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Escassez de aparas leva à perda de rentabilidade, avalia presidente da Anap

Pedro Vilas Boas opinou sobre o atual mercado de tissue e como o preço e a disponibilidade das matérias-primas interferem na produção e no lucro dos fabricantes

Pedro Vilas Boas, diretor da Anguti Estatística e presidente executivo da Anap (Associação Nacional dos Aparistas), comentou, no programa Talk Tissue com Felipe Quintino, como tem visto o mercado de papel tissue diante da pandemia do coronavírus.

Para ele, apesar do boom na demanda para papel higiênico no início da pandemia, em meados de março e abril, agora, as vendas vêm sofrendo uma queda. “Num segundo momento, a gente está um pouco preocupado, porque as vendas estão caindo, estão voltando ao normal, mas nós não sabemos se vai piorar mais, porque, agora, talvez o público em geral comece a consumir aquele estoque que fez e que viu que era desnecessário, então, isso assusta um pouco. A gente acredita que não só a queda no mercado institucional, mas, de repente, pode ter uma queda um pouco acima do normal também na linha residencial, então, isso deixa a indústria um pouco preocupada com os próximos meses”, avalia.

face aparas

Segundo Pedro, outros produtos de tissue, como as toalhas de cozinha multiuso, se mantiveram estáveis. “Não teve aumento, ficaram na sequência normal. É um produto que vem já no nível de 6 mil toneladas por mês de produção, se mantém nesse patamar há muito tempo e não mostrou nenhum impacto em função da pandemia”, fala.

Os guardanapos, por sua vez, tiveram uma queda, em virtude principalmente do isolamento social e o fechamento de estabelecimentos. “O guardanapo tem um consumo muito grande no mercado institucional, bares, restaurantes, e isso tudo parou, então ele sentiu um pouco mais. De maneira geral, os produtos que são comercializados dentro das residências ficaram em uma situação boa e os produtos do mercado institucional em uma situação mais crítica”, observa.

O diretor da Anguti, que realiza uma pesquisa mensal de produtos tissue, contou como tem visto os preços no atual cenário, considerando os valores das matérias-primas. “2019 acabou sendo um ano bom para o segmento, nem tanto por ter conseguido repassar custos, mas porque os custos abaixaram. A celulose, em função do dólar, teve uma queda acentuada de preço, as aparas também, da mesma forma, e com isso, o segmento conseguiu recuperar bem a rentabilidade em 2019. 2020 já começa com a tendência de aumento da celulose; uma parte conseguiu ser recuperada pelo menos de preço de produto final, mas já começamos a observar novamente uma perda na rentabilidade. As aparas também, na sequência da celulose, apresentam forte aumento [de preço], escassez muito grande e, com isso, a rentabilidade começa a se prejudicar”, analisa.

Com relação às aparas, Pedro afirma que o setor inspira preocupação devido à diminuição do material por conta do isolamento.

Com relação às aparas, Pedro afirma que o setor inspira preocupação devido à diminuição do material por conta do isolamento. “Com o fechamento de shoppings, lojas de rua, isso já deu uma queda, principalmente na área de apara marrom, aí fecham as cooperativas também – acho que 50% das cooperativas foram fechadas no primeiro momento –, os sistemas de coletas seletivas paralisados, e com isso, nós perdemos perto de 50% do material que entravam nos aparistas. Isso realmente causou um problema sério, aconteceu em um momento que a indústria ainda estava ativa, tanto a de papel sanitário, que consome muita apara branca, quanto a de papéis de embalagens, que consomem as aparas marrons”, comenta.

Ele completa afirmando que outro fator de preocupação é o grande crescimento das rendas on-line. “Isso significa caixas de embalagens na casa do cidadão, coisa que a gente recuperava antes no supermercado, no ponto de venda, agora vai ter que ser recuperado na residência, isso é uma recuperação um pouco complicada, vai precisar de sistemas de logística eficientes, uma conscientização da população maior para que faça um retorno da caixa. Então, se isso for uma tendência definitiva de aumento muito forte nas rendas on-line, o mercado vai passar por algumas reestruturações, vamos ter que fazer alguma coisa diferente para conseguir manter o nível de coleta de aparas que a gente vinha tendo antes da pandemia”, diz.

apesar do boom na demanda para papel higiênico no início da pandemia

Com relação aos produtos, Pedro também opinou se o papel de folha simples deve retomar a liderança sobre o de folha dupla, em decorrência da crise econômica. “Eu acho que não, por dois motivos: primeiro porque a qualidade do folha simples e do folha dupla está ficando cada vez mais estreita. Há três anos, o papel de folha dupla custava 100% mais que o de folha simples na gôndola de supermercado, nos últimos meses, está em torno de 70%, então está perdendo essa diferença de preço. Isso pelo lado do mercado; pelo lado da indústria, também está um pouco difícil esse retorno, porque está tendo escassez cada vez maior de aparas e uma abundância cada vez maior de celulose, estão está cada vez valendo mais a pena você ficar fazendo o produtor mais nobre, com celulose, porque vai acabar tendo rentabilidade um pouco maior”, defende.

Atuando também no segmento de papel de embalagem, Pedro avaliou como está esse mercado hoje. “Vamos falar um pouco de maculatura. Nós tivemos, ainda em março, uma grande empresa que parou de operar, com isso, a gente acabou tendo a falta de papel maculatura e os preços subiram um pouco forte em função disso, ainda antes da pandemia. Com a pandemia, a falta de aparas fez com que esse produto apresentasse altas maiores, o que dificultou a vida dos fabricantes de papéis sanitários, mas, atualmente, os preços estão estabilizados, ainda que em um patamar mais alto. O grande problema nesse caso continua sendo a falta de aparas marrons, que são a matéria-prima da maculatura, assim como do papel para caixas e papelão”, pontua.

Apesar de, num primeiro momento, o consumo de caixas ter permanecido aquecido, como o mercado de tissue, ele caiu 12,5% em maio. “Isso ajuda no equilíbrio entre oferta e demanda de aparas, infelizmente, um equilíbrio que fica lá embaixo, não é o equilíbrio que gostaríamos, de todo mundo produzindo e criando o que consumir. Mas é o que talvez seja a tendência de acontecer nos próximos meses, dependendo de como a indústria de embalagens vai se comportar. Eu acredito que essa compensação não vai acontecer, o mercado deve ficar fraco pelo menos até os últimos meses do ano quando começam as vendas de Natal”, encerra.

Confira na íntegra o Talk Tissue com Pedro Vilas Boas, diretor da Anguti Estatística e presidente executivo da Anap (Associação Nacional dos Aparistas):

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