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Estatal Chinesa entra na disputa pela Eldorado Brasil

Chineses entram na briga pela empresa de celulose da J&F

A estatal China Paper é a mais nova interessada na Eldorado, empresa de celulose da J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Os chineses sinalizaram estar dispostos a pagar quase R$ 16 bilhões por 100% da empresa.

O valor superou os mais de R$ 15 bilhões oferecidos pela rival indonésia APP (Asia Pulp and Paper Group). A negociação com a APP está mais avançada, mas os chineses vêm sendo bastante agressivos.

Procurada, a J&F não se pronunciou.

Os Batista tiveram que se desfazer de parte do seu império para reduzir a desconfiança dos bancos, depois que admitiram, em um acordo de delação premiada, pagar propina a políticos.

Pessoas que acompanham as negociações afirmam que os asiáticos querem aproveitar a oportunidade e utilizar a Eldorado como plataforma para fabricar celulose no Brasil, um dos países com menor custo de produção no mundo.

A chilena Arauco chegou a ter um acordo de exclusividade com a J&F após oferecer R$ 14 bilhões pela Eldorado. Mas o negócio não foi concretizado no prazo, o que abriu espaço para a chegada de outras propostas.

Entre os players nacionais, a Fibria tem interesse no negócio, porque também possui fábrica em Três Lagoas (MS). A companhia, no entanto, não está disposta a pagar o mesmo que os asiáticos.

A Fibria aposta que os valores vão cair depois que APP e a China Paper fizeram uma “due dilligence” da Eldorado, porque a empresa teria pendências judiciais e contábeis.

A China Paper contratou o HSBC para assessorar no negócio. A APP está com o BTG, a Arauco, com o Santander, e a Fibria, com o Morgan Stanley. Os Batista conduzem as negociações sem assessores financeiros. O próprio Joesley fala com os interessados.

Pessoas próximas à família dizem que a J&F não tem pressa de repassar a Eldorado, pois ganhou fôlego financeiro com outras vendas relevantes.

Já foi vendida a Alpargatas, fabricante das Havaianas, por R$ 3,5 bilhões para as famílias controladoras do Itaú. A Lala (México) levou a Vigor por R$ 5,7 bilhões.

A JBS, carro-chefe dos negócios do Batista, vendeu suas operações de carne bovina na Argentina, no Uruguai e no Paraguai para o Minerva por US$ 300 milhões. O frigorífico também renegociou suas dívidas de curto prazo.

Com R$ 7,5 bilhões de dívida, a Eldorado pode render mais de R$ 6 bilhões para os Batista, que têm 80% de participação. Os fundos Petros e Funcef também são sócios.

A J&F não divulga a dívida total do grupo, mas antes dessas operações chegava a cerca de R$ 70 bilhões. Além disso, a holding se comprometeu a pagar uma multa de R$ 10,3 bilhões às autoridades.

folha.uol.com.br

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