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Celulose Notícias

Eldorado Brasil pretende levantar R$ 500 milhões com venda de terras

Eldorado, em Três Lagoas, é uma das plantas de  celulose de MS

A Eldorado Brasil Celulose, empresa controlada pela J&F Investimentos, dona da JBS, contratou a consultoria imobiliária da NAI Commercial Properties para vender oito fazendas que detém nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As propriedades somam 83 mil hectares e estão avaliadas em R$ 500 milhões. Embora esteja abrindo mão das terras, a Eldorado pretende viabilizar o uso do eucalipto plantado nessas áreas em sua operação.

A venda dos ativos está alinhada à estratégia da companhia de não imobilizar recursos em terras – hoje, mais de 80% de suas florestas estão plantadas em áreas arrendadas e as que ainda pertencem à Eldorado e estão disponíveis foram colocadas à venda. Além disso, os recursos virão em um bom momento para a produtora de celulose de eucalipto, que inaugurou sua primeira fábrica, em Três Lagoas (MS), em novembro de 2012.

Ao mesmo tempo em que sua alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ainda é elevada – estava em 14 vezes no fim do ano passado -, a companhia se prepara para um novo ciclo de crescimento. Com investimentos de R$ 8 bilhões, a Eldorado pretende iniciar a operação de uma nova linha de celulose em Três Lagoas em 2017.

O principal executivo da Commercial Properties, Aloisio Barinotti, diz que a expectativa é concluir a venda das terras até o fim deste ano. Muitos fundos, nacionais e estrangeiros, afirma ele, já procuraram a consultoria para negociar os ativos.

Das oito fazendas, cinco estão cultivadas com eucalipto em parte da área. Juntas, as propriedades somam mais de 14 mil hectares plantadas com a cultura. Segundo Barinotti, o interesse da Eldorado é firmar com os compradores das terras um contrato de fornecimento de madeira por até três ciclos. No mínimo, a empresa espera fechar acordo para entrega de um primeiro corte de eucalipto.

Para atender a atual unidade industrial, com capacidade de fabricar 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano, e fazer frente à expansão, que envolve uma linha de 2 milhões de toneladas por ano, a Eldorado está plantando eucalipto em ritmo acelerado. São cerca de 50 mil hectares por ano, com o objetivo de chegar ao fim de 2014 com 210 mil hectares de plantio.

A principal fazenda ofertada pela Eldorado está localizada no município de Água Clara (MS) e tem ao todo 26,5 mil hectares, dos quais 7 mil hectares cultivados com eucalipto. Pela fazenda, o grupo pede R$ 200 milhões, valor que não inclui a madeira.

A segunda maior propriedade está em Corumbá, cidade do pantanal sul-mato-grossense. Com 21,5 mil hectares, a fazenda está avaliada em R$ 25 milhões e tem vocação pecuária.

No município de Dois Irmãos, a Eldorado colocou à venda três propriedades rurais, que somam 6,8 mil hectares, sendo 3,7 mil hectares com eucalipto. Juntas, as três fazendas estão avaliadas em R$ 105 milhões, também sem considerar o valor da plantação. Ainda em Mato Grosso do Sul, a empresa está vendendo uma propriedade de 208 hectares, em Anastácio, por R$ 5 milhões.

No portfólio, há duas propriedades localizadas no Estado de Mato Grosso. A maior delas, de 13,5 mil hectares, está localizada em Pontal do Araguaia, e está avaliada em R$ 60 milhões. A fazenda tem 3,6 mil hectares cultivados com eucalipto. A outra fica em Alto Araguaia, tem 11 mil hectares, e pela qual a Eldorado está pedindo R$ 50 milhões.

Em novembro do ano passado, a Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, também levantou recursos com a venda de terras, porém sem abrir da gestão das florestas.

A companhia – controlada pelo grupo Votorantim e pelo BNDES – firmou um contrato com a Parkia Participações para a venda de cerca de 210 mil hectares de terras, localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia e Espírito Santo. A operação envolveu um valor total de R$ 1,65 bilhão.

O acordo da Fibria, com prazo de até 24 anos, incluiu ainda um contrato de venda de madeira entre as duas empresas.

Valor Econômico

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