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Diretora da Ipel avalia impactos do coronavírus na indústria de tissue

Entrevistada pelo Portal Tissue Online, Luciana Dobuchak conta o que mudou na rotina da empresa e que desafios os fabricantes de tissue estão enfrentando com a pandemia

A pandemia do coronavírus vem afetando a cadeia produtiva de todos os setores. No caso do mercado de tissue, as indústrias estão em pleno funcionamento por fabricarem produtos de primeira necessidade. Esses produtos, inclusive, vêm sendo cada vez mais procurados pelos consumidores que, devido ao pânico gerado pela pandemia, estão esgotando prateleiras de itens como papel higiênico e álcool em gel em todo o mundo.

Para avaliar esse cenário e como o coronavírus vem mudando a rotina nas fábricas de produtos tissue, o Portal Tissue Online entrevistou Luciana Dobuchak, diretora comercial da Ipel.

Instalada no município catarinense de Indaial, a empresa tem capacidade produtiva superior a 5.000 toneladas/mês e conta com mais de 700 colaboradores diretos.

O mercado-alvo da Ipel atualmente está centralizado na venda para empresas distribuidoras, varejistas ou atacadistas em geral, de produtos descartáveis e de higiene, do ramo institucional e varejo doméstico, localizadas em todo território nacional.

As vendas estão concentradas principalmente na Região Sudeste, grande mercado consumidor brasileiro, seguida pelas Regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. A Ipel atua também no Mercosul, com vendas principalmente para o Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Mas o que mudou na produção da Ipel com a crise provocada pelo coronavírus? Confira este e outros temas na entrevista com Luciana Dobuchak.

Portal Tissue Online: Como a Ipel está vendo a situação do coronavírus e como você acredita que essa pandemia pode afetar a indústria de tissue?

Luciana: A Ipel, como empregadora, tomou várias medidas para salvaguardar a integridade física de todo os seus colaboradores, com várias mudanças em suas rotinas de trabalho. Em relação às vendas, acredito que teremos dois impactos, um positivo neste primeiro momento, mas, que poderá ser negativo em breve, com o superabastecimento do mercado com produtos além da demanda usual de compra/consumo. Por outro lado, apostamos que crie-se novos hábitos de higiene e que perdurem após a crise da pandemia, o que pode adicionar um volume interessante na demanda, seja por lavagem mais frequente das mãos, seja por troca de toalhas de pano por papel ou ainda a eliminação dos secadores de mãos.

Portal Tissue Online: Como está a produção da empresa neste momento? A Ipel está pronta para atender à crescente demanda por produtos?

Luciana: Trabalhamos dentro da possibilidade, com os afastamentos dos grupos de risco, grávidas, doenças de base além de estar administrando o absenteísmo em decorrência da falta de transporte urbano por decreto estadual e também com possíveis sintomas que possam causar um certo pânico na fábrica. Estamos com alguns casos de gripe, normais nesta época do ano, mas que trazem um olhar “suspeito” nos dias de hoje e precisam ser administrados.

Quanto à demanda, por ela ter sido absurdamente aumentada, tivemos impactos sim em atendimento a pedidos, tendo prazos de entrega maiores, cancelamento de alguns produtos de menor giro. Estamos procurando absorver e atender o maior número de pedidos, porém, a nossa capacidade ociosa não foi suficiente para atender a 100% da quantidade de pedidos que tivemos. Estamos fazendo horas extras e turnos estendidos, dentro do que nos é possível em questões legais, para tentar atender o máximo possível de pedidos.

Portal Tissue Online: A Ipel sofreu algum tipo de impacto econômico provocado por essa crise?

Luciana: Em relação a pagamentos, tivemos poucas solicitações de prorrogações de títulos e não houve aumento da inadimplência, ficando dentro do padrão que já temos nos meses anteriores. Acreditamos que o impacto venha mais para frente, no final de abril e no mês de maio.

O maior impacto foi devido ao dólar médio do mês de março, que foi o mais alto já registrado e impactará fortemente na compra da matéria-prima deste mês.

Alguns poucos insumos também sofreram algum tipo de reajuste, mas acreditamos que foi pela questão de logística ou procura alta e devem voltar ao normal em seguida.

Portal Tissue Online: Além dos produtos para o consumo, a Ipel também atua fortemente no segmento professional. Até o momento, qual desses segmentos sofreu mais os impactos desse cenário?

Luciana: No mês de março, não tivemos impacto negativo nas vendas, em nenhum dos dois segmentos. Houve procura de muitos distribuidores para abastecimento extra devido ao perfil de seus clientes ligados à área da saúde, hospitais, clínicas, etc. Para abril, com a maioria dos estados em quarentena e com muitas empresas fechadas, acreditamos que o impacto negativo virá. Já na prospecção com nossos clientes, identificamos que haverá queda significativa, principalmente com os distribuidores, que atuam fortemente em estabelecimentos como shopping, colégios, academias, clubes, hotéis, restaurantes em geral, pois foram os segmentos mais afetados. Também há percepção de queda em segmentos que deslocaram seus colaboradores para home office, porém, neste caso, ainda há possibilidade de certo ganho em compra no varejo devido ao consumo em casa.

Portal Tissue Online: Falando ainda do segmento professional: No final do ano passado, quando nossa equipe esteve na planta da Ipel, em Indaial-SC, pudemos acompanhar uma parte das obras de expansão no parque fabril, para o recebimento de duas linhas automáticas destinadas a produção de papel toalha interfolha. A previsão era que, em fevereiro deste ano, as linhas estivessem em funcionamento, justamente o período em que o coronavírus começou a se espalhar pelo mundo com mais intensidade. Esse projeto foi adiado? Como ficou a questão do recebimento das máquinas e seus startups?

Luciana: Não houve impacto nos startups pois, por sorte, os técnicos italianos vieram para a Ipel antes dessa loucura toda na Itália. No auge do contágio na Itália, estavam aqui e em segurança. O coronavírus foi o responsável pela mudança mais rápida para as novas interfolhadeiras da nossa parte, pois entendemos que o consumo, neste momento, pode privilegiar produtos diferenciados, com padrão de qualidade superior e, principalmente, que tenham garantias de não contaminação, o que é favorecido pelo fato das interfolhadeiras serem 100% automáticas e não haver contato humano com o papel. Outro diferencial é que os maços de papel toalha também são 100% fechados o que faz com o que risco de contaminação posterior no papel seja muito pequeno.

Portal Tissue Online: O planejamento a médio e longo prazo da empresa sofreu alterações com a pandemia?

Luciana: Estamos avaliando o cenário diariamente, “matando um leão por dia”, como costumamos dizer. O planejamento a médio e longo prazo ainda não foi afetado nem houve alterações, até porque, mesmo no cenário mundial, ainda não temos muita base para permear as nossas ações futuras. Se pensarmos que na China, passados três meses, o cenário praticamente se normalizou, pode ser que não haja necessidade de mudança a médio e longo prazos.

O que se intensificou fortemente foi o planejamento de curto prazo ficou muito mais curto, ou seja, estamos focando em ações pontuais e que possam trazer mais benefícios para a empresa, seja de produção, seja de produtividade. Mas o principal ponto que norteia todas estas ações é a integridade física de nossos colaboradores. Muitas ações preventivas e de segurança a manutenção da saúde deste foram tomadas e estão sendo acompanhadas com bastante zelo.

Portal Tissue Online: Que medidas a empresa vem tomando para proteger seus colaboradores e ajudar a frear a propagação do vírus?

Luciana: Foram dezenas de ações. São elas:

  • Criação de um comitê de gestão da crise do coronavírus, formado por todos os diretores, médico do trabalho, gerente de recursos humanos e gerente de logística;
  • Criação de um boletim diário de comunicação com colaboradores, de forma sistêmica e organizada;
  • Afastamento já no dia 16/03 de grávidas, colaboradores acima de 60 anos, colaboradores que possuam doenças de base crônicas, colaboradores que tomam imunossupressores e jovens aprendizes;
  • Palestra para todos os funcionários sobre o coronavírus, assim como para terceiros que atuam dentro da fábrica, falando sobre prevenção, transmissão e hábitos de higiene/lavagem de mãos pelo médico do trabalho que é infectologista;
  • Colaboradores da área administrativa que têm possibilidade de trabalhar remotamente foram liberados para trabalhar em casa, diminuindo assim o fluxo de pessoas dentro das salas. Ficarão remotos até dia 13/04;
  • Suspensão temporária de todos os serviços realizados por terceiros, deixando somente serviços essenciais: Segurança, restaurante e empresas que estão nos auxiliando na colocação em funcionamento de nossas máquinas e equipamentos;
  • Intensificação da frequência de limpeza das áreas comuns e em nosso restaurante;
  • Evitar reuniões acima de cinco pessoas;
  • Evitar circulação de pessoas na fábrica desnecessariamente;
  • Postergação de workshops e eventos internos com grande concentração de pessoas, assim como de viagens;
  • Orientação e parada para que todo o funcionário lave suas mãos de duas em duas horas;
  • Manutenção da distância mínima de 1 metro entre as pessoas;
  • Flexibilização do horário de refeições, aumentando o tempo e diminuindo o número de pessoas simultaneamente no restaurante para metade da capacidade;
  • Fechamento da sala de jogos e recreação;
  • Fornecimento de pulverizadores com produtos de higienização utilizados em áreas hospitalares para nossos motoristas e parceiros higienizarem as cabines;
  • Fornecimento de pulverizadores com produtos de higienização para que as áreas reforcem a higienização dos seus respectivos locais;
  • Criação do programa “Dicas do Dr. Marcos”, composto por vídeos orientativos sobre perguntas, dúvidas, comentários de nossos colaboradores;
  • Ampliamos o Horário de atendimento do médico do trabalho na empresa;
  • Aplicação da vacina contra gripe para aqueles que reservaram a dose;
  • Fitas adesivas para serem colocadas próximas aos relógios de ponto para seguirmos a orientação de distanciamento mínimo de 1 metro entre as pessoas assim como também no buffet do restaurante;
  • Suspensão de visitas na fábrica, de qualquer espécie, orientando a fazer via videoconferência.

Portal Tissue Online: Considerando que o cenário econômico brasileiro vem trazendo desafios a segmentos ligados ao consumo, qual você acredita ser o principal obstáculo a ser enfrentado pela indústria de tissue?

Luciana: O cenário econômico brasileiro é desafiador há muitos anos, mas, no momento, o desafio ficou gigantesco. O maior impacto, neste momento, com certeza, vai ser cumprir o orçamento feito, devido ao grande impacto que teremos na compra de matéria-prima e insumos precificados com base em dólar.

A inadimplência também está no nosso radar no próximo ciclo pois acreditamos que muitos negócios, que já não estavam sadios antes do coronavírus, financeiramente falando e que não aguentarão passar por este período, sem atrasar pagamentos ou até mesmo com risco de fechamento destas.

Acredito que, de maneira geral, a indústria de tissue ainda tem que se profissionalizar em diversos aspectos, pois ainda temos muitas empresas no setor que não possuem governança corporativa e ainda tem perfil de atuação bastante familiar na gestão.

Desenvolver o mercado de maneira estruturada, formalizada e com produtos que tragam valor agregado ao consumidor, amparados por campanhas de consumo consciente, mostrando toda segurança e benefícios que os produtos produzidos pela indústria podem trazer ao consumidor.

E nosso mercado terá que passar pelo desafio de novas formas de consumo, novos formatos de comércio, extremamente digitalizados e que, com o coronavírus, devem acelerar ainda mais.

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