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Crise logística global deve continuar em 2022

Segundo diretor de florestal, logística e suprimentos da Suzano, Carlos Aníbal de Almeida, os gargalos no transporte mundial de produtos podem ser ainda maiores

Ao longo dos últimos meses as cadeias logísticas globais têm sofrido grande pressão, e não há indicação de melhora para esse quadro em 2022. Com o cenário de lockdowns na China, para conter novos surtos de covid-19, os gargalos no transporte mundial de produtos podem ser ainda maiores, na avaliação do diretor de florestal, logística e suprimentos da Suzano, Carlos Aníbal de Almeida.

“Os lockdowns na China trazem mais incertezas quanto à recuperação e podem, ainda, agravar a situação. Não vemos perspectiva de melhora em 2022”, disse o executivo.

Os gargalos no transporte marítimo começaram com a retomada da demanda, quando grandes economias determinaram o fim de algumas medidas de isolamento contra o coronavírus, e acabou sendo foi mais forte do que o esperado. Essa alta demanda ocorreu no momento em que a oferta de contêineres estava reduzida, também devido à pandemia.

Por essa razão, as cargas precisaram ser transportadas em navios de carga solta, sem contêineres. Ao chegar no porto, por levar variados tipos de cargas, as embarcações passaram a parar em mais terminais portuários do que o habitual, refletindo no tempo entre o embarque e a chegada do produto.

Ainda há a falta de mão de obra, por conta da contaminação de covid-19 e suspensão de atividades em portos estratégicos, como em Xangai. “Os contratos [com armadores] preveem uma janela, mas os navios estão fora dela. Isso contribui para o congestionamento nos portos, que afeta a todos”, explicou o Aníbal.

Segundo ele, a Suzano também tem enfrentado atrasos no embarque por causa do maior ciclo dos navios, em meio ao congestionamento em portos ao redor do mundo. No entanto, a empresa consegue neutralizar parte dos problemas no transporte marítimo mundial por conta da estrutura de sua operação logística, que compreende três portos no país e uma frota de dez navios dedicados, contratados junto à coreana Pan Ocean.

Com foco na indústria de celulose, os problemas nas cadeias globais e regionais de suprimento levaram à redução da oferta da matéria-prima. Na América do Norte e Europa, o problema tem sido a falta de disponibilidade de vagões e caminhões, bem como caminhoneiros, o que prejudica as operações das fábricas e limita o suprimento de químicos e madeira usados no processo e escoamento da commodity produzida.

No Canadá, após a Canfor anunciar que suas serrarias no oeste canadense vão operar a taxas reduzidas em abril, por causa das limitações no transporte ferroviário, um relatório no fim de março feito por analistas do BMO Capital Markets afirmou que os problemas logísticos no país pareciam os mais graves em anos, agravados pela escassez de vagões. Uma das fábricas de celulose da companhia canadense já estava com a produção suspensa e poderia estender a medida por mais seis semanas.

Já na China, o receio é a escassez da matéria-prima, pois os estoques estão baixos e o deslocamento, a partir dos produtores, bem maiores que no normal.

Fonte
Valor Econômico
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