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Demanda por “tissue” leva a investimentos de R$ 1 bilhão até 2019

As perspectivas de crescimento firme da demanda brasileira por papéis para fins sanitários até o fim da década estimularam nova rodada de investimentos em capacidade produtiva. Com oito projetos já anunciados e investimento total da ordem de R$ 1 bilhão, a produção nacional de “tissue” deve ser ampliada em 400 mil toneladas entre 2015 e 2019. No ano passado, o volume produzido no país foi de 1,09 milhão de toneladas.

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“Apesar da crise, o crescimento segue acima do PIB [Produto Interno Bruto] e, além da melhoria da renda, há questões intrínsecas ao segmento que vão permanecer”, disse ao Valor o gerente de estudos econômicos da consultoria finlandesa Pöyry, Manoel Neves. Um dos fenômenos desse cenário, que compreende o consumo relativamente baixo de papéis sanitários no país, o potencial de expansão em outros segmentos, como toalhas e itens de hotelaria, e a melhora nas condições de higiene, é a instalação de novas máquinas.

Além dos anúncios de novas máquinas, cinco deles de multinacionais, há uma ampliação de capacidade de máquina que já está em operação. “É, sem dúvida, o segmento que mais cresce no mundo todo. Mas a defasagem abre ainda mais oportunidade no Brasil”, disse. No país, o consumo per capita de tissue gira em torno de 5 quilos por ano, abaixo de México (mais de 8 quilos) e Chile (mais de 9 quilos) e bem distante de mercados desenvolvidos, como o americano, que chega a quase três vezes o volume brasileiro.

Foto: Reprodução

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Levantamento recente da Pöyry, referência mundial para a indústria de celulose e papel, mostra que a produção nacional desse tipo de papel vai crescer a taxas de 4% ao ano até 2020, acima da média de 3% ao ano apurada entre 2004 e 2014, estimulada pela mobilidade social e melhoria nas questões sanitárias. O desempenho também é superior ao ritmo de expansão da demanda global no longo prazo, estimado em pouco menos de 3% ao ano – taxa que coloca o tissue como principal motor de crescimento da indústria papeleira, acima inclusive das embalagens.

O perfil do papel consumido pelos brasileiros também evoluiu, segundo a Pöyry. A melhoria da renda tem levado o consumidor a substituir o papel higiênico de folha simples pelo de folha dupla. Em 2007, conforme Neves, os papéis de folha dupla correspondiam a 15% das vendas no país. Entre 2009 e 2012, porém, enquanto as linhas premium cresceram a taxas médias de 17% ao ano, o papel de folha simples mostrou expansão de apenas 1% ao ano.

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Outra mudança, relacionada à geografia, também influência os projetos. Embora o Sudeste continue concentrando o principal mercado consumidor de tissue, a expansão acelerada do consumo no Centro-Oeste e no Nordeste atraem a atenção dos fabricantes. Empresas brasileiras como Santher e Mili, por exemplo, disputam mercado com a Melhoramentos CMPC (do grupo chileno CMPC) e a americana Kimberly-Clark.

Em 2014, a produção total de papéis no Brasil alcançou 10,39 milhões de toneladas, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), e os papéis para fins sanitários corresponderam a 11% desse volume, ou o equivalente à terceira maior produção por tipo de papel.

Valor Econômico