústria de transformação fechou 608.878 vagas, o resultado do setor de papel, abaixo da média, foi destaque. O desempenho foi beneficiado pelas exportações que foram favorecidas pela maior demanda externa pela mercadoria brasileira e alta do dólar frente ao real. Dados da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) mostram que de janeiro a novembro de 2015, a venda interna de papel caiu 4,1%. Por outro lado, as exportações aumentaram 10,1%.

A alta das exportações também é comemorada pela indústria de celulose. Enquanto os preços das commodities caíram no último ano, um produto continuou em alta: o da celulose. De acordo com a Ibá, a demanda da celulose brasileira permanece elevada.

A China foi um dos principais mercados a absorver o produto brasileiro. As vendas para o país asiático cresceram 8,38% em 2015, na comparação com os resultados de 2014, sendo o quarto principal produto brasileiro naquele mercado, de acordo com os dados da balança comercial brasileira. Além disso, a recuperação da economia dos Estados Unidos fez com que houvesse crescimento também das vendas de celulose. Embora mais tímido (0,99%), o produto só perde posição para aviões, óleos brutos de petróleo, produtos manufaturados de ferro e aço e café em grão.

O resultado foi um recorde de exportações tanto pelo lado das toneladas embarcadas quanto pelas receitas recebidas pelos exportadores. Em quantidade de produto, o crescimento das exportações foi de 9,8%. Quanto ao valor exportado, ou seja, considerando o preço pago pelo produto, o aumento foi de 6,8%. Além dos países citados, Holanda, Itália, Bélgica, Espanha, França, Japão e Coreia do Sul figuram entre os principais destinos da produção brasileira.

“As exportações brasileiras também foram beneficiadas pela valorização do dólar em relação ao real”, disse Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Ibá, ao site Fato Online.  Para ela, a desvalorização do real somada a alta do preço contribuíram para a recuperação de receitas do setor. Ela lembra que os dados da organização, até novembro, também apontam para aumento da produção, em torno de 4% na comparação com 2014.

Para este ano, o setor continua animado em relação as vendas ao mercado externo, em função da valorização do câmbio e o aumento da demanda de mercados como Europa e Estados Unidos. No entanto, também está apreensivo por conta da expectativa de mais um ano de retração da economia brasileira e de inflação alta, segundo projeções econômicas. “A inflação alta impacta diretamente nos custos das empresas”, lembrou Carvalhaes.

Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a confiança do empresário industrial reflete essa preocupação. Assim como todos os setores e segmentos, também a indústria da celulose está pessimista, aponta o Icei (Índice de Confiança do Empresário Industrial). O indicador que vai de 0 a 100, e apenas resultados acima de 50 pontos indicam otimismo, está situado em 34,6 pontos. Em janeiro de 2014, estava em 43,5 pontos.

De acordo com a Ibá, 90% da celulose brasileira vai para o exterior e, no último ano, com o desaquecimento da economia interna, produtores de outros insumos florestais viram nas vendas ao mercado externo uma oportunidade de garantir receitas. As exportações de painéis de madeira, por exemplo, cresceram 27,5% e de papel, 4,5%, até novembro, tendo como destino países como Chile, Reino Unido, França e Vietnã.

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