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Estoques de celulose seguirão em queda, diz presidente da Suzano

Excesso vinha provocando desequilíbrio no mercado global, que levou a queda dos preços internacionais da fibra

O presidente da Suzano, Walter Schalka, disse na última sexta-feira que a companhia continuará reduzindo seus estoques de celulose, que seguem acima dos níveis normais, no quarto trimestre de 2019 e em 2020, por meio de uma combinação de produção e vendas. No terceiro trimestre, a companhia reduziu em cerca de 450 mil toneladas esse volume.

“Mas não vamos fornecer uma projeção de produção”, ponderou o executivo, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do terceiro trimestre, divulgados na véspera. “Ontem anunciamos a suspensão da projeção para 2019 para não oferecer informações a nossos competidores”, acrescentou.

Com resultados trimestrais ainda fracos mas em linha com o esperado pelo mercado, a Suzano surpreendeu ao anunciar a extensão da redução de estoques, o que dá fôlego às ações da companhia nesta sexta-feira. Pela manhã, os papéis lideravam as altas do Ibovespa, com ganho de 5,76%, para R$ 34,52 cada.

Analistas esperavam, na média, uma queda de 300 mil toneladas nos estoques da companhia, que atingiram nível recorde na virada do ano e vinham provocando um desequilíbrio no mercado global, que levou à queda dos preços internacionais da fibra.

Ao iniciar a apresentação a analistas, Schalka destacou a queda nos inventários e reiterou que esse movimento continua ocorrendo. Conforme o executivo, a administração ficou feliz com o desempenho operacional no trimestre, mas “um pouco frustrada” com o preço da celulose.

O executivo chamou a atenção ainda para o aumento de 15% das vendas de fibra na comparação com o segundo trimestre e para a flexibilidade da companhia em ampliar exportações de papel, uma vez que “o mercado local não está performando conforme o esperado”.

De acordo com o diretor de comercial celulose da Suzano, Carlos Aníbal, a indústria segue navegando por um momento difícil de mercado, mas a expectativa para os próximos meses é de maior balanceamento entre oferta e demanda de fibra.

“Ainda estamos operando em um ambiente adverso, mas esperamos que as condições de mercado melhorem no curto e médio prazo. Os fundamentos de mercado não mudaram para pior”, afirmou Aníbal.

Na China, explicou o diretor, os menores preços de celulose levaram à maior ocupação nas fábricas locais de papel, embora não tenham resultado ainda em um fechamento de capacidade produtiva de fibra tão significativo quanto o que ocorreu no ano passado. Nesse ambiente, a previsão é de normalização dos estoques de celulose nos portos chineses no quarto trimestre e potencial recuperação do mercado em 2020.

Aníbal afirmou ainda que, do lado da demanda, há uma melhora sazonal e a diferença de preços entre fibra curta e fibra longa estimula a substituição das matérias-primas, favorecendo o primeiro tipo de fibra neste momento. “Há boas perspectivas do lado da demanda”, comentou.

Do lado da oferta de celulose, o diretor lembrou que a produção no quarto trimestre é tipicamente menor, já que muitos produtores aproveitam o período para realizar paradas para manutenção, e algumas paradas, no Canadá e na Europa, estão sendo estendidas.

Menos investimentos

Os investimentos da Suzano em 2020 serão “significativamente menores” do que o realizado neste ano, afirmou na teleconferência o diretor de finanças e relações com investidores da companhia, Marcelo Bacci. “Vamos anunciar o número no fim do ano, mas será menor do que em 2019”, disse.

A Suzano já havia revisado para baixo o orçamento de 2019, para R$ 5,9 bilhões. Conforme Bacci, essa política será mantida até que a alavancagem financeira da companhia volte a 3 vezes, pela relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), ou caia abaixo desse nível. “Estamos anunciando um plano de resolver essa questão e acreditamos que as medidas agora contempladas serão suficientes”, afirmou, acrescentando que o plano pode ser revisto caso as condições de mercado mudem.

O pacote de iniciativas anunciado pela Suzano contempla redução dos investimentos, monetização de US$ 500 milhões em estoques de celulose e venda de ativos não estratégicos, com ênfase em madeira.

Ao mesmo tempo, a Suzano reafirmou que deve capturar 90% das sinergias anuais estimadas a partir da fusão com a Fibria em 2020.

Apesar da política mais restritiva aos investimentos adotada para 2020 e 2021, a companhia poderá eventualmente comprar áreas florestais que estejam mais perto de suas unidades produtivas, disse Schalka.

“A dinâmica da Suzano é de criação de valor. Então, a aproximação de áreas florestais interessa e podemos continuar fazendo em contrapartida a desinvestimentos em áreas mais distantes”, comentou.